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A violência e o machismo estão em todo lugar, quando você encontra nunca mais para de ver e se você parou de ver, sério, óculos ou exame profundo de consciência para você. Quando a gente distrai um pouco, está lá dizendo pro marido que é só uma menininha ou que fulana na novela é uma tremenda vadia. O machismo está no ar, triste, mas está, a gente tem que tossir e mostrar e não inalar nunca mais. ;)
Um exercício super legal, só que não, é prestar atenção nos comentários feitos nas notícias do yahoo e no blog da Lola. Aviso: parem antes de começar a pensar em suicídio. Depois disso, dá para ver que não é exagero pegar pesado com o machismo, porque quem é machista pega pesado demais, há tempo demais.
Já que disse que somos insistentes e que o machismo está em todo lugar, só para ilustrar e ser repetitiva e insistente, vou deixar os números, links e figuras abaixo:
Números tirados do Mapa da Violência, Anexo violência contra a mulher, sobre os números de atendimentos no SUS de incidentes de violência contra a mulher:
Notícia sobre a nomeação de uma mulher para a presidência da Comissão Sul-Africana.
Atentem para o seguinte comentário:
Link para as fotos da manifestação do Femem.
Leiam três comentários, no máximo, mais que isso risco de depressão profunda. ;)
por Mazu
O blog tenta derrubar o estereótipo de loucas varridas que as feministas têm, e a concepção errônea de que machismo e feminismo são coisas exclusivas de homens e mulheres, respectivamente.
Eu, por exemplo, super clamo para quem quiser ouvir que sou feminista e tals, só que, no dia a dia, a gente escorrega né? Vai vendo. Eu tive duas conversas bem engraçadas com meu marido esses dias, a primeira, sei lá bem por que eu disse que era feminista, e ele: sério? mas, você é tão legal. Só para constar ele estava me zoando. A segunda, eu: leva o lixo para fora, está pesado, eu sou só uma menininha. Ele: você percebe a hipocrisia na sua fala, né? E eu, claramente.
Contei essas anedotinhas da vida pessoal só para ilustrar como essas coisas percorrem a vida da gente no cotidiano. A afirmação de princípios dá um puta trabalho e você tem que respirar isso né? Por isso a gente tem fama de chata, porque se você procurar esse ou aquele preconceito, você acha em todo lugar a todo o momento e fica lá falando, mencionando, apontando e chateando quem está em volta. Uai. Não é todo mundo toda hora que está a fim. Antes que minhas amigas de luta tenham um derrame e me expulsem do blog: a gente tem que fazer isso mesmo. E chatear mesmo e falar para quem não quer ouvir. Olha só, falar sobre isso com quem é simpatizante do assunto é sussa, não muda nada. A gente precisa convencer quem acha que isso é loucura, só assim para conseguir alguma mudança. Acho que a gente é menos chata e mais insistente, na verdade.
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| "Cure uma feminista: transforme uma militante peluda, vegetariana e protestante em uma garota real." |
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| Eu apoiaria o feminismo, se vocês não fossem tão irritantes. |
Eu, por exemplo, super clamo para quem quiser ouvir que sou feminista e tals, só que, no dia a dia, a gente escorrega né? Vai vendo. Eu tive duas conversas bem engraçadas com meu marido esses dias, a primeira, sei lá bem por que eu disse que era feminista, e ele: sério? mas, você é tão legal. Só para constar ele estava me zoando. A segunda, eu: leva o lixo para fora, está pesado, eu sou só uma menininha. Ele: você percebe a hipocrisia na sua fala, né? E eu, claramente.
Contei essas anedotinhas da vida pessoal só para ilustrar como essas coisas percorrem a vida da gente no cotidiano. A afirmação de princípios dá um puta trabalho e você tem que respirar isso né? Por isso a gente tem fama de chata, porque se você procurar esse ou aquele preconceito, você acha em todo lugar a todo o momento e fica lá falando, mencionando, apontando e chateando quem está em volta. Uai. Não é todo mundo toda hora que está a fim. Antes que minhas amigas de luta tenham um derrame e me expulsem do blog: a gente tem que fazer isso mesmo. E chatear mesmo e falar para quem não quer ouvir. Olha só, falar sobre isso com quem é simpatizante do assunto é sussa, não muda nada. A gente precisa convencer quem acha que isso é loucura, só assim para conseguir alguma mudança. Acho que a gente é menos chata e mais insistente, na verdade.
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A violência e o machismo estão em todo lugar, quando você encontra nunca mais para de ver e se você parou de ver, sério, óculos ou exame profundo de consciência para você. Quando a gente distrai um pouco, está lá dizendo pro marido que é só uma menininha ou que fulana na novela é uma tremenda vadia. O machismo está no ar, triste, mas está, a gente tem que tossir e mostrar e não inalar nunca mais. ;)
Um exercício super legal, só que não, é prestar atenção nos comentários feitos nas notícias do yahoo e no blog da Lola. Aviso: parem antes de começar a pensar em suicídio. Depois disso, dá para ver que não é exagero pegar pesado com o machismo, porque quem é machista pega pesado demais, há tempo demais.
Já que disse que somos insistentes e que o machismo está em todo lugar, só para ilustrar e ser repetitiva e insistente, vou deixar os números, links e figuras abaixo:
Números tirados do Mapa da Violência, Anexo violência contra a mulher, sobre os números de atendimentos no SUS de incidentes de violência contra a mulher:
- relação com o agressor: até os 14 anos os pais são os principais responsáveis, dos 20 até o 59 preponderam os parceiros e, a partir dos 60 anos, os filhos;
- 56% dos casos envolvem o uso de força corporal ou espancamento;
- 68,8% dos casos ocorrem dentro da casa da vítima
- 42,5% dos casos, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro, na faixa etária de 20 a 49 anos, essa porcentagem sobe para 65%
Notícia sobre a nomeação de uma mulher para a presidência da Comissão Sul-Africana.
Atentem para o seguinte comentário:
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| "Mas vamos ver se por ser mulher ela corresponde as espectativa (sic)" |
Leiam três comentários, no máximo, mais que isso risco de depressão profunda. ;)
30 de julho de 2012
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por Tággidi Ribeiro
Bem, na verdade, não. O New York Times ignorou a notícia, sem dúvida histórica, de que as mulheres, pela primeira vez, tiveram nota mais alta que os homens no famosíssimo teste de QI (Quociente de Inteligência).
O teste de QI, como o conhecemos hoje (alvo de muitas críticas), é aplicado há mais ou menos cem anos e sempre foi usado como prova de que mulheres são menos inteligentes que homens. Durante um século homens superaram mulheres nesse teste, que mede basicamente a capacidade de raciocínio lógico de uma pessoa.
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| Inteligência masculina? |
Mulheres, como se costuma ouvir por aí, têm maior inteligência emocional, sabendo lidar com, ensinar e cuidar de melhor forma que os homens, tidos como mais "racionais". Às mulheres caberia, portanto, segundo o senso comum e também uma parte da ciência, todo um entendimento "emotivo" do mundo.
Poderíamos, pela novidade do resultado do teste de QI, influir que a mulher é tão racional quanto o homem, ou talvez até mais que ele? Ou, ao menos, que possui habilidades lógico-cognitivas semelhantes ou mesmo superiores às de seus pares XY?
Podemos responder afirmativamente a essas questões, se sabemos que mulheres só começaram a ser aceitas em universidades há pouco mais de cem anos e que, durante quase toda a história da humanidade letrada, mulheres foram proibidas de chegar perto do conhecimento tido como masculino, ou seja, tudo que não tem relação com a limpeza da casa, a criação primeira dos filhos (alimentação e alfabetização) e a manutenção da beleza.
Contudo, nosso mundo não está preparado para tanta novidade. Em vez de admitir que mulheres, ainda que tenham menos neurônios que homens, pensam tanto quanto eles se expostas ao conhecimento, à educação, nosso mundo preferiu achar outras respostas, como 'a complexa vida da mulher moderna'.
Daí eu pergunto: quem parece lógico e racional nessa história? E respondo: não este nosso tempo - e suas conclusões.
Na verdade, praticamente tudo o que foi dito acima pode ser desconsiderado. A discussão sobre quem é mais inteligente é, no fundo, pouco inteligente. É necessário lembrar, sempre, claro, que mulheres foram PROIBIDAS de estudar durante milênios. Mas é necessário, sobretudo, denunciar o silenciamento do gênio feminino na história. Temos a impressão de que somente os homens pensaram e construíram este mundo quando, na verdade, existe um processo deliberado de anulação da figura feminina como agente transformador. Ou vai dizer que você sabia que a equipe de cientistas que anunciou recentemente a descoberta do Bóson de Higgs foi liderada por uma mulher?
Na verdade, praticamente tudo o que foi dito acima pode ser desconsiderado. A discussão sobre quem é mais inteligente é, no fundo, pouco inteligente. É necessário lembrar, sempre, claro, que mulheres foram PROIBIDAS de estudar durante milênios. Mas é necessário, sobretudo, denunciar o silenciamento do gênio feminino na história. Temos a impressão de que somente os homens pensaram e construíram este mundo quando, na verdade, existe um processo deliberado de anulação da figura feminina como agente transformador. Ou vai dizer que você sabia que a equipe de cientistas que anunciou recentemente a descoberta do Bóson de Higgs foi liderada por uma mulher?
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| Eu não sou uma mulher diferente |
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Esse foi só um exemplo dentre vários que poderia citar. Você pode fazer outros testes também: veja o número de mulheres que trabalha na sua empresa e os cargos elas ocupam; compare o número de mulheres na sua sala de aula com o número de professoras (cursos de Letras são ótimos para isso, porque em geral a classe é majoritariamente feminina e a porcentagem muda completamente quando você olha para o quadro de professores e para os cargos mais elevados de chefia do departamento); preste atenção nas atitudes sutis do dia-a-dia, desde as cantadas desrespeitosas - que na maioria das vezes são "só de brincadeirinha" - até ser ignorada ou ridicularizada simplesmente por ter uma opinião e expressá-la.**
por Roberta Gregoli
Num post anterior descrevi como mesmo as mais bem-intencionadas das feministas acabam caindo nas armadilhas sutis do sexismo. Também argumentei que não devemos nunca culpar as mulheres porque o machismo está em todo lugar e fomos criadas com ele, não raras as vezes até mesmo dentro de nossas famílias. O nome carinhoso que eu dou para isso é lavagem cerebral cultural. E é preciso muita reflexão e paciência nessas horas - com nós mesmas e com o próximo.
Deve ter uma parcela de leitor@s que lê esse primeiro parágrafo e pensa: aí, mania de perseguição. Eu sou tão descolad@, tod@s @s meus amig@s são descolad@s, minha família é prafrentex, eu não fui criad@ assim porque essa de machismo não rola no meu meio.
Mas você vai ao cinema, certo?
Num post anterior descrevi como mesmo as mais bem-intencionadas das feministas acabam caindo nas armadilhas sutis do sexismo. Também argumentei que não devemos nunca culpar as mulheres porque o machismo está em todo lugar e fomos criadas com ele, não raras as vezes até mesmo dentro de nossas famílias. O nome carinhoso que eu dou para isso é lavagem cerebral cultural. E é preciso muita reflexão e paciência nessas horas - com nós mesmas e com o próximo.
Deve ter uma parcela de leitor@s que lê esse primeiro parágrafo e pensa: aí, mania de perseguição. Eu sou tão descolad@, tod@s @s meus amig@s são descolad@s, minha família é prafrentex, eu não fui criad@ assim porque essa de machismo não rola no meu meio.
Mas você vai ao cinema, certo?
Há um teste muito interessante para filmes chamado teste Bechdel*. Para passar no teste, um filme precisa cumprir 3 critérios simples:
1) ter pelo menos duas mulheres que tenham nome
2) que conversem entre si
3) sobre um assunto que não seja homens
É incrível a quantidade de filmes que não passa no teste -- vale a pena começar a prestar atenção quando for ao cinema.
É como se, não bastasse não haver espaços de representação para as mulheres (coberto pelo primeiro critério), quando eles existem são sempre colocados em relação aos homens (critérios 2 e 3). Somos condicionadas a sempre considerar os homens e, mais do que isso, a nos pensarmos em relação a eles.
1) ter pelo menos duas mulheres que tenham nome
2) que conversem entre si
3) sobre um assunto que não seja homens
É incrível a quantidade de filmes que não passa no teste -- vale a pena começar a prestar atenção quando for ao cinema.
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| O teste Bechdel surgiu com este quadrinho, criado por Alison Bechdel em 1985 |
É como se, não bastasse não haver espaços de representação para as mulheres (coberto pelo primeiro critério), quando eles existem são sempre colocados em relação aos homens (critérios 2 e 3). Somos condicionadas a sempre considerar os homens e, mais do que isso, a nos pensarmos em relação a eles.
Esse foi só um exemplo dentre vários que poderia citar. Você pode fazer outros testes também: veja o número de mulheres que trabalha na sua empresa e os cargos elas ocupam; compare o número de mulheres na sua sala de aula com o número de professoras (cursos de Letras são ótimos para isso, porque em geral a classe é majoritariamente feminina e a porcentagem muda completamente quando você olha para o quadro de professores e para os cargos mais elevados de chefia do departamento); preste atenção nas atitudes sutis do dia-a-dia, desde as cantadas desrespeitosas - que na maioria das vezes são "só de brincadeirinha" - até ser ignorada ou ridicularizada simplesmente por ter uma opinião e expressá-la.**
O machismo é um bicho papão, que perversamente aprendemos a respeitar desde pequen@s. Por isso proponho aqui, de maneira metafórica, a máxima católica - e guardem este momento, porque não é sempre que isso acontece em blogs feministas: orai e vigiai. Em termos laicos: reflita e esteja atent@, sempre.
Afinal, mulheres e homens, não se enganem: o machismo está em todo o lugar e, se você deixar, ele vai te comer!
* Obrigada à Crocomila por compartilhar o vídeo do Feminist Frequency, que é excelente.
** Como levantou a Patti, querida leitora aqui do blog.
* Obrigada à Crocomila por compartilhar o vídeo do Feminist Frequency, que é excelente.
** Como levantou a Patti, querida leitora aqui do blog.
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por Mazu
Esse tweet, genial, diga-se de passagem, me fez pensar o que diabos é a honestidade feminina afinal de contas? Legalmente falando, foi só em 2005 que o texto do código penal substitui “mulher honesta” por “mulher” para descrever o crime de estupro, foi nesse ano também que adultério deixou de ser crime, porque até então vinha sendo usado como defesa para homens que assassinavam suas parceiras infiéis.
por Mazu
CPI no Brasil sempre foi uma coisa mais cômica e triste do que deveria ser. Mês passado, escutei no rádio alguns trechos das discussões entre os senadores e os ouvi chamando uns aos outros de tchutchuca e tigrão. Sério, posso dar o contexto que quiser para isso, nenhum fica bom.
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| Carlos Cachoeira, contraventor |
Sob meu ponto de vista, a gente se distrai com tudo por aqui quando devia prestar atenção em aspectos políticos da situação do nosso país. Acho que só lembramos que a CPI investigava o senador Demóstenes quando ele foi efetivamente cassado. A CPI chamada de CPI do Cachoeira era, na verdade, sobre o Demóstenes Torres. O "contraventor" (eu adoro quando a mídia usa essa expressão), Carlos Cachoeira, é civil, e o procedimento investigatório de civil é inquérito policial, CPI é só para os caras do congresso.
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| Denise Leitão e Senador Ciro Nogueira |
Dentre as distrações do processo investigatório, que foram muitas por sinal, temos a história da advogada e assessora de senador, Denise Leitão. Aparentemente, ela distrai todo mundo, eu, você e a mídia, porque ela é muito bonita e faz sexo. Enfim. Aparentemente, ela está sendo demitida do cargo por isso também. Não conheço a moça, mas levanta mão aí quem acha isso, assim, injusto. A história é que um ex-namorado da assessora, a qual vinha fazendo sucesso pela aparência física, resolveu soltar um vídeo íntimo dela na internet. Fatos relevantes: ela não estava nas dependências do órgão que trabalha, ela não estava com um de seus superiores ou subalternos e ela não estava em horário de serviço. E vai perder o emprego porque o senador para o qual trabalha está constrangido com o comportamento dela e não quer ficar dando explicações sobre isso o resto do mandato. Puxa vida, que dó dele, né. Bom, chamei atenção para onde ela estava e com quem (no vídeo) porque essas seriam razões, do ponto de vista jurídico, para demissão de servidor de órgão público, a primeira delas descrita como "conduta escandalosa na repartição" no estatuto do servidor público, lei 8112. Mas como disse, não foi o caso. Ela não descumpriu norma, nem desobedeceu lei alguma.
Esse tweet, genial, diga-se de passagem, me fez pensar o que diabos é a honestidade feminina afinal de contas? Legalmente falando, foi só em 2005 que o texto do código penal substitui “mulher honesta” por “mulher” para descrever o crime de estupro, foi nesse ano também que adultério deixou de ser crime, porque até então vinha sendo usado como defesa para homens que assassinavam suas parceiras infiéis.
O tweet faz uma relação bem bacana entre o ato (sexo consensual com um homem adulto) de Denise Leitão e o ato de Jaqueline Roriz, filmada recebendo dinheiro de caixa 2 para campanha. A Roriz foi absolvida pelos seus colegas deputados, agora, será que se depois de receber o dinheiro ela fizesse sexo com alguém no mesmo vídeo, de maneira não relacionada com sua profissão, ela seria absolvida também? Será que se tivéssemos notícia de sua vida sexual de alguma forma, e essa vida fosse diferente do “padrão”, ela seria sequer eleita?
Tenho uma amiga muito bonita que depois de uns 15 anos trabalhando em um órgão foi promovida para uma função de chefia. A rádio corredor diz que ela transou com alguém por isso. Eu sei que não foi assim, e ela sabe, ela não liga para o que dizem, mas eu sim. Fico brava, compro briga, enfim. Isso por que, no ambiente de trabalho, mulher sofre para afirmar a própria competência e quando é bonita, parece que é pior. Aparentemente, beleza e liberdade sexual não podem coexistir com competência. A gente tem sempre um estereótipo para derrubar nesse domínio implícito do masculino. Já disse, não conheço a Denise, mas, estou com a impressão de que ela está passando por algo parecido, em um grau super aumentado.
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| Agente Tapajós, investigador da operação Monte Carlo, morto em Brasília, semana passada. |
O Código Penal e Civil brasileiros mudaram, mas alguns estigmas permanecem. A nossa honestidade e competência continuam, de uma forma esquisita e triste, sendo definidas pelo tanto de parceiros e sexo que uma mulher tem durante a vida, pela forma que se veste e se comporta.
Bom, eu tenho a resposta para as mulheres: roube se quiser, mas não faça sexo. Para homens, é mais fácil, foram eles que escreveram as leis.
23 de julho de 2012
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Mazu,
padrões duplos
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Enfim, como eu dizia, erramos ao querer encerrar esse tipo de falta de respeito na infância, na "falta de educação" que consideramos normal nessa etapa da vida. Também não podemos julgar que tal comportamento é natural, sendo expressão da sexualidade infantil. Com o tempo descobri, acompanhando o crescimento de meninos muito próximos a mim, que eles são ensinados a desrespeitar as meninas - nas rodinhas masculinas, homens em formação ouvem seus exemplos (pais, tios, vizinhos) falarem das mulheres como corpos a serem devassados, importando ou não sua vontade (como espiar, como encarar, como roçar, como forçar). Ora, aprendemos sobretudo por imitação. Penso que a TV ou a internet sejam influências menos relevantes que as falas não censuradas dos heróis de nossa infância.
por Tággidi Ribeiro
Esse post não diz como vocês (homens e mulheres) devem educar seus filhos. Mas certamente apontará como não educar.
Para começar, quero me dirigir às mulheres (homens, continuem a leitura, vocês são a contrapartida das lembranças que se sucederão). Pergunto: mulheres, quando vocês sofreram as primeiras investidas masculinas? Quando foram desrespeitadas - tiveram seus corpos invadidos de alguma forma - pela primeira vez?
Eu me lembro de que na infância eu já era assediada por seres do sexo masculino. Eles eram tão criança quanto eu e, por isso, durante grande parte da minha vida, atribuí o comportamento agressivo dos meninos nessa fase específica da vida como coisa de criança, de gente que ainda não aprendeu a se comportar.
Hoje vejo o erro desse ângulo de visão. Na verdade, aqueles meninos já haviam aprendido a se comportar e o que faziam era fruto de seu aprendizado de como tratar uma menina. E o que eles faziam? Bem, me lembro de diversas situações, todas análogas às do mundo adulto. De estar num clube, por exemplo, e me passarem a mão - não um fdp pedófilo, mas uma criança da minha idade (6, 7 anos). Lembro-me de que muitas vezes eu e minhas colegas tivemos nossas saias levantadas, quando os meninos não davam um jeitinho de espiar nossas calcinhas. Lembro-me de ser chamada de gostosa por um menino da minha turma que me olhava como, descobri depois, um ator de filme pornô chinfrim olhava pra mulher que ele ia comer - e nós tínhamos só dez anos.
Ainda aos dez, cansada de ser assediada por esse mesmo colega e completamente sozinha nisso porque diziam os adultos que se ele fazia era porque eu dava corda, porque eu não me dava ao respeito (hein?), resolvi pegar ele de porrada. Passei uma aula inteira mandando bilhetes em que dizia que ia acabar com ele e um amiguinho dele era quem respondia, dizendo que era o outro quem ia acabar comigo. Eu o esperei no fim da aula e ele tinha tanto medo que não fez nada. Eu o chacoalhava pelos braços e gritava: "Você ainda vai fazer isso comigo?" Ele não conseguia responder porque, acredito, jamais imaginou que uma menina pudesse se comportar daquela forma.
Enfim, como eu dizia, erramos ao querer encerrar esse tipo de falta de respeito na infância, na "falta de educação" que consideramos normal nessa etapa da vida. Também não podemos julgar que tal comportamento é natural, sendo expressão da sexualidade infantil. Com o tempo descobri, acompanhando o crescimento de meninos muito próximos a mim, que eles são ensinados a desrespeitar as meninas - nas rodinhas masculinas, homens em formação ouvem seus exemplos (pais, tios, vizinhos) falarem das mulheres como corpos a serem devassados, importando ou não sua vontade (como espiar, como encarar, como roçar, como forçar). Ora, aprendemos sobretudo por imitação. Penso que a TV ou a internet sejam influências menos relevantes que as falas não censuradas dos heróis de nossa infância.
Lembro-me de que um menino bem próximo, de "dentro de casa", um dia enfiou a mão no meio das minhas pernas, rindo, na frente de todo mundo, e eu gritei com todas as minhas forças. Tínhamos seis anos. O que EU ouvi dos adultos em volta?
- Deixa de escândalo.
Não é "bonitinho".
















