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por Mazu
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| Página "Não Aguento Quando" no Facebook. |
Há dois dias, minha cunhada publicou um vídeo no Orkut
(sim, no Orkut!) em que um metaleiro destilava muito julgamento sobre o que ele
chamou de pirirockers (deve significar algo como piriguetes do roquenrol). Não
conheço o cara, mas ele fez questão de dizer que estava lá criticando a
hipocrisia das meninas que usam roupa curta, mas são roqueiras, e ficam
criticando as meninas que usam roupa curta e escutam funk. Provavelmente, a
hipocrisia que ele detectou existe. Se realmente há alguém que usa roupa curta
criticando alguém que usa roupa curta, sim, há hipocrisia. Mas essa não é a
questão. Ainda que ele tenha se explicado e dito literalmente "as pessoas
podem fazer o que quiser e ser feliz, não tenho nada com isso", o vídeo
é machista, não parece, assim de parecer logo de cara, mas é. Muito
provavelmente, essa não foi a intenção do autor e, muito provavelmente, vários
de nós (si, jo también) destilamos machismo de quando em vez, sem nos darmos
conta. E por que, meu Deus, por quê? Porque a ideologia do patriarcado é tão
embebida, incutida nos nossos costumes que pode passar despercebida.
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| Femstagram no Facebook |
Um exercício interessante, inclusive para xs
companheirxs recém chegadxs no movimento, é se escutar falando. Loucura, né?
Mas, é isso mesmo. Na grande maioria das vezes, quando uma afirmação só serve
para homens ou mulheres, essa afirmação está lá com seus 90% de chance de ser
sexista. Vou usar como exemplo o vídeo que minha cunhas postou. Não é
semanticamente possível dizer "os pirirockers", certo? Quero dizer,
não rola tirar sentido da expressão, assim sem um contexto mais específico.
Rola dizer "maria-palheta", um termo usado para groupies, e fazer sentido,
mas não rola dizer "joão-palheta" e fazer sentido, novamente, sem um
contexto que nos ampare. Não quero comprar briga com os compas da linguística,
então já adianto, com contexto e interação tudo pode na linguagem. Mas, vamos
supor, ainda que um contexto específico nos permitisse tirar sentido dessas
expressões, eles não seriam exatamente iguais, não carregariam o mesmo pacote
de sentidos, porque estamos em uma sociedade com esse e aquele discurso
anterior, ou seja, esse e aquele preconceito já estabelecido. Vide o cara
"galinha" e a mina "galinha", que trazem significados bem
diferentes empregados aqui e lá.
Alguém poderia dizer: tem coisa que só homem
faz, tem coisa que só mulher faz. A resposta mais simples para isso, além de
"oi, século XXI?" é que essas coisas só de homem ou só de mulher têm
que ter explicações muito biológicas mesmo, muito provavelmente envolvendo o
uso direto da genitália. Do contrário, a gente pode detectar sexismo novamente.
A Rô trouxe uma discussão legal sobre isso, quando tratou dos brinquedos demeninas e meninos.
Esses atos falhos nossos acontecem para o bem e
para o mal, o tempo todo. Dia desses, um amigo publicou no facebook:
"fulana de tal (que fez x e y): uma mulher para entrar na lista de
mulheres que fizeram diferença na humanidade". Sério, lendo isso, a gente
não fica com aquela impressão de que quase não existiu mulher para fazer
diferença? Pois é.
E não rola só com mulheres, dizer que os homens
são todos canalhas é tão sexista quanto dizer que as mulheres são todas
interesseiras. Toda discriminação ou papel já estabelecido, sem explicação
biológica (eu ia dizer racional, mas não seria suficiente), para um gênero
implica sexismo. Dizer que é dever do homem pagar as contas é sexista também. E
assim vai.
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| Créditos: Femstagram no Facebook |
Todo mundo escorrega, não rola dizer que não. Se
em determinado momento da vida, alguém pisa no calo e a gente vai falar mal ou
discutir, uh, como rola preconceito. Eu tenho irmã, eu sei como é. Deus me
livre daquela máxima "Não sou machista, nem feminista, sou humanista"
porque, sério, isso é um uso super errado de todos, todos, todos os termos da sentença!
Machismo não é o contrário de feminismo, nem os humanistas têm nada que ver com
a bagaça toda. Mas o ideal, para evitar os escorregas sexistas nossos de cada
dia, era a gente usar "pessoa" ou "gente" nas afirmações
para evitar, né? Tipo "tem gente interesseira" não "tem mulher
interesseira". E, aí, se me for permitido um adendo fora do escopo do blog
e do post, melhor mesmo seria tentar ser positivo e não ficar de mimimi por aí
e dizer que "tem gente legal no mundo", sei lá, talvez isso ajude na
tarefa complicada de gostarmos uns dos outros.
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| Não Aguento Quando novamente |
Voltando, a dica das tias de hoje, que serve pra
tia também, é: quando a gente for criticar alguém, para evitar cairmos em
qualquer armadilha linguística do preconceito, vamos tentar trocar o
"x" por "pessoa". Assim, ó: na frase "tinha que ser
X", sendo x = mulher, gay, preto, nordestino, gordo, se a gente não puder
trocar x por "pessoa" e conseguir sentido, que liguemos o alerta do
preconceito, porque há, talvez não seja evidente, mas há.
28 de janeiro de 2013
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1
Há um ano, mudei para o Distrito Federal. Aqui, tudo é muito diferente, muita coisa choca, muita coisa assusta, para o bem e para o mal. Uma das coisas que mais me assusta, para o mal, no DF, são os casos de violência contra a mulher: são quase 15 ocorrências por dia. Em março de 2012, o DF era o líder de denúncias no ranking, seguido pelo Espírito Santo e Pará.
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| O DF é muito menos lilás que isso |
Na maioria dos casos, a agressão faz parte daquela velha história de "amor": a gata amava o cara, não ama mais ou não tolera mais, então, toma tiro, toma pancada e vai tomando. Outra prática comum é o assalto seguido de estupro, geralmente envolvendo casais e famílias como vítimas. Isso me fez pensar na Marcela Temmer, em outras pessoas e situações nessa vida. Muita coisa mudou, melhorou até, mas as mulheres ainda são vistas como posses do homem. É a conclusão possível, né? Triste.
Li, por indicação de uma amiga, uma notícia antiga sobre a Marie Nzoli e o cotidiano das congolesas, cotidiano este que envolve estupros diversos e variados em sua vida, por tantos motivos. Na verdade, não consigo pensar em coisa mais sem motivo que o estupro. Mentira. A guerra, o genocídio e a briga político-social pelos diamantes, no Congo, são ridiculamente e igualmente coisas sem motivo, mas enfim.
Não rola comparar o Brasil com o Congo, a situação lá é de fazer chorar, vomitar e tudo mais. Aqui, a gente conta com esse e aquele instrumento legal e instituições de defesa, mas ainda assim, determinadas coisas acontecem. Eu disse ali em cima que esses acontecimentos absurdos narrados pela Marie são sem motivo, mas é pela brutalidade né, pelo grotesco do cenário. Na real, o motivo de o estupro servir de arma de guerra; de um cara entrar na casa de outro cara e roubar a casa, o carro e estuprar sua mulher; de o ex matar ou tentar matar a ex; enfim, o motivo é o machismo. É, o machismo é motivo para coisas que vão desde as mais bobas às mais graves. Século XXI, e ainda tem MUITA gente achando que a mulher é posse do homem.
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| Marie Nzouli e a organização que fundou no Congo |
Pessoalmente, acredito que nossas posses têm o poder de nos transformar, para o bem, quando nos trazem responsabilidades. Acredito que relacionamentos nos transformam, para o bem, quando fazem de nós pessoas melhores. É óbvio que isso não acontece sempre. Um exemplo, ou melhor, um desenho. O Lula Molusco tem uma casa de pedra e um clarinete. Vamos supor que ele comece a namorar a Pequena Sereia. Nada, nada disso vai adiantar, se o Lula Molusco continuar sendo o mesmo babaca de sempre, implicando com o Bob Esponja só porque ele é uma esponjinha feliz. Agora, se ele for namorar a Ariel e deixar o Calça Quadrada ser feliz, aí sim faria alguma diferença.
Além dessa questão de posses e relacionamento não mudarem ninguém. O mais importante de tudo é isto: as mulheres não são coisas. Não são comida, não são enfeites, não são objetos. Elas não podem sofrer violência de qualquer natureza por não querer um homem, por estar sozinha, por não estar de burca ou por estar. 

A gente, aqui no blog, é acusada o tempo todo de exagerar e tudo o mais. Já disseram que somos mal resolvidas porque vemos machismo em tudo. Bom, é nosso papel, como feministas, mostrar que o machismo está no ar. E que vai desde escutar assobio na rua até a amiga da prima da vizinha que levou um tiro porque tentou largar um cara. E, se apontar, chamar atenção aos fatos é ser mal resolvida, sim, somos mal resolvidas. E preferimos assim. Sério, se existe alguém em paz com uma sociedade em que estupro pode fazer parte do cotidiano de tantas formas, humildemente, tenho que dizer que ser bem resolvido é uma bosta, a pessoa precisa ter um problema muito sério para ser bem resolvida com a sociedade como está.
21 de janeiro de 2013
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5
No humor, sempre se está escolhendo um lado: ou se ri da vítima ou do algoz.
E, quando se ri da vítima, não interessa se quem está rindo é a própria vítima ou o carrasco. Assim como no caso do humor machista de Fernanda Young, as piadas racistas de Danilo Gentili não seriam menos graves ou mais aceitáveis se fossem feitas por um negro.
É claro que existem piadas e piadas. Uma piada sobre minorias feitas por representantes dessa minoria não é, necessariamente, preconceituosa. Ela pode ser autocrítica, empoderadora, subversora. Um exemplo sobre o mesmo tópico, a sexualidade feminina, é o da Margaret Cho, com uma piada mais ou menos assim (vocês podem ver a versão original aqui):
Diferente de Young, que, querendo afirmar seu gosto sexual acaba por justificar a violência de gênero, Cho afirma as mulheres como sexualmente ativas de uma maneira totalmente subversora, sobretudo por desafiar não somente a heteronormatividade como também o paradigma que divide a sexualidade feminina (e, por que não, humana) entre hétero e homossexual.
por Roberta Gregoli
Essa semana ouvi mais de uma vez afirmações muito parecidas: piada de gordo feita por gordo não tem problema, piada de gordo feita por magro, sim. Por extensão, o mesmo se aplicaria a piadas que têm como alvo minorias étnicas e históricas (negrxs, judeus, mulheres).
Resolvi testar essa tese com este vídeo da Fernanda Young, que ironiza a Marcha das Vadias:
O fato da Fernanda Young ser mulher legitima a piada ou a faz mais engraçada? Se fosse um homem, reclamaríamos, mas por ser mulher tudo bem, certo? Errado. A 'piada' ter sido feita por uma mulher, para mim, faz do quadro ainda mais triste. Por que alguém gozaria do próprio grupo, minando a legitimidade de uma forma de protesto?
Nesse caso específico, acho que existe um forte elemento de classe embutido na 'piada' de Young. É possível que ela brinque que quer ser encoxada no ônibus simplesmente porque ela não tem de pegar ônibus. É nessas horas que eu admiro a lucidez da Presidenta Dilma Rousseff quando diz que é mais difícil ser uma mulher comum do que presidenta da República porque a mulher do povo sofre mais violência e desigualdade salarial. Ou seja, é fácil para a Fernanda Young - que está com a barriga cheia, não sofre violência doméstica ou assédio de rua, reduzir a Marcha das Vadias a uma demanda por sexo caliente. É possível ter fantasias eróticas que envolvam violência física quando não se é vítima de violência de fato, quando se está empoderada o suficiente, no caso, com um emprego de reconhecimento financeiro e social. É fácil rir do assédio no transporte público quando se está dirigindo carro com o vidro fechado e insulfilm.
Enfim, como diria a sabedoria popular, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Rir do ardume, então, é sadismo. Mas se, por um lado, em relação à classe social, Young está rindo da tragédia dos outros, por outro está rindo da própria miséria porque, apesar desse tipo de violência não fazer parte de seu cotidiano, ela, como mulher, também está sujeita a ser assediada, agredida, estuprada. Vai que o carro dela quebra.
Sobre humor e subversão, a melhor epítome que já vi está no essencial documentário O Riso dos Outros: "O humor que mais gosto é o que não ri da vítima, mas do carrasco". Veja aqui a partir da marca 43'35'' - mas vale a pena ver o documentário todo:
No humor, sempre se está escolhendo um lado: ou se ri da vítima ou do algoz.
E, quando se ri da vítima, não interessa se quem está rindo é a própria vítima ou o carrasco. Assim como no caso do humor machista de Fernanda Young, as piadas racistas de Danilo Gentili não seriam menos graves ou mais aceitáveis se fossem feitas por um negro.
É claro que existem piadas e piadas. Uma piada sobre minorias feitas por representantes dessa minoria não é, necessariamente, preconceituosa. Ela pode ser autocrítica, empoderadora, subversora. Um exemplo sobre o mesmo tópico, a sexualidade feminina, é o da Margaret Cho, com uma piada mais ou menos assim (vocês podem ver a versão original aqui):
Um de meus primeiros empregos como comediante stand-up foi num cruzeiro lésbico. No barco, eu transei com uma mulher pela primeira vez. Daí veio todo o drama, será que sou gaaaay, sou héeetero? Então me toquei que só sou safada [I'm just slutty]. Cadê a minha parada? E o orgulho de ser vadia [slut pride]?
Diferente de Young, que, querendo afirmar seu gosto sexual acaba por justificar a violência de gênero, Cho afirma as mulheres como sexualmente ativas de uma maneira totalmente subversora, sobretudo por desafiar não somente a heteronormatividade como também o paradigma que divide a sexualidade feminina (e, por que não, humana) entre hétero e homossexual.
Interessante também o fato do show ser de 2000, ou seja, Cho antecipa a existência de uma marcha das vadias (em inglês, chamada Slut Walk) em mais de uma década, ainda que a Marcha das Vadias tenha reivindicações para além da liberdade sexual feminina, envolvendo questões como violência e ocupação do espaço público. Taí, então, um bom exemplo de humor inteligente, subversivo e pioneiro.
O humor que goza do carrasco, ou seja, desafiador do status quo e do senso comum preconceituoso é claramente mais complexo, exige mais esforço e sutileza. Existem também as piadas auto-depreciativas e sardônicas, que, quando feitas de maneira inteligente podem ser interessantes, mas a linha entre o reforço da opressão e o rir de si mesmo de maneira saudável é bastante tênue, ainda mais quando o assunto são minorias.
O humor que ri da vítima, como O Riso dos Outros defende, é o humor que gera o riso fácil porque reflete preconceitos e estereótipos já consolidados. É o humor que vomita de volta para a sociedade o que ela tem de pior. E, apesar dos comediantes toscos se sentirem lesados na sua liberdade de expressão (como se esse fosse um direito só deles), o nível de tolerância com esse tipo de humor é grande numa sociedade em que a educação ainda é largamente acrítica (ou simplesmente de má qualidade) e a grande mídia emburrece.
Como pode atestar qualquer mulher que tenha um mínimo de consciência e já tenha sido encoxada num ônibus, a piada da Young não é inofensiva. Ao naturalizar esse tipo de comportamento dizendo que isso é normal (pior, que é o que as mulheres querem), Young está participando na legitimação desse tipo de violência. Legitimando de maneira particularmente contundente e nociva porque, como mulher, ela supostamente teria maior autoridade para dizer "o que as mulheres querem".
Em resumo: uma piada nunca é inofensiva e sempre se está escolhendo um lado. A diferença entre o carrasco que ri da vítima e a vítima que faz piada sobre a própria condição é que, no segundo caso, o humor, além de perverso, é masoquista.
16 de dezembro de 2012
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4
por Tággidi Ribeiro
Assumi há pouco o meu ateísmo - fora o tempo de criança/pré-adolescência, nunca acreditei em deus, que me parecia uma impossibilidade lógica e antes de tudo uma evidente construção sócio-histórica. Deus são vários deuses, mutantes no espaço-tempo e finitos, muitos mortos porque os povos que neles acreditavam foram aniquilados ou porque simplesmente deixou-se de acreditar neles (caso dos deuses gregos). Ou seja, os homens criam os deuses à sua imagem e semelhança, ao passo que as religiões derivam dessa criação, carregando a vontade (humana) de poder - a sanha totalitária -, e se mantêm ou sucumbem como um governo, pela capacidade de ordenar, reprimir, manipular e seduzir.
Enfim, não acredito em deuses, nem no que pregam as religiões, nem em vida após a morte, nem em manifestação sobrenatural alguma - a vida é uma e se encerra aqui. Obviamente, contudo, respeito que os outros acreditem, que professem suas religiões e cultuem seus deuses, desde que não façam rituais de sacrifício humano ou animal.
Tudo certo então, né? Eu na minha descrença, os crentes com suas crenças, todos convivendo felizes e bonitos, respeitando uns aos outros. Bem, não, não está tudo certo. E por quê? Por conta de preconceitos como os seguintes:
1. "Ateu é mau. Se você não tem deus no coração, então você tem o diabo. E quem não ama deus e ama o diabo é mau." Bem, até onde eu sei, Hitler amava deus e o Betinho era ateu. Quem era mau?
2. "Ateu é uma gente deprimida, pesada, não acredita em deus porque dá tudo de errado na vida dela." Hum, é mesmo... E, por falar nessa gente infeliz, coitado daquele casal ateu, o Brad Pitt e a Angelina Jolie, hein?
1. "Ateu é mau. Se você não tem deus no coração, então você tem o diabo. E quem não ama deus e ama o diabo é mau." Bem, até onde eu sei, Hitler amava deus e o Betinho era ateu. Quem era mau?
2. "Ateu é uma gente deprimida, pesada, não acredita em deus porque dá tudo de errado na vida dela." Hum, é mesmo... E, por falar nessa gente infeliz, coitado daquele casal ateu, o Brad Pitt e a Angelina Jolie, hein?
3. "Se você não acredita em deus, você pode até não ser mau, mas não tem motivo algum pra fazer o 'bem' para outras pessoas." Sério? O único motivo de fazer o 'bem' é agradar deus? Você não faz isso porque, tipo, as outras pessoas, assim como você, merecem/precisam?
4. "Você é ateu porque é ignorante. Até os cientistas já têm provas de que deus existe." Uai, e por que eles ainda não contaram isso pra todo mundo????!!!! Pras igreja tudo, pelo menos? E tem outra: bem, tem cientista que prova que mulheres naturalmente gostam mais de rosa... não dá pra levar a sério.
5. "O ateu é um fundamentalista cético, que não quer saber de nada que vá abalar a sua 'crença' de que deus não existe". Risos, em primeiro lugar. Gente, ateísmo não é uma crença, justamente porque não é necessário acreditar para ser ateu... Se algum ateu não liga para o que você fala, ele pode simplesmente estar respeitando você, sabia? Em vez de perguntar se você acredita em unicórnios.
Então é isso! Vocês conhecem gente religiosa do bem e do mal. Existem ateus do bem e do mal. Vocês conhecem gente religiosa legal e gente chata. Rola com os ateus também. Vocês conhecem gente religiosa deprimida e gente feliz. Pois é, ateus também têm seus altos e baixos. Em suma: não somos diferentes, somos tais e quais, humanos com defeitos e qualidades - só não achamos que existam céu e inferno ou qualquer outra coisa maravilhosa. Portanto, deixem os preconceitos de lado e vamos viver sossegadamente, vamos conviver.
ps: "Um post ateísta num blog feminista? Que estranho!" - fazemos posts sobre preconceitos relacionados à homossexualidade e ao racismo, por que não um sobre ateísmo?
15 de dezembro de 2012
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4
por Tággidi Ribeiro
Estamos todos ainda chocados com a agressão ao estudante de direito André Baliera. Na segunda-feira, 03 de dezembro, Baliera voltava pra casa quando ouviu xingamentos de dois rapazes parados num sinal. Revidou, xingou também. Apanhou muito. Os agressores estão presos, vão ser julgados por tentativa de homicídio e pelo crime de homofobia (sim, aqui em São Paulo, pode-se ser julgado por tal). Esperamos que sejam condenados pelos dois, dado que a agressão só parou porque a polícia foi acionada e que, enquanto batiam, os agressores gritavam "Viado tem que tomar porrada". O próprio André Baliera colocou a mais tocante questão subjacente à violência sofrida: "Por que a minha existência provoca uma fúria tão desumana?".
Pois é, por quê? Por que a orientação sexual de alguém provoca fúria? Suponhamos que sua igreja diga que é contra a natureza, suponhamos que seu pai ou amigos digam que é uma 'safadeza' - ainda assim, por que chegar à agressão física? Nem a verbal é justificável, obviamente, mas agressão física pressupõe um gasto enorme de energia. Pressupõe, sobretudo, um sentimento de ódio tão arrebatador que não se contenta com a já terrível humilhação e o amedrontamento, mas visa à eliminação, à destruição do outro. Com qual outro não podemos conviver e precisamos destruir?
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| André. |
A minha moral, que muita gente diz que é cristã, só responde a essa pergunta de uma forma: não posso conviver com o outro que não convive comigo, preciso destruir quem quer me destruir. Basicamente, estou falando de legítima defesa - posso matar alguém para resguardar minha própria vida. Se o outro não me quer destruir, se convive comigo, então eu sigo pacificamente. (Parêntese rápido: segundo a moral cristã, eu deveria oferecer a outra face - é isso, né?)
Enfim, pergunto: Bruno Portieri e Diego Mosca, os agressores de André, agiram em legítima defesa? Sim, agiram sim. E não parem de ler aqui. Explico: a existência de André Baliera, simbolicamente, atenta contra a existência de Diego e Rodrigo. André Balieri simboliza um mundo novo, não mais dominado pelo machos viris; simboliza a conquista gradual da igualdade (ou pelo menos a redução da desigualdade) e a igualdade não se dá sem a distribuição do poder.
Sim, os machos viris estão perdendo poder e isso os assusta. E eu sei que o que eu estou falando vai soar para muitos como: 'está vendo, aí está a prova do que pretendem os gays e as feministas. Querem instaurar uma ditadura gay e feminazi'. Ninguém quer ditadura. Fato é, no entanto, que os machos estão perdendo poder e isso os assusta. Julgam que essa perda de poder é sua aniquiliação e por isso reagem de forma tão virulenta.
Mas é justamente essa virulência que nos diz que essa divisão de poder deve acontecer, é urgente que aconteça. Pois que o poder de um grupo sobre outro não é justificável se causa tantos danos - e o poder dos machos já causou e causa ainda muitos. Quero apelar aqui para a lógica heteronormativa dos homens, que sempre se consideraram mais racionais que as mulheres e os homossexuais: é defensável um poder que concentra direitos, impinge a violência, cerceia os corpos? É defensável um poder que produz tanta infelicidade no mundo? Não é imperativo ir contra ele, já que todo ser humano deseja ser livre?
A despeito da resposta masculina: o poder de Diego Mosca e Bruno Portieri é indefensável. E estamos todxs contra ele. Todxs em busca de liberdade.
7 de dezembro de 2012
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Para celebrar nosso aniversário, vamos inaugurar uma nova seção no blog, o Sexismo de cada dia. Inspirado no projeto The Everyday Sexism, uma iniciativa bem-sucedida e interessantíssima que gerou até ameaças de morte à autora. A ideia é compartilhar instâncias de sexismo e machismo vividas no dia-a-dia. Relatos de sexismo associado a outros preconceitos, como homofobia e racismo, são particularmente bem-vindos.
A iniciativa vai em linha com a concepção de blog coletivo, que tem como proposta dar espaço a uma pluralidade de vozes, refletindo a pluralidade do feminismo e da própria experiência das mulheres, que muitas vezes são mal representadas por noções essencializadoras como "a alma feminina", "a sexualidade feminina", etc. Não escondemos que nós, as colaboradoras, temos muito em comum, incluindo classe e etnia, por isso também aproveitamos a oportunidade para convidarmos novas colaboradoras a fazer parte da equipe.
por Roberta Gregoli
É uma satisfação anunciar que hoje o Subvertidas faz 7 meses!
Foram 106 postagens e mais de 34 mil visitas de diversos países do mundo. Parabéns às nossas excelentes colaboradoras e um obrigada enorme a todxs que nos acompanham e compartilham nossas postagens.
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| As Subvertidas ganhando o mundo: mapa de origem dos visitantes do blog |
Projetos parecidos existem já em português, como o Cantada de rua - conte o seu caso - que, na minha opinião, deveria se chamar assédio de rua. Essas iniciativas são importantes porque combatem um dos pilares fundamentais para a perpetuação da opressão de gênero: a negação de que a opressão de gênero ainda exista. O famoso "feminismo é coisa do passado", "machismo não existe mais", "feminista quer achar pelo em ovo" e diversas variações dessas frases.
A iniciativa vai em linha com a concepção de blog coletivo, que tem como proposta dar espaço a uma pluralidade de vozes, refletindo a pluralidade do feminismo e da própria experiência das mulheres, que muitas vezes são mal representadas por noções essencializadoras como "a alma feminina", "a sexualidade feminina", etc. Não escondemos que nós, as colaboradoras, temos muito em comum, incluindo classe e etnia, por isso também aproveitamos a oportunidade para convidarmos novas colaboradoras a fazer parte da equipe.
Para participar do "Sexismo de cada dia", envie sua contribuição (de qualquer tamanho) para subvertemos@gmail.com. Indique também no email como quer ser identificadx (pelo primeiro nome, nome completo, apelido ou de maneira anônima). Vamos montar uma fila de contribuições e vamos publicando aos poucos, nos intervalos das postagens das colaboradoras.
Para o pontapé inicial, começo eu:
Abordei dois professores brasileiros, ambos homens trabalhando em universidades de prestígio no Brasil e de renome internacional na área, para ver se se interessavam no meu projeto de pesquisa de doutorado (representações de gênero no cinema brasileiro). Ambos disseram que o corpus de filmes que eu tinha escolhido era interessante, mas que eu devia descartar a parte de gênero. Porque não era assim tão "interessante". Ignorei os dois, claro, e passei em Oxford com o projeto original.
Aguardamos suas contribuições!
5 de dezembro de 2012
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9
por Mazu
Faz algum tempo já que venho notando que o slutshaming é uma prática corriqueira entre adolescentes. Não só entre os adolescentes, é verdade, mas nas redes sociais em especial, a prática entre os adolescentes me assusta e preocupa bastante. Posso ser boba, mas eu sempre esperei mais das novas gerações. Estou pensando que a gente devia criar uma página no FB e um twitter chamado “Dicas das titias feministas” que nem tem as Dicas do He-man, só que feminista coisa que o He-man não é, enfim, a gente pode ir amadurecendo a ideia.
A gente poderia começar tratando do que aconteceu com a Kristen Stewart e a Karina Veiga, já que esses dois casos deixaram a prática do slutshaming bem evidente entre jovens.
Muita coisa me assustou nessas duas histórias, mas o que me deixou com dor de cabeça foi a quantidade de jovens mulheres que começaram a atacar as duas meninas por meio das internets (no caso da Stewart rolou até camiseta e tals). Isso me preocupa porque se a gente não for por nós mesmas, quem vai ser? Os caras é que não. Ok, existe homem feminista, mas não é como se eles dessem em árvores, especialmente porque, no caso deles, o processo de empatia deve ser mais complicado. Agora, com as meninas, era para ser mais natural, eu imagino. Aí eu leio plaquinhas sobre piriguetes e outros rótulos no Facebook e fico achando que, pelo jeito, estou imaginando errado.
Então, titia Mazu vai estrear As dicas das tias feministas e contar um segredinho: esses mitos românticos de pureza e delicadeza das princesas só existem para deixar as mulheres obedientes. Assim como a educação diferenciada que se dá aos meninos e meninas. Tudo isso tem como objetivo a nossa submissão. Não a nossa felicidade.
por Mazu
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| Sim, porque só as mães diriam isso. Aff. |
A gente poderia começar tratando do que aconteceu com a Kristen Stewart e a Karina Veiga, já que esses dois casos deixaram a prática do slutshaming bem evidente entre jovens.
Para quem mora em Marte e não sabe do que estou falando, a atriz norte-americana da saga Crepúsculo, Kristen Stewart, traiu seu namorado (Robert Pattinson) e foi crucificada loucamente na mídia e redes sociais. Como se isso fosse problema de mais alguém além de eles dois. No final, os dois continuam juntos e, pelos rumores, terão um bebê. Um final nada parecido e absolutamente horroroso teve a história da estudante brasileira, Karina Veiga, que dizem que traiu o namorado porque ninguém sabe mesmo (no caso da Stewart rolou uma fotos e tals), mas o que a gente sabe mesmo é que o namorado divulgou fotos e vídeos íntimos do casal, usando a conta dela do Facebook. Ah, a vingança! ¬¬
Muita coisa me assustou nessas duas histórias, mas o que me deixou com dor de cabeça foi a quantidade de jovens mulheres que começaram a atacar as duas meninas por meio das internets (no caso da Stewart rolou até camiseta e tals). Isso me preocupa porque se a gente não for por nós mesmas, quem vai ser? Os caras é que não. Ok, existe homem feminista, mas não é como se eles dessem em árvores, especialmente porque, no caso deles, o processo de empatia deve ser mais complicado. Agora, com as meninas, era para ser mais natural, eu imagino. Aí eu leio plaquinhas sobre piriguetes e outros rótulos no Facebook e fico achando que, pelo jeito, estou imaginando errado.
Alguma companheira poderia dizer que era mais importante falar do comportamento machista do namorado envolvido na história da Karina Veiga, por exemplo, do que das meninas machistas, já que as meninas são mais vítimas de uma educação machista do que outra coisa. É fato, e a gente já tratou disso aqui e aqui. É lógico que eu não quero crucificar as meninas que têm comportamentos machistas, mas acho que o movimento tem que pensar em formas de abordar e tratar disso, porque é um grande problema.
No caso do machismo do namorado traído, sinceramente, me dá uma preguiça depressiva comentar sobre o tipo de ser humano que ele é. Para começar quem sou eu, o que eu sei, não é mesmo? A única coisa que sei sobre ele é essa atitude gigantescamente escrota. Com base nisso unicamente, o que dá pra dizer é que ele é um gigantesco imbecil, mas, vai saber se ele já não salvou uns filhotinhos de gato de algum incêndio e tals. O que para mim não significaria nada, mas para algumas meninas adolescentes parece que significa muito. O que me leva ao centro dessa discussão, que são os príncipes encantados contemporâneos.
Porque a questão está justamente nesses mitos imbecilississimos que derivam da literatura romântica e do mito do par perfeito. Só para constar, o romantismo não é, em si, um problema. Ia ser hipócrita da minha parte criticar o romantismo. O problema é quando a gente passa a justificar determinados atos de violência, como é o slutshaming, usando o amor e o romantismo.
Pelo menos é isso que eu percebo nas adolescentes que realizam a inquisição das piriguetes. O que se fala, por exemplo, da Kristen: como ela foi trair o cara que é o Edward, um vampiro vegetariano e tudo mais. Como ela pode fazer isso? No caso da Veiga, então, pô coitado do namorado, estava com o coração partido, logo, tudo bem, porque no amor e na guerra vale tudo. Ruim é quem parte os corações por aí. Como ela não quis ser a princesinha de um cara só. Como?
Pelo menos é isso que eu percebo nas adolescentes que realizam a inquisição das piriguetes. O que se fala, por exemplo, da Kristen: como ela foi trair o cara que é o Edward, um vampiro vegetariano e tudo mais. Como ela pode fazer isso? No caso da Veiga, então, pô coitado do namorado, estava com o coração partido, logo, tudo bem, porque no amor e na guerra vale tudo. Ruim é quem parte os corações por aí. Como ela não quis ser a princesinha de um cara só. Como?
O que me perturba muito é que algumas pessoas expressam esse tipo de opinião descrita acima e ninguém estranha, nenhum alerta de insanidade toca. Você lê um comentário com um conteúdo desse tipo e vai dormir à noite de boa, sério? Então, por amor, vale humilhar, vale bater, vale matar?! Alerta vermelho cereja intenso, gente! Grave isso, muito grave.
Não sei por qual motivo, razão ou circunstância determinados mitos (tipo que por amor se mata ou se morre) seguem sendo propagados. Junto com uma educação sexista de que a gente ainda não conseguiu se livrar, isso cria um grande problema, a propagação de uma sociedade sexista e machista. Porque o que eu percebo, entre algumas meninas mais novas, é que elas genuinamente acreditam que se elas forem princesas, encontrarão seus príncipes. E o pior, serão felizes para sempre. Aí toda e qualquer pessoa que fuja disso, que se comporte de outra forma, alguém que ameace esse imaginário de qualquer maneira é uma pessoa má, uma vadia, uma piranha e tals. É, no feminino mesmo, porque os meninos quando não são príncipes estão sendo homens e, então, tudo bem. #NOT
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| Dicas das tias feministas |
Um relacionamento para ser feliz e durar não depende do que é considerado um bom comportamento. Um relacionamento não pode depender de um elemento seu apenas, já que os relacionamentos têm pelo menos dois ou mais indivíduos. O relacionamento para ser bom e dar certo não vai prender ninguém a nenhuma espécie de estereótipo. Vai se basear em respeito pelas pessoas, não em respeito pelo orgulho masculino, por exemplo.
O ponto é se alguém quiser esperar pelo seu príncipe ou princesa encantada, beleza. Quem quiser outra coisa, beleza. Só não pode usar determinadas expectativas ou frustrações decorrentes para fazer bullying em quem pensa ou se comporta de outra forma. Sacou?
O ponto é se alguém quiser esperar pelo seu príncipe ou princesa encantada, beleza. Quem quiser outra coisa, beleza. Só não pode usar determinadas expectativas ou frustrações decorrentes para fazer bullying em quem pensa ou se comporta de outra forma. Sacou?
Então, é isso minha gente, até a próxima.
4 de dezembro de 2012
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por Mazu
Em agosto deste ano, a Previdência Social do Rio
Grande do Sul concedeu, depois de recurso pela via administrativa, o salário
maternidade para um homem em uma união homoafetiva. Depois disso, em setembro,
um homem que perdeu a mulher durante o parto obteve o mesmo benefício, dessa
vez em recurso judicial. Seria melhor
que a lei fosse mais abrangente e não dissesse que o benefício é devido “para a
empregada segurada” e sim “para o empregado ou empregada segurada”, mas as decisões
do juiz e da previdência social de RS são válidas, históricas e muito
significativas. Quem sabe não se inicia um debate que culmine na alteração da
letra da lei? Ia ser uma grande vitória. E de qualquer forma, enquanto o dia de alterar a lei não chega, acho que devemos ver as decisões jurisprudenciais como
vitórias também.
por Mazu
Este fim de semana, conversei com uns amigos e
percebi que tem gente que está sob a impressão muito nítida de que o feminismo
trabalha única e exclusivamente pelo direito das mulheres. Levando em conta os
papos e as impressões, eu pensei que seria interessante, se trouxéssemos alguns
exemplos de como reivindicações de equidade entre gêneros produzem benefícios
para todos, atualmente e historicamente. A gente fala toda hora, mas não custa
repetir: a grande bandeira do feminismo é a equidade, o que significa que lutamos pelos direitos
de todo mundo de ser tratado igual quando for igual e diferente quando for diferente. O que acontece é que as mulheres ainda representam uma minoria
política e social, e isso fica um pouco mais evidente na luta. Mas, na verdade,
a equidade é equidade para homens e mulheres.
Em agosto deste ano, a Previdência Social do Rio
Grande do Sul concedeu, depois de recurso pela via administrativa, o salário
maternidade para um homem em uma união homoafetiva. Depois disso, em setembro,
um homem que perdeu a mulher durante o parto obteve o mesmo benefício, dessa
vez em recurso judicial. Seria melhor
que a lei fosse mais abrangente e não dissesse que o benefício é devido “para a
empregada segurada” e sim “para o empregado ou empregada segurada”, mas as decisões
do juiz e da previdência social de RS são válidas, históricas e muito
significativas. Quem sabe não se inicia um debate que culmine na alteração da
letra da lei? Ia ser uma grande vitória. E de qualquer forma, enquanto o dia de alterar a lei não chega, acho que devemos ver as decisões jurisprudenciais como
vitórias também.
Alguém poderia argumentar que
salário-maternidade e licença-maternidade são, de fato, direitos da criança,
não da mãe. Fato, é por isso que não se pode "vender" dias de
licença-maternidade como é possível fazer com as férias porque o direito não é
exclusivamente da trabalhadora. Mas, vale à pena citar, tendo em vista que
esses pais conseguiram o direito de ficar com seus filhos de maneira justa e
sem sacrificar seus direitos ou situações laborais.
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| Campanha pela extensão da licença-paternidade que, hoje, são de mísero cinco dias |
O segundo exemplo é mais histórico e bem
interessante. Acho que todos já ouvimos falar da pensão por morte. Quando
alguém que é segurado da previdência social morre, seus dependentes têm direito
à pensão por morte. O que quase ninguém ouviu falar é que, antigamente, os
maridos só recebiam a pensão por morte das esposas seguradas se fossem
totalmente ou parcialmente inválidos ou incapacitados para o trabalho. Né? Por
que onde já se viu, marmanjo precisar de ajuda para se manter? Foi somente com
a lei número 8212 de 1991, sob a égide da nova Constituição Federal de 1988 que tem como um
dos seus princípios a equidade, que isso mudou. Imagina se isso ainda valesse
hoje, em que aproximadamente 10,8 milhões das unidades familiares no Brasil são mantidas
e sustentadas por mulheres? Se a companheira morresse, o companheiro perderia grande parte ou toda a renda da família (supondo que seja um dos 10,8 milhões de casos citados acima), sem nenhuma espécie de
compensação ou auxílio.
Eu leio sobre essas coisas e fico realmente
feliz. Podem ser sinais pequenos, mas são sinais verdadeiros de mudança, de que nossa luta
compensa. A gente escuta muita barbaridade e ofensa todo dia, como se fôssemos
loucas e desvairadas numa sociedade "livre" (my ass) de preconceito e
discriminação. Então, acho que devemos celebrar algumas pequenas vitórias.
Inclusive de/para/com os homens que nos são caros e importantes! ;)
Equidade (Dicionário Houaiss)
1 apreciação, julgamento justo
1.1 respeito à igualdade de direito de cada um, que independe da lei positiva, mas de um sentimento do que se considera justo, tendo em vista as causas e as intenções
2 virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos
Exs.: a e. de um juiz
a e. de um julgamento
3 correção, lisura na maneira de proceder, julgar, opinar etc.; retidão, equanimidade, igualdade, imparcialidade
26 de novembro de 2012
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