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A violência e o machismo estão em todo lugar, quando você encontra nunca mais para de ver e se você parou de ver, sério, óculos ou exame profundo de consciência para você. Quando a gente distrai um pouco, está lá dizendo pro marido que é só uma menininha ou que fulana na novela é uma tremenda vadia. O machismo está no ar, triste, mas está, a gente tem que tossir e mostrar e não inalar nunca mais. ;)
Um exercício super legal, só que não, é prestar atenção nos comentários feitos nas notícias do yahoo e no blog da Lola. Aviso: parem antes de começar a pensar em suicídio. Depois disso, dá para ver que não é exagero pegar pesado com o machismo, porque quem é machista pega pesado demais, há tempo demais.
Já que disse que somos insistentes e que o machismo está em todo lugar, só para ilustrar e ser repetitiva e insistente, vou deixar os números, links e figuras abaixo:
Números tirados do Mapa da Violência, Anexo violência contra a mulher, sobre os números de atendimentos no SUS de incidentes de violência contra a mulher:
Notícia sobre a nomeação de uma mulher para a presidência da Comissão Sul-Africana.
Atentem para o seguinte comentário:
Link para as fotos da manifestação do Femem.
Leiam três comentários, no máximo, mais que isso risco de depressão profunda. ;)
por Mazu
O blog tenta derrubar o estereótipo de loucas varridas que as feministas têm, e a concepção errônea de que machismo e feminismo são coisas exclusivas de homens e mulheres, respectivamente.
Eu, por exemplo, super clamo para quem quiser ouvir que sou feminista e tals, só que, no dia a dia, a gente escorrega né? Vai vendo. Eu tive duas conversas bem engraçadas com meu marido esses dias, a primeira, sei lá bem por que eu disse que era feminista, e ele: sério? mas, você é tão legal. Só para constar ele estava me zoando. A segunda, eu: leva o lixo para fora, está pesado, eu sou só uma menininha. Ele: você percebe a hipocrisia na sua fala, né? E eu, claramente.
Contei essas anedotinhas da vida pessoal só para ilustrar como essas coisas percorrem a vida da gente no cotidiano. A afirmação de princípios dá um puta trabalho e você tem que respirar isso né? Por isso a gente tem fama de chata, porque se você procurar esse ou aquele preconceito, você acha em todo lugar a todo o momento e fica lá falando, mencionando, apontando e chateando quem está em volta. Uai. Não é todo mundo toda hora que está a fim. Antes que minhas amigas de luta tenham um derrame e me expulsem do blog: a gente tem que fazer isso mesmo. E chatear mesmo e falar para quem não quer ouvir. Olha só, falar sobre isso com quem é simpatizante do assunto é sussa, não muda nada. A gente precisa convencer quem acha que isso é loucura, só assim para conseguir alguma mudança. Acho que a gente é menos chata e mais insistente, na verdade.
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| "Cure uma feminista: transforme uma militante peluda, vegetariana e protestante em uma garota real." |
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| Eu apoiaria o feminismo, se vocês não fossem tão irritantes. |
Eu, por exemplo, super clamo para quem quiser ouvir que sou feminista e tals, só que, no dia a dia, a gente escorrega né? Vai vendo. Eu tive duas conversas bem engraçadas com meu marido esses dias, a primeira, sei lá bem por que eu disse que era feminista, e ele: sério? mas, você é tão legal. Só para constar ele estava me zoando. A segunda, eu: leva o lixo para fora, está pesado, eu sou só uma menininha. Ele: você percebe a hipocrisia na sua fala, né? E eu, claramente.
Contei essas anedotinhas da vida pessoal só para ilustrar como essas coisas percorrem a vida da gente no cotidiano. A afirmação de princípios dá um puta trabalho e você tem que respirar isso né? Por isso a gente tem fama de chata, porque se você procurar esse ou aquele preconceito, você acha em todo lugar a todo o momento e fica lá falando, mencionando, apontando e chateando quem está em volta. Uai. Não é todo mundo toda hora que está a fim. Antes que minhas amigas de luta tenham um derrame e me expulsem do blog: a gente tem que fazer isso mesmo. E chatear mesmo e falar para quem não quer ouvir. Olha só, falar sobre isso com quem é simpatizante do assunto é sussa, não muda nada. A gente precisa convencer quem acha que isso é loucura, só assim para conseguir alguma mudança. Acho que a gente é menos chata e mais insistente, na verdade.
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A violência e o machismo estão em todo lugar, quando você encontra nunca mais para de ver e se você parou de ver, sério, óculos ou exame profundo de consciência para você. Quando a gente distrai um pouco, está lá dizendo pro marido que é só uma menininha ou que fulana na novela é uma tremenda vadia. O machismo está no ar, triste, mas está, a gente tem que tossir e mostrar e não inalar nunca mais. ;)
Um exercício super legal, só que não, é prestar atenção nos comentários feitos nas notícias do yahoo e no blog da Lola. Aviso: parem antes de começar a pensar em suicídio. Depois disso, dá para ver que não é exagero pegar pesado com o machismo, porque quem é machista pega pesado demais, há tempo demais.
Já que disse que somos insistentes e que o machismo está em todo lugar, só para ilustrar e ser repetitiva e insistente, vou deixar os números, links e figuras abaixo:
Números tirados do Mapa da Violência, Anexo violência contra a mulher, sobre os números de atendimentos no SUS de incidentes de violência contra a mulher:
- relação com o agressor: até os 14 anos os pais são os principais responsáveis, dos 20 até o 59 preponderam os parceiros e, a partir dos 60 anos, os filhos;
- 56% dos casos envolvem o uso de força corporal ou espancamento;
- 68,8% dos casos ocorrem dentro da casa da vítima
- 42,5% dos casos, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro, na faixa etária de 20 a 49 anos, essa porcentagem sobe para 65%
Notícia sobre a nomeação de uma mulher para a presidência da Comissão Sul-Africana.
Atentem para o seguinte comentário:
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| "Mas vamos ver se por ser mulher ela corresponde as espectativa (sic)" |
Leiam três comentários, no máximo, mais que isso risco de depressão profunda. ;)
30 de julho de 2012
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violência
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Enfim, como eu dizia, erramos ao querer encerrar esse tipo de falta de respeito na infância, na "falta de educação" que consideramos normal nessa etapa da vida. Também não podemos julgar que tal comportamento é natural, sendo expressão da sexualidade infantil. Com o tempo descobri, acompanhando o crescimento de meninos muito próximos a mim, que eles são ensinados a desrespeitar as meninas - nas rodinhas masculinas, homens em formação ouvem seus exemplos (pais, tios, vizinhos) falarem das mulheres como corpos a serem devassados, importando ou não sua vontade (como espiar, como encarar, como roçar, como forçar). Ora, aprendemos sobretudo por imitação. Penso que a TV ou a internet sejam influências menos relevantes que as falas não censuradas dos heróis de nossa infância.
por Tággidi Ribeiro
Esse post não diz como vocês (homens e mulheres) devem educar seus filhos. Mas certamente apontará como não educar.
Para começar, quero me dirigir às mulheres (homens, continuem a leitura, vocês são a contrapartida das lembranças que se sucederão). Pergunto: mulheres, quando vocês sofreram as primeiras investidas masculinas? Quando foram desrespeitadas - tiveram seus corpos invadidos de alguma forma - pela primeira vez?
Eu me lembro de que na infância eu já era assediada por seres do sexo masculino. Eles eram tão criança quanto eu e, por isso, durante grande parte da minha vida, atribuí o comportamento agressivo dos meninos nessa fase específica da vida como coisa de criança, de gente que ainda não aprendeu a se comportar.
Hoje vejo o erro desse ângulo de visão. Na verdade, aqueles meninos já haviam aprendido a se comportar e o que faziam era fruto de seu aprendizado de como tratar uma menina. E o que eles faziam? Bem, me lembro de diversas situações, todas análogas às do mundo adulto. De estar num clube, por exemplo, e me passarem a mão - não um fdp pedófilo, mas uma criança da minha idade (6, 7 anos). Lembro-me de que muitas vezes eu e minhas colegas tivemos nossas saias levantadas, quando os meninos não davam um jeitinho de espiar nossas calcinhas. Lembro-me de ser chamada de gostosa por um menino da minha turma que me olhava como, descobri depois, um ator de filme pornô chinfrim olhava pra mulher que ele ia comer - e nós tínhamos só dez anos.
Ainda aos dez, cansada de ser assediada por esse mesmo colega e completamente sozinha nisso porque diziam os adultos que se ele fazia era porque eu dava corda, porque eu não me dava ao respeito (hein?), resolvi pegar ele de porrada. Passei uma aula inteira mandando bilhetes em que dizia que ia acabar com ele e um amiguinho dele era quem respondia, dizendo que era o outro quem ia acabar comigo. Eu o esperei no fim da aula e ele tinha tanto medo que não fez nada. Eu o chacoalhava pelos braços e gritava: "Você ainda vai fazer isso comigo?" Ele não conseguia responder porque, acredito, jamais imaginou que uma menina pudesse se comportar daquela forma.
Enfim, como eu dizia, erramos ao querer encerrar esse tipo de falta de respeito na infância, na "falta de educação" que consideramos normal nessa etapa da vida. Também não podemos julgar que tal comportamento é natural, sendo expressão da sexualidade infantil. Com o tempo descobri, acompanhando o crescimento de meninos muito próximos a mim, que eles são ensinados a desrespeitar as meninas - nas rodinhas masculinas, homens em formação ouvem seus exemplos (pais, tios, vizinhos) falarem das mulheres como corpos a serem devassados, importando ou não sua vontade (como espiar, como encarar, como roçar, como forçar). Ora, aprendemos sobretudo por imitação. Penso que a TV ou a internet sejam influências menos relevantes que as falas não censuradas dos heróis de nossa infância.
Lembro-me de que um menino bem próximo, de "dentro de casa", um dia enfiou a mão no meio das minhas pernas, rindo, na frente de todo mundo, e eu gritei com todas as minhas forças. Tínhamos seis anos. O que EU ouvi dos adultos em volta?
- Deixa de escândalo.
Não é "bonitinho".
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por Mazu


por Mazu
Nesses seis anos de Lei Maria da Penha, existiram alguns casos em que a lei foi aplicada para resguardar a segurança de homens. Houve sobre isso debates e comentários mil, na mesma época, inclusive, em que se estava tentando estabelecer a constitucionalidade da lei, já que ela diferencia homens e mulheres, o que estava sendo interpretado por alguns como inconstitucional. Bom, direito é uma disciplina que me encanta muito, mas não sou especialista, logo não vou me meter a dar uma opinião. Eu trouxe esse assunto antigo à tona para falar um pouco da violência doméstica contra os homens. Acho que a primeira vez que lei foi aplicada para proteger um homem foi em 2008 em Cuiabá, salvo engano.
O caso foi o seguinte: um homem conseguiu a aplicação da lei para se defender de sua mulher que o estava agredindo: bateu nele, quebrou seu carro e tals. Não tenho detalhes do caso, na verdade, ninguém pode ter. Ele fez a denúncia e pela característica repetitiva das agressões pediu as medidas protetivas. Existe muita especialista que não curte esse negócio da lei se aplicar aos homens, mas me pareceu que o juiz foi super lúcido. Ele apontou que foi bem melhor que ele tomasse essa atitude do que tivesse buscado vingança pessoal e cometido alguma violência contra a mulher. Disse também que o número de casos de violência contra o homem é bem menor (o que também é mostrado pelo mapa da violência), mas que os homens não denunciam por vergonha e preferem tomar as próprias atitudes ou ficar quietos. Ou seja, os homens quando são agredidos, ou agridem de volta ou se calam.

E isso me lembrou uma amiga, assistente social em Campinas-SP, que me contou de um caso de um homem que tomava inúmeras surras da mulher e não fazia nada, quando minha amiga falou com ele, ele disse que morria de vergonha de fazer qualquer coisa porque onde já se viu apanhar de mulher? Lembrei também um episódio de Law and Order - Special Victims Unit (Episódio 10, temporada 3, "Ridicule") em que a vítima de estupro era um homem, e as estupradoras, três mulheres. Na série, o cara tenta denunciar e ninguém, além da nossa querida Detetive Benson, leva o cara a sério.
É fato que quando existe violência sexual contra mulheres ou homens, o agressor costuma ser do sexo masculino. Agora, se levarmos em conta que no Brasil, só com uma lei de 2009, que o homem passou a ser considerado também vítima de estupro, se houvesse ou existisse um caso como o do seriado, será que o cara denunciaria? E se denunciasse, será que alguém escutaria?
É possível o homem ser vítima e a mulher agressora. Os meninos não assumem isso ou qualquer outra vulnerabilidade porque simplesmente não foram criados e educados para isso. Aliás, na maioria, foram educados para morrer de vergonha dessas coisas, fingirem que elas não existem. E isso é raiz de várias coisas né? E não é bom para os caras não. Não mesmo. Nem para a gente também.

Eu sei e todo mundo sabe que a violência doméstica tem como vítima preferida a mulher, os números são incrivelmente maiores. Eu só queria mesmo tentar mostrar como uma sociedade machista pode ser hostil por inúmeros motivos aos homens também. Pensa só, um homem agredido pela parceira fica quieto por vergonha, uma mulher agredida pelo parceiro fica quieta por medo. Meu, não seria, sei lá, mágico viver em um mundo em que o machismo não existisse de ninguém para ninguém? E que violência e/ou tolerância à violência não fossem justificadas por bobagem nenhuma?
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por Tággidi Ribeiro
Você não sabe nada sobre o massacre de Realengo.
por Tággidi Ribeiro
Você não sabe nada sobre o massacre de Realengo.
Você ouviu dizer que um maluco brasileiro qualquer resolveu imitar os malucos dos Estados Unidos e saiu atirando contra alunos de uma escola do Rio de Janeiro, no dia sete de abril do ano passado. Você estava cansad@ desse tipo de história e da falsa comoção midiática que ela gera, da dor de gente real transformada em espetáculo. Você, supondo que se tratava mesmo de um cara que surtou, tomou a história como mais uma tragédia e seguiu a sua vida, oras.
Mas, como eu disse, você não sabe nada sobre Realengo. Então, vamos esclarecer as coisas, porque eu tenho certeza de que a sua perspectiva sobre este e sobre alguns dos últimos massacres em escolas vai mudar - e você vai ficar mais atento. O que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira foi um crime de ódio calculado, planejado durante meses e que contou com o apoio de um grupo de incitadores do ódio.
Se vemos Wellington Menezes de Oliveira falando em qualquer dos muitos vídeos que circulam na net, concluímos que ele é um louco. Se lemos sua carta de suicídio, sabemos que ele é um louco. Contudo, só o fazemos porque ele matou doze crianças, pois que o discurso de Wellington é um discurso estabelecido em inúmeras seitas e religiões, que pregam a eliminação de todo mal. Infelizmente, o mal maior em muitas religiões é a mulher.
Então, retifico: Wellington não matou doze crianças - matou dez meninas e dois meninos. Segundo testemunhos de quem presenciou o massacre, Wellington feria meninos e executava meninas, a quem chamava de 'seres impuros'. A Lola Aronovich explicou tudo muito bem neste post.
Agora você sabe, finalmente, algo sobre Realengo e poderá ficar mais atento a crimes semelhantes. Portanto, quando vir notícias como essa, desconfie. Se você ler mais um ou dois artigos sobre o mesmo assunto, poderá pensar que os gêneros não evidenciados (ou deliberadamente trocados) pela imprensa, assim como as explicações dadas para os assassinatos de mulheres, tentam encobrir o nível da violência a que estão expostas, tentam mascarar os crimes de ódio que as vitimizam.
Então, retifico: Wellington não matou doze crianças - matou dez meninas e dois meninos. Segundo testemunhos de quem presenciou o massacre, Wellington feria meninos e executava meninas, a quem chamava de 'seres impuros'. A Lola Aronovich explicou tudo muito bem neste post.
Agora você sabe, finalmente, algo sobre Realengo e poderá ficar mais atento a crimes semelhantes. Portanto, quando vir notícias como essa, desconfie. Se você ler mais um ou dois artigos sobre o mesmo assunto, poderá pensar que os gêneros não evidenciados (ou deliberadamente trocados) pela imprensa, assim como as explicações dadas para os assassinatos de mulheres, tentam encobrir o nível da violência a que estão expostas, tentam mascarar os crimes de ódio que as vitimizam.
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por Roberta Gregoli
Há pouco mais de um ano, foi em Oxford um grupo chamado Orchid Project fazer uma apresentação sobre Mutilação Genital Feminina (MGF). Eu já tinha ouvido falar da MGF, mas a palestra me deixou absolutamente perplexa. Reproduzo aqui alguns dados.
Há pouco mais de um ano, foi em Oxford um grupo chamado Orchid Project fazer uma apresentação sobre Mutilação Genital Feminina (MGF). Eu já tinha ouvido falar da MGF, mas a palestra me deixou absolutamente perplexa. Reproduzo aqui alguns dados.
A MGF é uma prática ainda em voga em diversos países (mais da metade dos países africano e também na Malásia, Curdistão e entre grupos de imigrantes na Europa), que consiste em cortar partes da genitália feminina, normalmente em crianças de 5 a 8 anos. São 4 tipos de mutilação:
- No tipo 1, o clitóris é parcialmente ou totalmente removido (clitorectomia);
- No tipo 2, o clitóris e pequenos lábios são removidos;
- No tipo 3, o clitóris, pequenos e grandes lábios são removidos e parte da pele remanescente é costurada em graus variáveis de abertura. Por vezes, corta-se novamente uma abertura maior para a noite de núpcias e para dar a luz;
- No tipo 4 enquadram-se todos os outros tipos de procedimentos que agridem a genital feminina, como raspagem, picadas, esfregões e o uso de ervas ou outras substâncias.
As consequências são obviamente o risco de infecção e até morte. Em 2004, mais de 140 milhões de meninas e mulheres viviam com as consequências da MGF no mundo.
Os dados são chocantes e a tentação de vilificar esses grupos é imensa. As coisas ficam mais complexas quando colocadas em perspectiva: a MGF é uma tradição e, apesar de muitas mães afirmarem que não queriam que suas filhas fossem cortadas, uma genitália não-cortada é considerada feia e uma menina que não foi cortada não se casará, o que nessas sociedades é o principal papel social da mulher.
Intervenções de países estrangeiros de tom moralista e imperialista há 50-60 anos resultaram numa reafirmação da FGM como tradição. E isso que é o legal do Orchid Project: elas trabalham com as comunidades, durante meses e até anos, para que a iniciativa de banir a prática parta de dentro, não de um bando de gringos eurocêntricos ainda que bem intencionados.
Intervenções de países estrangeiros de tom moralista e imperialista há 50-60 anos resultaram numa reafirmação da FGM como tradição. E isso que é o legal do Orchid Project: elas trabalham com as comunidades, durante meses e até anos, para que a iniciativa de banir a prática parta de dentro, não de um bando de gringos eurocêntricos ainda que bem intencionados.
O pessoal do Orchid Project diz que é possível erradicar a MGF completamente, como aconteceu com a prática de enfaixamento de pés na China, que foi banida em apenas 12 anos. A ONG Tostan já conseguiu que 5.300 comunidades abandonassem a prática de MGF utilizando uma metodologia super interessante, sempre com enfoque na comunidade.
Na época que assisti à palestra comecei a divulgar os dados para amig@s e foi interessante ver a reação de indignação das pessoas. Um amigo, inclusive, ficou muito movido e chamou as comunidades de primitivas, dizendo que não aceitava uma coisa dessas. Simpatizo muito com o sentimento de indignação e tristeza, mas ao mesmo tempo acho que as coisas são muito mais complexas porque estão inseridas culturalmente, e a verdade é que somos muito cegos quando se trata da nossa cultura.
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| A muffia: sem pelos, melhorada cosmeticamente |
Veja, por exemplo, as chamadas cirurgias de rejuvenescimento vaginal. (E aqui faço a ligação com meu último texto sobre a banalização das cirurgias plásticas no Brasil.) Elas estão sendo feitas em número crescente no Reino Unido, o que rendeu até uma marcha própria em Londres: a Muff March (a Marcha da Xoxota). E, surpresa, o Brasil faz 5 vezes mais cirurgias de rejuvenescimento vaginal do que a média dos top 25 do mundo.
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| Ame seus lábios |
Claro que se pode argumentar que há uma diferença grande entre a intervenção feita por esse tipo de cirurgia e a MGF, mas pelo menos em princípio elas são muito parecidas: a alteração da genitália feminina (incluindo um procedimento cirúrgico doloroso que sempre envolve algum risco) para se atingir uma estética arbitrariamente construída cultural e socialmente.
Não sei se meu amigo, que é brasileiro, se consideraria um bárbaro como ele esbravejou com relação às comunidades africanas. Mas acho que cabe a nós pelo menos nos indagarmos -- e nos indagarmos genuinamente, esquecendo argumentos que têm por base uma ideia distorcida de liberdade do tipo "fui eu que escolhi fazer a cirurgia" ou "eu não me sentia bem com o meu corpo" -- o quanto valores estéticos culturais são, na verdade, instrumentos de opressão das mulheres. E a MGF, assim como as cirurgias plásticas, são a ilustração perfeita de toda a tortura e dor que as mulheres passam para se enquadrar nos valores de uma sociedade ainda incrivelmente machista.
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| Suas partes íntimas são normais! |
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Por Mazu
Por Mazu
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| "A história de Elize Matsunaga, assassina confessa, que esquartejou o marido milionário enquanto a filha dormia" |
Queria começar dizendo que sou contra violência, toda ela, queria que não existisse. Sinto mesmo que por mais escrota que uma pessoa seja, ela não merece ser esquartejada. Sinto isso daqui do meu computador, no ar condicionado, sem ninguém me ameaçando ou ameaçando alguém que amo. Se estivesse em outra situação, sinceramente não sei. Dito isto, gostaria de tecer um ou dois comentários a respeito da matéria da revista Veja sobre o caso de Elize Matsunaga.
A capa me chateou bastante por ser super sexista e sensacionalista, por sua vez, a matéria dentro da revista estava menos preconceituosa e tendenciosa do que o esperado pela capa, ainda assim, foi bem mais curta do que eu esperava. O fato é que essa edição vendeu horrores, e a gente bem sabe que a capa teve parte no milagre. Acho que quando digo sensacionalista, meu ponto está bem claro pela escolha dos termos, pela formulação do título e subtítulo. E sexista pela “mulher fatal", penso que podemos convir que o termo denota e conota preconceito, usado para o "bem" ou para o "mal". Na maioria das vezes, a mulher fatal é a vilã (porque a mocinha tem que ser a virgem). E o grande problema é que este caso não é tão preto no branco assim, existem milhares de tons de cinza. Não estou defendendo ou dizendo que a Elize é uma heroína, acho só que qualquer definição absoluta e maniqueísta dela deixaria a desejar. E que o rótulo de vilã lhe foi dado sem maiores considerações porque ela é mulher e porque já foi garota de programa.
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| História de Elize foi comparada a Uma linda mulher pela Veja |
Para tentar construir meu argumento, vou comparar a Elize com o goleiro Bruno do Flamengo que também virou capa de revista. Não vou compará-los como pessoas ou pelos crimes porque não os conheço nem sou jurista, vou compará-los por suas respectivas exposições na mídia.
Pelo que se diz, o Bruno alimentou seus cães com a mãe do seu filho recém nascido. Foi capa de revista, mas estava de roupa, sem nenhuma nomenclatura estereotípica ou condenatória e duvido que tenha vendido tanto ou tanto pelo mesmo motivo. Novamente, aviso aos navegantes, não aprovo nada disso, não acho ninguém que cito no meu texto um grande exemplo de vida ou de ser humano. Mas, gostaria mesmo de entender por que o fato de ser mãe e a crueldade da Elize pesam tanto mais. O Bruno é pai, não é? Ele premeditou o crime, ela não.
São dois pesos e duas medidas. O fato de Elize e Bruno serem pais pesa mais para Elize porque ela é mulher e na nossa cultura, ser mãe implica mais responsabilidade do que ser pai. O fato de ser uma ex-garota de programa pesa mais para Elize do que o fato do marido dela comprar mulheres por aí como se elas fossem coisas. Aliás, ele comprava mulheres por aí “enquanto a filha dormia”, o que parece ser um fato muito importante para a Veja: fazer as coisas enquanto os filhos dormem. O que será que o Bruno fazia enquanto seus filhos dormiam? Bruno e o executivo da Yoki eram pais também, mas Elize é mãe, consequentemente, seus crimes são piores porque existe um imaginário, uma imposição social inculcada nas mulheres e nos homens de que as mulheres têm que ser mais delicadas, amáveis, santas, têm que perdoar, têm que amar seus filhos e companheiros acima de tudo e todas as coisas. A gente já falou disso aqui de várias formas, mas o assunto nunca se esgota porque o padrão só faz se repetir.
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| "goleiro", "ídolo" |
Em cima de tudo, como cereja do bolo, ainda tem a questão legal. Elize não recebeu relaxamento de prisão, nesta última semana, pelo alarde midiático do seu caso e, vou chutar, pelo poder da família da vítima. Para quem estiver escandalizado: o relaxamento de prisão, no Brasil, nesses casos, é mega comum, considera-se que o réu primário em tais e tais circunstâncias não representa perigo para a sociedade. O interessante de tudo é que o Bruno, goleiro, teve relaxamento de prisão concedido. Inclusive, o Flamengo disse que seu lugar está garantido no time quando ele quiser. Contem para mim qual vai ser o lugar da Elize no mundo se um dia ela sair da prisão? Dado Dolabela virou a mão na cara de três mulheres e ainda é galã de novela, eu queria ver quando uma mulher que apresenta comportamento parecido é mocinha e onde. Lembrando que o artigo 5º da Constituição em seu inciso I, diz: homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição. - é, então, acho que não!
Meu ponto é: uma ex-prostituta que mata um executivo milionário vira capa de revista, recebe prontamente o rótulo de assassina, destruidora de lares. Agora, duvido que um executivo que mata prostitutas seja pelo menos indiciado. Não é que eu duvide diretamente da competência dos órgãos responsáveis, duvido de tudo mesmo. Duvido que mulheres em determinada situação façam a queixa, duvido que, depois disso, se assim fizerem, que alguém as ouça ou acredite nelas, depois disso, duvido que se faça alguma coisa, e em cima de tudo isso, duvido que a mídia se importe. Duvido! Aliás, parece que existe um serial killer de prostitutas solto em São Paulo, você já ouviu falar? Pois é.
E outra coisa, no mundo que a gente vive, por que homem fatal é um termo que não existe, por quê? Redundância? Sério mesmo, com a quantidade de mulheres assassinadas por seus companheiros no Brasil, com requintes de crueldade também, na frente dos filhos também. Não vira capa de revista, e sabe por quê? Porque nós somos mulheres, somos descendentes de Eva, todos os pecados são nossa culpa! - ou é pelo menos nisso que a sociedade patriarcal vem nos fazendo acreditar. Já cansei de ver gente chamando a vítima do Bruno, mãe do filho dele, de interesseira, piriguete, Maria chuteira e tal. Mas e aí? Tudo bem dar de comer aos cachorros então? Se um homem mata por ciúme/dinheiro/traição a culpa é da mulher; se a mulher mata por ciúme/dinheiro/traição a culpa é da mulher também. Sim, nasça com dois cromossomos X e ganhe a culpa do mundo de brinde! Sério, que poha é essa? Em pleno século XXI? Não me desce, não entendo nem aguento.
E isso me pega tanto justamente porque os números são absurdos assim e desiguais assim.
A cada cinco minutos, uma mulher é agredida no Brasil. - leiam isso e me digam se não dava uma puta capa de revista. Essa informação e outras mais estão no mapa da violência no Brasil, em seu caderno complementar sobre homicídio de mulheres. O documento conclui que os altos níveis de feminicídio são decorrentes de níveis altos de tolerância da violência contra as mulheres, aponta ainda que, embora existam leis, as políticas de aplicação não são tão efetivas.
Talvez seja o momento de fazermos uma relação entre a tolerância da violência contra mulher e a culpabilização da mulher nos casos em que ela é vítima. Se tudo que a acontece a mim, mulher, acontece porque eu deixo ou permito fica absurdamente difícil evitar, punir, contar ou prever.
No caso da Elize, gostaria de ver a separação das coisas e das culpas. Ela era agredida pelo marido, ela foi traída pelo marido - essas atitudes foram dele, não dela. Agora, ela assassinou o marido, esta atitude é dela e de mais ninguém. Não importa o tipo de pessoa que a mãe do filho Bruno tenha sido, ele a matou/mandou matar - esta atitude é dele e somente dele. A respectiva culpa para o respectivo agente.
Gostaria mesmo de viver um dia em uma sociedade em que meus erros não fossem mais errados e meus acertos não fossem menos certos só porque eu sou mulher.
2 de julho de 2012
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Mazu,
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violência
9
O ocidente deplorou a morte de Amina Filali, de apenas 16 anos. Para quem não sabe da história, a adolescente marroquina cometeu suicídio por ter sido obrigada a casar com seu estuprador (o nome dele não foi divulgado). No Marrocos é previsto em lei que homens deixem de cumprir pena pelo crime de estupro casando-se com suas vítimas. O estuprador de Amina achou por bem, então, casar-se com ela, em vez de ser condenado a até vinte anos de prisão. A família da moça concordou. Ela não. Infelizmente, Amina não era dona do seu corpo, nem de sua vontade.
Durante cinco meses de casamento, Amina foi constantemente agredida verbal e fisicamente, e repetidamente estuprada. Tentou voltar para a família, que não a recebeu. Sem saída para o inferno que seria sua vida, a adolescente tomou veneno de rato. Amina morreu no meio da rua – quando soube que ela havia ingerido o veneno, seu “marido” a arrastou pelos cabelos em via pública.
O ocidente, como dito antes, deplorou a morte da adolescente Amina Filali, em março deste ano. A comunidade internacional se mobilizou pela revogação da lei que obriga mulheres estupradas a casarem-se com os homens que as estupraram – o que ainda não aconteceu. Mesmo aqui no Brasil, onde em geral as vítimas de estupro enfrentam a desconfiança da opinião pública, Amina despertou compaixão.
Sei que muita gente deve ter falado ou pensado sobre a condição das mulheres orientais – sobre o quanto elas ainda sofrem com a falta de liberdade. Contudo, o pano de fundo da situação das mulheres orientais não difere do nosso e o fato do ocidente ter olhado com respeito para essa morte não o torna menos responsável por ela. Nós também matamos Amina Filali.
Nós matamos Amina Filali porque ainda julgamos que uma mulher só tem valor se for sexualmente pouco ativa. Para os marroquinos, a questão é simples: se a mulher praticou sexo antes do casamento, consentido ou não, ela nada mais vale. Por isso a lei faculta ao estuprador (com quem a mulher não consentiu sexo) casar-se com sua vítima – só ele pode redimi-la e ampará-la, já que nenhum outro homem quereria para si uma mulher que já foi de outro. Mais flexíveis que os orientais, permitimos às moças certa liberdade sexual: ter alguns parceiros/namorados antes do casamento é considerado normal. Ter muitos parceiros, não. Mulheres de muitos parceiros são preteridas para o casamento, sabemos muito bem disso. Então ficamos assim: no oriente, uma mulher de valor deve ter apenas um único homem em sua vida; no ocidente, uma mulher de valor deve ter, no máximo, cinco homens. Lembro a todos que, até os anos 1960, a valoração da mulher a leste e a oeste era dada pela mesma marca de um só parceiro sexual para a vida toda. E pergunto: quando vamos chegar à conclusão incrível de que essa distinção ridícula não faz sentido?
Por não ter resposta, reafirmo: nós também matamos Amina Filali. Enquanto medirmos o valor de uma mulher por quantos parceiros ela teve ao longo de sua vida, continuaremos matando e estuprando mulheres. Enquanto as mulheres não forem donas de seu corpo e sua vontade, continuaremos. Enquanto não assumirmos que as mulheres são seres humanos e não propriedades, continuaremos estuprando e matando Amina Filali.
por Tággidi Ribeiro
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| Mulher carrega foto de Amina Filali em protesto |
O ocidente deplorou a morte de Amina Filali, de apenas 16 anos. Para quem não sabe da história, a adolescente marroquina cometeu suicídio por ter sido obrigada a casar com seu estuprador (o nome dele não foi divulgado). No Marrocos é previsto em lei que homens deixem de cumprir pena pelo crime de estupro casando-se com suas vítimas. O estuprador de Amina achou por bem, então, casar-se com ela, em vez de ser condenado a até vinte anos de prisão. A família da moça concordou. Ela não. Infelizmente, Amina não era dona do seu corpo, nem de sua vontade.
Durante cinco meses de casamento, Amina foi constantemente agredida verbal e fisicamente, e repetidamente estuprada. Tentou voltar para a família, que não a recebeu. Sem saída para o inferno que seria sua vida, a adolescente tomou veneno de rato. Amina morreu no meio da rua – quando soube que ela havia ingerido o veneno, seu “marido” a arrastou pelos cabelos em via pública.
O ocidente, como dito antes, deplorou a morte da adolescente Amina Filali, em março deste ano. A comunidade internacional se mobilizou pela revogação da lei que obriga mulheres estupradas a casarem-se com os homens que as estupraram – o que ainda não aconteceu. Mesmo aqui no Brasil, onde em geral as vítimas de estupro enfrentam a desconfiança da opinião pública, Amina despertou compaixão.
Sei que muita gente deve ter falado ou pensado sobre a condição das mulheres orientais – sobre o quanto elas ainda sofrem com a falta de liberdade. Contudo, o pano de fundo da situação das mulheres orientais não difere do nosso e o fato do ocidente ter olhado com respeito para essa morte não o torna menos responsável por ela. Nós também matamos Amina Filali.
Nós matamos Amina Filali porque ainda julgamos que uma mulher só tem valor se for sexualmente pouco ativa. Para os marroquinos, a questão é simples: se a mulher praticou sexo antes do casamento, consentido ou não, ela nada mais vale. Por isso a lei faculta ao estuprador (com quem a mulher não consentiu sexo) casar-se com sua vítima – só ele pode redimi-la e ampará-la, já que nenhum outro homem quereria para si uma mulher que já foi de outro. Mais flexíveis que os orientais, permitimos às moças certa liberdade sexual: ter alguns parceiros/namorados antes do casamento é considerado normal. Ter muitos parceiros, não. Mulheres de muitos parceiros são preteridas para o casamento, sabemos muito bem disso. Então ficamos assim: no oriente, uma mulher de valor deve ter apenas um único homem em sua vida; no ocidente, uma mulher de valor deve ter, no máximo, cinco homens. Lembro a todos que, até os anos 1960, a valoração da mulher a leste e a oeste era dada pela mesma marca de um só parceiro sexual para a vida toda. E pergunto: quando vamos chegar à conclusão incrível de que essa distinção ridícula não faz sentido?
Por não ter resposta, reafirmo: nós também matamos Amina Filali. Enquanto medirmos o valor de uma mulher por quantos parceiros ela teve ao longo de sua vida, continuaremos matando e estuprando mulheres. Enquanto as mulheres não forem donas de seu corpo e sua vontade, continuaremos. Enquanto não assumirmos que as mulheres são seres humanos e não propriedades, continuaremos estuprando e matando Amina Filali.
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| Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente |




















