3
por Roberta Gregoli
É claro que essas prescrições de gênero não afetam somente as mulheres. Vejam este dos príncipes:
por Roberta Gregoli
Vocês já devem ter visto esse tipo de meme das princesas da Disney circulando pela internet. Achei tão interessante que decidi compilar as melhores frases de diferentes versões e traduzir para o português:
É claro que essas prescrições de gênero não afetam somente as mulheres. Vejam este dos príncipes:
Mesmo vendo desde quão cedo esses valores são inculcados em nós, ainda temos que aguentar pessoas que culpam as mulheres pela vaidade e pela competição feminina.
A conclusão é que os ideais de gênero, além de ensinados desde muito cedo, são inalcançáveis. Para ambos os sexos. Mas às mulheres são negados qualquer agência e talento próprio e somos incentivadas a abrir mão de qualquer sonho ou vocação, e a passar por cima de qualquer abuso para ficar com um homem.
Precisamos de novas histórias.
2
por Roberta Gregoli
Seguindo a dica da Pró-Reitora da Universidade de Oxford, Dra. Sally Mapstone (a única mulher entre os seis Pró-Reitores da Universidade), assisti a um vídeo inspirador de Sheryl Sandberg. Sandberg é diretora de operações do Facebook (a revista Época, num artigo particularmente machista, chama de "babá" de Mark Zuckerberg, como se a única posição concebível para uma mulher objetivamente extremamente competente fosse numa ocupação tipicamente feminina).
No vídeo abaixo, inititulado Por que há tão poucas mulheres líderes?, Sandberg articula algumas máximas interessantes, dicas para as mulheres continuarem - e se destacarem - no mercado de trabalho: sente-se à mesa, faça do seu parceiro um parceiro de verdade e não saia antes de sair.
Curios@? Assista ao vídeo na íntegra que vale muito a pena. Ela cita números e histórias que elucidam de maneira brilhante por quê, apesar do senso comum dizer que as mulheres avançaram no mercado de trabalho, na verdade ainda estamos empacadas como uma pequena minoria.
(Para ver o vídeo com legendas, clique aqui e selecione Portuguese, Brazilian no canto inferior esquerdo do vídeo.)
Eu gosto particularmente do estudo que usa a história de Heidi Roizen. Baseado no estudo, deixo o meu desafio: se pergunte quais associações vêm a sua cabeça quando você pensa numa "mulher ambiciosa" e o que vêm a sua cabeça quando pensa num "homem ambicioso". Se as associações forem diferentes, surpresa, você está corroborando uma visão sexista.
3 de junho de 2012
Categorias
padrões duplos,
Roberta
4
por Júlia Neves
Uma de nossas leitoras postou uma matéria interessante na nossa página do Facebook sobre um assunto que já estava na minha lista de assuntos para o Subvertidas. Trata-se de uma pré-escola sueca, a Egalia, que tem tentado eliminar a distinção dos gêneros masculino e feminino ao evitar que as crianças utilizem os pronomes "ele" e "ela", por exemplo.
![]() |
| A pré-escola Egalia, na Suécia, onde meninos e meninas usam as mesmas cores para designar igualdade de gênero |
A metodologia desta escola, ao meu ver, é um tanto extremista. O principal problema é tentar ensinar às crianças de que "somos todos iguais". Não, não somos. Somos diferentes. Existem sim diferenças entre mulheres e homens. Uma delas é exatamente o mito disseminado ao longo da história de que mulheres são inferiores aos homens. Seria realmente o ideal, ensinar às crianças que há igualdade entre os gêneros. Mas não há, pois as mulheres, junto com todas as minorias, foram excluídas historica, politica e socialmente de diversas formas.
Acho que o mais importante dentro de uma educação que tem como objetivo uma igualdade de direitos entre gêneros é ressaltar que não devemos ficar presos a papeis sociais que já foram rigidamente estabelecidos. Atividades que misturam brincadeiras supostamente de meninos e de meninas, por exemplo, já incentivam o aprendizado de que não há funções estritamente masculinas ou femininas.
![]() |
| Boneca também é coisa de menino |
Li um artigo de duas pesquisadoras (Isabel de Oliveira e Silva e Iza Rodrigues da Luz) sobre a diferenciação de gênero na pré-escola. Neste trabalho, elas analisam mais especificamente a educação de meninos dentro de pré-escolas em Belo Horizonte. Um dos pontos abordados pelas autoras é exatamente esta separação de tarefas destinadas a meninas e meninos desde o início da educação escolar.
Elas entrevistaram professoras sobre as brincadeiras realizadas dentro de sala de aula e perguntam se elas tentam incentivar atividades que quebrem com estereótipos de papeis femininos e masculinos: as educadoras dizem tentar mudar estes papeis, mas confessam que têm dificuldades em criar novas culturas de gênero. Sendo assim, estimulam as meninas a cozinharem para os meninos e estes a olharem as meninas na cozinha.
![]() |
| O que é mesmo que as meninas não conseguem fazer? |
Outro aspecto importante do artigo de Silva e da Luz é também a falta de cuidado com meninos na pré-escola. Parte-se do pressuposto de que garotos conseguem cuidar de si desde cedo e, portanto, professoras tendem a dar menos atenção a eles em forma de carinho, afeto e proteção, por exemplo. As pesquisadoras associam este comportamento na educação dos meninos ao próprio modelo que as professoras têm do que é "ser homem" e "ser mulher" e acabam perpetuando o que já está consolidado.
Não concordo com uma metodologia tão extremista como a da escola sueca, pois acredito que haja um choque de realidades entre a inexistência de gênero dentro da escola e a diferença entre gêneros fora dela. No entanto, acho que deve haver maior atenção dos cursos de pedagogia e das próprias educadoras (e, claro, educadores) na abordagem de atividades dentro de sala que quebrem o papel de princesa para as meninas e de herois para os meninos.
1 de junho de 2012
Categorias
educação,
feminilidade,
Guest Post,
masculinidade
9
O ocidente deplorou a morte de Amina Filali, de apenas 16 anos. Para quem não sabe da história, a adolescente marroquina cometeu suicídio por ter sido obrigada a casar com seu estuprador (o nome dele não foi divulgado). No Marrocos é previsto em lei que homens deixem de cumprir pena pelo crime de estupro casando-se com suas vítimas. O estuprador de Amina achou por bem, então, casar-se com ela, em vez de ser condenado a até vinte anos de prisão. A família da moça concordou. Ela não. Infelizmente, Amina não era dona do seu corpo, nem de sua vontade.
Durante cinco meses de casamento, Amina foi constantemente agredida verbal e fisicamente, e repetidamente estuprada. Tentou voltar para a família, que não a recebeu. Sem saída para o inferno que seria sua vida, a adolescente tomou veneno de rato. Amina morreu no meio da rua – quando soube que ela havia ingerido o veneno, seu “marido” a arrastou pelos cabelos em via pública.
O ocidente, como dito antes, deplorou a morte da adolescente Amina Filali, em março deste ano. A comunidade internacional se mobilizou pela revogação da lei que obriga mulheres estupradas a casarem-se com os homens que as estupraram – o que ainda não aconteceu. Mesmo aqui no Brasil, onde em geral as vítimas de estupro enfrentam a desconfiança da opinião pública, Amina despertou compaixão.
Sei que muita gente deve ter falado ou pensado sobre a condição das mulheres orientais – sobre o quanto elas ainda sofrem com a falta de liberdade. Contudo, o pano de fundo da situação das mulheres orientais não difere do nosso e o fato do ocidente ter olhado com respeito para essa morte não o torna menos responsável por ela. Nós também matamos Amina Filali.
Nós matamos Amina Filali porque ainda julgamos que uma mulher só tem valor se for sexualmente pouco ativa. Para os marroquinos, a questão é simples: se a mulher praticou sexo antes do casamento, consentido ou não, ela nada mais vale. Por isso a lei faculta ao estuprador (com quem a mulher não consentiu sexo) casar-se com sua vítima – só ele pode redimi-la e ampará-la, já que nenhum outro homem quereria para si uma mulher que já foi de outro. Mais flexíveis que os orientais, permitimos às moças certa liberdade sexual: ter alguns parceiros/namorados antes do casamento é considerado normal. Ter muitos parceiros, não. Mulheres de muitos parceiros são preteridas para o casamento, sabemos muito bem disso. Então ficamos assim: no oriente, uma mulher de valor deve ter apenas um único homem em sua vida; no ocidente, uma mulher de valor deve ter, no máximo, cinco homens. Lembro a todos que, até os anos 1960, a valoração da mulher a leste e a oeste era dada pela mesma marca de um só parceiro sexual para a vida toda. E pergunto: quando vamos chegar à conclusão incrível de que essa distinção ridícula não faz sentido?
Por não ter resposta, reafirmo: nós também matamos Amina Filali. Enquanto medirmos o valor de uma mulher por quantos parceiros ela teve ao longo de sua vida, continuaremos matando e estuprando mulheres. Enquanto as mulheres não forem donas de seu corpo e sua vontade, continuaremos. Enquanto não assumirmos que as mulheres são seres humanos e não propriedades, continuaremos estuprando e matando Amina Filali.
por Tággidi Ribeiro
![]() |
| Mulher carrega foto de Amina Filali em protesto |
O ocidente deplorou a morte de Amina Filali, de apenas 16 anos. Para quem não sabe da história, a adolescente marroquina cometeu suicídio por ter sido obrigada a casar com seu estuprador (o nome dele não foi divulgado). No Marrocos é previsto em lei que homens deixem de cumprir pena pelo crime de estupro casando-se com suas vítimas. O estuprador de Amina achou por bem, então, casar-se com ela, em vez de ser condenado a até vinte anos de prisão. A família da moça concordou. Ela não. Infelizmente, Amina não era dona do seu corpo, nem de sua vontade.
Durante cinco meses de casamento, Amina foi constantemente agredida verbal e fisicamente, e repetidamente estuprada. Tentou voltar para a família, que não a recebeu. Sem saída para o inferno que seria sua vida, a adolescente tomou veneno de rato. Amina morreu no meio da rua – quando soube que ela havia ingerido o veneno, seu “marido” a arrastou pelos cabelos em via pública.
O ocidente, como dito antes, deplorou a morte da adolescente Amina Filali, em março deste ano. A comunidade internacional se mobilizou pela revogação da lei que obriga mulheres estupradas a casarem-se com os homens que as estupraram – o que ainda não aconteceu. Mesmo aqui no Brasil, onde em geral as vítimas de estupro enfrentam a desconfiança da opinião pública, Amina despertou compaixão.
Sei que muita gente deve ter falado ou pensado sobre a condição das mulheres orientais – sobre o quanto elas ainda sofrem com a falta de liberdade. Contudo, o pano de fundo da situação das mulheres orientais não difere do nosso e o fato do ocidente ter olhado com respeito para essa morte não o torna menos responsável por ela. Nós também matamos Amina Filali.
Nós matamos Amina Filali porque ainda julgamos que uma mulher só tem valor se for sexualmente pouco ativa. Para os marroquinos, a questão é simples: se a mulher praticou sexo antes do casamento, consentido ou não, ela nada mais vale. Por isso a lei faculta ao estuprador (com quem a mulher não consentiu sexo) casar-se com sua vítima – só ele pode redimi-la e ampará-la, já que nenhum outro homem quereria para si uma mulher que já foi de outro. Mais flexíveis que os orientais, permitimos às moças certa liberdade sexual: ter alguns parceiros/namorados antes do casamento é considerado normal. Ter muitos parceiros, não. Mulheres de muitos parceiros são preteridas para o casamento, sabemos muito bem disso. Então ficamos assim: no oriente, uma mulher de valor deve ter apenas um único homem em sua vida; no ocidente, uma mulher de valor deve ter, no máximo, cinco homens. Lembro a todos que, até os anos 1960, a valoração da mulher a leste e a oeste era dada pela mesma marca de um só parceiro sexual para a vida toda. E pergunto: quando vamos chegar à conclusão incrível de que essa distinção ridícula não faz sentido?
Por não ter resposta, reafirmo: nós também matamos Amina Filali. Enquanto medirmos o valor de uma mulher por quantos parceiros ela teve ao longo de sua vida, continuaremos matando e estuprando mulheres. Enquanto as mulheres não forem donas de seu corpo e sua vontade, continuaremos. Enquanto não assumirmos que as mulheres são seres humanos e não propriedades, continuaremos estuprando e matando Amina Filali.
![]() |
| Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente |
2
por Nanni Rios
Eu sou feminista, mas não espalha. Me dedico a combater preconceitos e todo tipo de discriminação, que, em geral, têm origem justamente nos rótulos que insistem em colar na nossa testa, como se fosse necessário nos classificar para, então, guardar-nos em caixas, gavetas ou armários devidamente identificados.
Tudo isso pra dizer que eu e meus ideiais não cabemos numa gaveta, numa caixa ou muito menos num armário e que para dar às mulheres o valor que elas têm, não é preciso amaldiçoar os homens. Feminismo radical dói tanto quando machismo enraizado. E antes que me atirem pedras, explico: de nada adianta cultivar a ideia de que homens são inimigos, pois isso é a raiz do mal, puro sexismo. Generalizar e etiquetar os homens só pelo que eles têm de diferente é fazer o mesmo que eles fizeram com as mulheres de forma tão nociva ao longo da história. Destruir o que é diferente para mostrar força é a maior prova de fragilidade.
Precisamos trazer os homens para o nosso lado, pois enquanto a luta pela igualdade de gênero for uma bandeira só das mulheres, a mudança será lenta. Não sei citar estatísticas e talvez eu esteja chovendo no molhado ao bradar aqui algo que vocês estão fartas de saber, mas o meu termômetro, além do que observo no dia-a-dia, é a Marcha das Vadias que rolou neste domingo, 27, aqui em Porto Alegre, onde moro. Fui para o Parque da Redenção enrolada na bandeira do arco-íris e de câmera fotográfica em punho e não apenas acompanhei a marcha e seus hinos, como circulei bastante em busca de boas fotos e, assim, constatei o baixíssimo quórum masculino. Pelo jeito, quem se importa com a nossa liberdade ainda somos nós mesmas.
![]() |
| Vadias em marcha! (foto: Nanni Rios) |
Fiquei me perguntando: onde estão os companheiros daquelas mulheres e por que eles não estavam lá com elas? Ou, no caso das mulheres que não têm companheiro, onde estão os pais, os tios, os primos, os amigos, os professores, os chefes e os colegas de trabalho?
Se por um lado, fico triste com a constatação, por outro compartilho com vocês os registros do exíguo, porém atuante público masculino que passou pela Marcha das Vadias neste domingo. Com um pouco de otimismo, olho pra estas fotos e penso que os nossos homens já não são mais os mesmos e que basta um empurrãozinho na consciência para tirá-los da inércia do machismo enraizado e mostrar que eles são peça fundamental nesta mudança social. Homens feministas por um mundo mais justo e igualitário, que tal?
![]() |
| "Ser feminista não me faz menos homem" na Marcha das Vadias de Porto Alegre (foto: Nanni Rios) |
![]() |
| "Sendo puta, sendo santa, só como se ELA quiser" (foto: Nanni Rios) |
![]() |
| "Se eu posso, elas também podem" (foto: Nanni Rios) |
![]() |
| Por que para um homem parecer uma mulher é degradante?" (foto: Nanni Rios) |
28 de maio de 2012
Categorias
desmistificando,
feminismo,
Guest Post,
manifestação











