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Não sou antropóloga para sair teorizando sobre ritos de passagem, mas lá fui eu humildemente ler na Wikipedia sobre trotes estudantis. Aprendi que ritos de passagem proporcionam "o aprendizado de valores fundamentais para a vida no nível seguinte" e que os trotes são "ritos de passagem às avessas, representando uma prática oposta aos valores humanistas da universidade".
Como tentamos mostrar em inúmeros posts aqui do blog, a carta do humor é utilizada de modo frequente para tirar o peso da violência, "maquiar" problemáticas sérias, reforçar, por exemplo, a chamada cultura do estupro. Diante da faixa de protesto com os dizeres "Somos mulheres, não bonecas infláveis. Temos ideias, não somos manipuláveis", os partidários do Miss Bixete se divertiram simulando sexo com uma boneca. Mulher objeto. Mais ainda, eles distribuíram folhetos de incitação à violência contra as mulheres baseados na capa do best seller - diga-se de passagem, criticado por muitas feministas - Cinquenta tons de cinza: "Cinquenta golpes de cinta. A cura para o fogo no rabo dessa mulherada mal comida." Devem ter se divertido tanto e achado tanta genialidade no trocadilho. Mas qualquer um que parasse um segundo para refletir sobre a frase não esboçaria nem mais um sorriso amarelo. A violência física contra as mulheres não é uma piada. Ela mata, de verdade, todos os dias.
por Barbara Falleiros
As leitoras e leitores deste blog devem ter acompanhado, esta semana, o caso de hostilização de um grupo de estudantes feministas que protestava contra trotes sexistas na USP de São Carlos. Para quem ainda não soube do ocorrido, aqui vai o relato divulgado no Facebook por uma integrante da Frente Feminista de São Carlos, levemente resumido:
Todo ano ocorre aqui na USP São Carlos o Miss Bixete, evento no qual, após passarem pela "apelidação" (apelidos pejorativos e fazendo juízo de valor sobre seus corpos e sua sexualidade), as calouras são levadas pelos veteranos para que desfilem. Ao longo do desfile os veteranos gritam em coro "peitão, peitão, peitão" pedindo para que a caloura mostre os seios e incentivam que ela dance e exponha seu corpo. Uma prática também frequente nesse dia do "evento" é a "competição do picolé". Nesta competição, cada uma das calouras recebe um picolé e têm que chupá-lo simulando sexo oral. A que terminar o picolé primeiro "ganha".Como resposta ao evento, nos últimos cinco anos, o Coletivo de Mulheres do CAASO (centro acadêmico) e Federal promovem um ato em boicote ao Miss bixete, a fim de tentar conscientizar o maior número de pessoas possível. Nesta última terça-feira, a Frente Feminista de São Carlos reuniu 50 pessoas para a manifestação em repúdio ao evento. A manifestação era pacífica e contava com instrumentos de batuque, músicas, faixas com palavras de ordem e panfletagem.
Retrato de um imbecil (não encontrei a foto original) Ao longo da manifestação, integrantes do GAP (Grupo de Apoio a Putaria) e alunos da USP que participavam do evento, arrancaram e rasgaram alguns dos cartazes da manifestação, tentarem impedir nossa entrada no CAASO, jogaram cerveja, copos e duas bombas em nossa direção. Houve empurrões, tentativa de agressão, assédio às meninas e um grupo que, no final da manifestação, perseguiu com pedaços de pau os manifestantes. Como resposta a nossa faixa, os meninos do GAP simulavam ato sexual com uma boneca inflável diante da manifestação. Alguns participantes do evento tiraram as roupas e fizeram gestos obscenos, sempre se direcionando aos manifestantes e dizendo provocações como "isso aqui é para corrigir esse bando de viado e sapatão". A USP abriu inquérito para investigar a respeito dos alunos que ficaram nus e a mídia local tem se focado nisso.
Não sou antropóloga para sair teorizando sobre ritos de passagem, mas lá fui eu humildemente ler na Wikipedia sobre trotes estudantis. Aprendi que ritos de passagem proporcionam "o aprendizado de valores fundamentais para a vida no nível seguinte" e que os trotes são "ritos de passagem às avessas, representando uma prática oposta aos valores humanistas da universidade".
O calouro é encarado pelo veterano como algo (mais que um animal, mas menos que um ser humano) que deve ser domesticado pelo emprego de práticas humilhantes e vexatórias. Da mesma forma, denominar o calouro de bixo (ou bixete, se for mulher), parece querer indicar que o calouro deve ser humilhado a ponto de nem mesmo merecer que a palavra bicho seja escrita corretamente. (Zuin, 2002, p. 44).
O interessante, a meu ver, é que no caso de trotes sexistas não se trata de passagem por uma situação de constrangimento ritual - e portanto, pontual, isto é, delimitada no tempo (um dia, uma semana de trote) - que, ao seu fim, levará o indivíduo constrangido a ser aceito e em breve alçado ao mesmo nível hierárquico dos que o constrangeram. Em um trote sexista há apenas a reprodução e a perpetuação da violência, do menosprezo e dos abusos que as mulheres e/ou "minorias" sofrem cotidianamente e continuarão a sofrer em suas vidas muito tempo depois de terminado o trote.
Os comentários de leitores às reportagens que saíram no jornal ilustram bem o desconhecimento do discurso que sustenta esse tipo de prática sexista. "É só tomar um banho que passa" não funciona no caso de um trote sexista porque as meninas vão continuar sendo julgadas pelo seu corpo e porque o sexo oral, na nossa sociedade, vai continuar sendo associado à uma prática coerciva ou humilhante (lembrando que o "grito de guerra" de uma faculdade contra outra costuma ser o "Chupa!": "Chupa medicina!", "chupa engenharia!", "chupa Poli!" etc.). Nada disso provoca "engrandecimento". E é preciso que o discurso mude urgentemente do "se não quer não participe" para o "se ofende não organize"... Está na hora de começar a pensar.
Os comentários de leitores às reportagens que saíram no jornal ilustram bem o desconhecimento do discurso que sustenta esse tipo de prática sexista. "É só tomar um banho que passa" não funciona no caso de um trote sexista porque as meninas vão continuar sendo julgadas pelo seu corpo e porque o sexo oral, na nossa sociedade, vai continuar sendo associado à uma prática coerciva ou humilhante (lembrando que o "grito de guerra" de uma faculdade contra outra costuma ser o "Chupa!": "Chupa medicina!", "chupa engenharia!", "chupa Poli!" etc.). Nada disso provoca "engrandecimento". E é preciso que o discurso mude urgentemente do "se não quer não participe" para o "se ofende não organize"... Está na hora de começar a pensar.
Como tentamos mostrar em inúmeros posts aqui do blog, a carta do humor é utilizada de modo frequente para tirar o peso da violência, "maquiar" problemáticas sérias, reforçar, por exemplo, a chamada cultura do estupro. Diante da faixa de protesto com os dizeres "Somos mulheres, não bonecas infláveis. Temos ideias, não somos manipuláveis", os partidários do Miss Bixete se divertiram simulando sexo com uma boneca. Mulher objeto. Mais ainda, eles distribuíram folhetos de incitação à violência contra as mulheres baseados na capa do best seller - diga-se de passagem, criticado por muitas feministas - Cinquenta tons de cinza: "Cinquenta golpes de cinta. A cura para o fogo no rabo dessa mulherada mal comida." Devem ter se divertido tanto e achado tanta genialidade no trocadilho. Mas qualquer um que parasse um segundo para refletir sobre a frase não esboçaria nem mais um sorriso amarelo. A violência física contra as mulheres não é uma piada. Ela mata, de verdade, todos os dias.
Temos aqui no blog leitores machistas, cada vez mais fiéis, que a esta altura já devem estar digitando um comentário: "Mas na manifestação essas vadias ficam peladas, não ficam?" Nem se incomodem em escrever, essa reflexão já foi feita, por exemplo, aqui:
Que as calouras sejam pouco induzidas a participar do tal desfile não desculpa a existência de um evento em que jovens mulheres, que provaram sua capacidade intelectual ao serem admitidas em um vestibular concorrido, sejam imediatamente reduzidas ao valor de seus corpos ao pisarem na universidade. Além disso, nota-se que o mesmo tipo de raciocínio utilizado para culpabilizar vítimas de estupro ou violência aparece aqui, já que comentário faz recair o julgamento moral sobre as participantes do "concurso" ao invés de responsabilizar seus organizadores: tornaram-se "engenheiras respeitáveis" apesar de terem participado, apesar de seu "exibicionismo adolescente", e a culpa das que se sentissem pressionadas seria delas mesmas por não terem "estrutura psicológica".
O que mais dificulta, no entanto, os combates feministas contra discursos e práticas machistas do tipo deste trote é o fato das diversas manifestações de nudez serem facilmente confundidas. O que é que tem mostrar o pênis se as "feministas" - ou "esse pessoal" - mostram o peito?
Vamos esclarecer as coisas. O movimento das Femen, com o qual eu particularmente não me identifico e a respeito do qual mantenho as dúvidas colocadas aqui, contextualiza explicitamente a prática da nudez de suas manifestantes como estratégia para atrair a atenção da mídia tradicional.
Já o movimento da Marcha das Vadias surgiu em resposta a uma alegação de um policial canadense para quem "se as mulheres evitassem se vestir como vadias, não seriam estupradas". Sabemos que não é a roupa que causa o estupro mas as relações de poder, que desumanizam a mulher. Ironizando a fala do policial e mostrando que, segundo esse tipo de pensamento, toda mulher seria "vadia", as militantes da Marcha das Vadias costumam desfilar usando roupas curtas e algumas com seios nus, reivindicando o direito das mulheres de fazerem o que quiserem de seus corpos e pedindo o respeito total ao corpo feminino, contra sua sexualização exagerada. O que elas tentam mostrar é que a quantidade de pele exposta por uma mulher não é jamais um convite para que os homens se disponham de seu corpo como bem entenderem e sem consentimento.
Quanto aos pênis dos estudantes, fica claro que a nudez foi usada intencionalmente de forma violenta, ainda mais acompanhada de gestos obscenos e ameaças homofóbicas, como relatado ("Isso aqui é para corrigir esse bando de viado e sapatão"). O pênis, em si, não significa nada. Um pênis nu é tão inonfesivo quanto um seio de fora. Exceto quando ele é usado como órgão e símbolo de perpretação da violência, da humilhação e do ódio.
Agora dá para entender a diferença? Ela não é pequena.
O que mais dificulta, no entanto, os combates feministas contra discursos e práticas machistas do tipo deste trote é o fato das diversas manifestações de nudez serem facilmente confundidas. O que é que tem mostrar o pênis se as "feministas" - ou "esse pessoal" - mostram o peito?
Vamos esclarecer as coisas. O movimento das Femen, com o qual eu particularmente não me identifico e a respeito do qual mantenho as dúvidas colocadas aqui, contextualiza explicitamente a prática da nudez de suas manifestantes como estratégia para atrair a atenção da mídia tradicional.
Já o movimento da Marcha das Vadias surgiu em resposta a uma alegação de um policial canadense para quem "se as mulheres evitassem se vestir como vadias, não seriam estupradas". Sabemos que não é a roupa que causa o estupro mas as relações de poder, que desumanizam a mulher. Ironizando a fala do policial e mostrando que, segundo esse tipo de pensamento, toda mulher seria "vadia", as militantes da Marcha das Vadias costumam desfilar usando roupas curtas e algumas com seios nus, reivindicando o direito das mulheres de fazerem o que quiserem de seus corpos e pedindo o respeito total ao corpo feminino, contra sua sexualização exagerada. O que elas tentam mostrar é que a quantidade de pele exposta por uma mulher não é jamais um convite para que os homens se disponham de seu corpo como bem entenderem e sem consentimento.
Quanto aos pênis dos estudantes, fica claro que a nudez foi usada intencionalmente de forma violenta, ainda mais acompanhada de gestos obscenos e ameaças homofóbicas, como relatado ("Isso aqui é para corrigir esse bando de viado e sapatão"). O pênis, em si, não significa nada. Um pênis nu é tão inonfesivo quanto um seio de fora. Exceto quando ele é usado como órgão e símbolo de perpretação da violência, da humilhação e do ódio.
Agora dá para entender a diferença? Ela não é pequena.
Para terminar este post numa nota positiva: como foi dito acima, os protestos contra o evento Miss bixete acontecem há cinco anos e têm surtido efeito, já que o evento parece estar perdendo cada vez mais força - apesar do acontecido este ano, e esperamos que os responsáveis sejam sancionados pela Universidade. Parabéns para o Coletivo de Mulheres do CAASO e a Frente Feminista! Também fiquei agradavelmente surpresa com a quantidade de homens feministas na manifestação do coletivo. Liberdade, igualdade e respeito para todo mundo, e um ótimo ano escolar para todos os esperançosos que iniciam os melhores anos de suas vidas.
3 de março de 2013
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por Mazu
Semana passada, escrevi sobre a escritora e acadêmica, Yadira Calvo, e suas posições sobre linguagem e discriminação de gênero. Na oportunidade, comecei o texto com o currículo dela, seus feitos, sua formação, seus prêmios. Essa pode parecer uma fórmula comum, você vai falar sobre alguém, você apresenta esse alguém primeiro, certo? Mas existem mais razões para esse tipo de introdução. Se a gente for analisar bem, o jeito que apresentamos o tema de que falamos já é uma forma de defendermos nossa posição. Então, comecei o texto com o “currículo dela” para dar a ela e, consequentemente, a mim, a autorização necessária para se pronunciar sobre os temas abordados e, consequentemente, legitimar os argumentos.
Semana passada, escrevi sobre a escritora e acadêmica, Yadira Calvo, e suas posições sobre linguagem e discriminação de gênero. Na oportunidade, comecei o texto com o currículo dela, seus feitos, sua formação, seus prêmios. Essa pode parecer uma fórmula comum, você vai falar sobre alguém, você apresenta esse alguém primeiro, certo? Mas existem mais razões para esse tipo de introdução. Se a gente for analisar bem, o jeito que apresentamos o tema de que falamos já é uma forma de defendermos nossa posição. Então, comecei o texto com o “currículo dela” para dar a ela e, consequentemente, a mim, a autorização necessária para se pronunciar sobre os temas abordados e, consequentemente, legitimar os argumentos.
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| Não aguento quando |
Esse exercício metalinguístico
pode parecer meio deslocado, mas serve bem ao tema de hoje: o poder de falar, se
pronunciar, de abrir a boca em qualquer instância de uma sociedade.
Bom, para começar, a gente sabe que vive em uma sociedade predominantemente sexista e preconceituosa, logo, não pode ser surpresa para ninguém que o direito de abrir a boca seja bem mais de uns que de outros. Determinados assuntos são especialidades dos homens, outros, das mulheres. Na minha vida profissional, na militância, percebo que os homens têm mais autorização para falar e são mais ouvidos quando fazem. Obviamente, isso já foi pior, afinal, participamos, as mulheres, da vida política e profissional da nossa sociedade há pouco tempo. Contudo, em determinadas instâncias, muito ainda falta para que esse direito de abrir a boca, essa autorização para falar a que me referi acima, seja assim fácil para nós como é para os homens.
Alguém poderia dizer que exagero ou que as mulheres, na realidade, falam bem mais que os homens, mas o direito de se pronunciar, de que falo aqui, é o direito de ser ouvida e não só sobre temas ditos femininos, mas sobre tudo, inclusive ciência, política ou sexo. Vou ilustrar com duas matérias da mesma revista sobre o mundo feminino. Antes de mais nada, vou dizer, gosto da Superinteressante, mas quando era mais nova fui instruída pelo meu professor de física do colégio a tomar cuidado com as publicações porque eles, às vezes, pegavam um dado pequeno, um indício, e embasavam uma afirmação categórica sobre alguma coisa. Esta matéria é um bom exemplo disso. Outras matérias têm como objetivo derrubar mitos científicos, tipo esta aqui.
Bom, para começar, a gente sabe que vive em uma sociedade predominantemente sexista e preconceituosa, logo, não pode ser surpresa para ninguém que o direito de abrir a boca seja bem mais de uns que de outros. Determinados assuntos são especialidades dos homens, outros, das mulheres. Na minha vida profissional, na militância, percebo que os homens têm mais autorização para falar e são mais ouvidos quando fazem. Obviamente, isso já foi pior, afinal, participamos, as mulheres, da vida política e profissional da nossa sociedade há pouco tempo. Contudo, em determinadas instâncias, muito ainda falta para que esse direito de abrir a boca, essa autorização para falar a que me referi acima, seja assim fácil para nós como é para os homens.
Alguém poderia dizer que exagero ou que as mulheres, na realidade, falam bem mais que os homens, mas o direito de se pronunciar, de que falo aqui, é o direito de ser ouvida e não só sobre temas ditos femininos, mas sobre tudo, inclusive ciência, política ou sexo. Vou ilustrar com duas matérias da mesma revista sobre o mundo feminino. Antes de mais nada, vou dizer, gosto da Superinteressante, mas quando era mais nova fui instruída pelo meu professor de física do colégio a tomar cuidado com as publicações porque eles, às vezes, pegavam um dado pequeno, um indício, e embasavam uma afirmação categórica sobre alguma coisa. Esta matéria é um bom exemplo disso. Outras matérias têm como objetivo derrubar mitos científicos, tipo esta aqui.
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| Detalhe da segunda matéria |
De verdade, não vou entrar no mérito
científico das matérias, especialmente, porque elas me fizeram pensar sobre
questões culturais. Questões culturais que explicariam bem mais o falar e o não
falar de homens e mulheres. Entre o falar demais e o sofrer calada pode haver
menos espaço do que a gente imagina. Foi por isso que disse que, em
determinadas instâncias, falta-nos voz, em outras situações, a voz é
obrigatoriamente nossa, por exemplo, quando se trata da criação dos filhos
parece que as mães sabem mais que os pais. Existem também limites do que falar
impostos aos homens, por exemplo, sentimentos, moda, por aí vai. Quando um
homem se aventura por essas áreas, ele sempre é enquadrado em alguma espécie de
estereótipo.
Em algumas áreas, como política e ciência, o caminho para se ter voz é, ainda, mais complicado para as mulheres, não dá para negar. É só olhar ao redor, ver os números. O trajeto que é necessário para se ocupar um lugar que permita o posicionamento pode variar muito quando se é homem e quando se é mulher.
Em algumas áreas, como política e ciência, o caminho para se ter voz é, ainda, mais complicado para as mulheres, não dá para negar. É só olhar ao redor, ver os números. O trajeto que é necessário para se ocupar um lugar que permita o posicionamento pode variar muito quando se é homem e quando se é mulher.
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| Comentário na primeira matéria, ilustrando o senso comum sobre os dizeres femininos e a falta que as vírgulas fazem |
Como já existe uma preferência
perceptível, mas não expressa, por profissionais masculinos, quando uma mulher
chega a uma determinada posição, a formação e a experiência dela precisa ser
bem maior. E ela sempre vai ser mais
questionada e se questionar mais que os homens porque nós somos educados assim.
Hoje e, não se enganem, só hoje, porque são eventos contemporâneos mesmo, a gente chega lá, ocupa esse ou aquele espaço, emite opinião especializada. Ainda assim, se a gente reparar bem, o nosso trabalho, nessas áreas em especial, sempre passa pelo filtro do sexismo. A Sheryl Sanberg, por exemplo, é um ícone do mundo dos negócios, mas tem quem se refira a ela como babá do Zuckerberg. Nossa presidenta, nos seus acertos ou nos seus erros, nunca escapa desse ou daquele comentário sobre sua aparência física ou sexualidade. E o mais engraçado disso é que a gente nunca teve um presidente com aspecto físico padrão, tipo bonitão, em contrapartida, só a Dilma é agraciada com esse ou aquele comentário.
Na vida profissional, é possível perceber a relação de competência com exigência. Isso funciona com homens e mulheres, mas os rótulos são sempre diversos. O chefe é bravo, exigente, a chefe é mal comida, encalhada, histérica.
Acontece bastante, quando se é mulher, de ouvir comentários sobre seu aspecto físico durante uma discussão ou no desempenho de uma função que não seja minimamente relacionada à aparência ou à sexualidade. “Feia”, “gorda”, “mal-comida” ou até mesmo “linda” são formas de lembrar que por mais competente ou inteligente que uma mulher seja, ela é uma mulher. E, na nossa sociedade, há uma crença de que mulher que fala demais, reclama demais, não é feliz sexualmente. Mulher satisfeita e que satisfaz vive calada. A triste ironia disso é que, nessa mesma sociedade, as autoridades precisam fazer campanhas e campanhas para que vítimas de violência contra a mulher se pronunciem.
Por isso, disse que entre o falar demais aqui e o falar de menos ali quase não há distância, já que ambos se originam de um mesmo problema, a imposição social do que uma mulher deve dizer ou não, e toda a discriminação decorrente de sua decisão de dizer ou não dizer em certas situações.
Hoje e, não se enganem, só hoje, porque são eventos contemporâneos mesmo, a gente chega lá, ocupa esse ou aquele espaço, emite opinião especializada. Ainda assim, se a gente reparar bem, o nosso trabalho, nessas áreas em especial, sempre passa pelo filtro do sexismo. A Sheryl Sanberg, por exemplo, é um ícone do mundo dos negócios, mas tem quem se refira a ela como babá do Zuckerberg. Nossa presidenta, nos seus acertos ou nos seus erros, nunca escapa desse ou daquele comentário sobre sua aparência física ou sexualidade. E o mais engraçado disso é que a gente nunca teve um presidente com aspecto físico padrão, tipo bonitão, em contrapartida, só a Dilma é agraciada com esse ou aquele comentário.
Na vida profissional, é possível perceber a relação de competência com exigência. Isso funciona com homens e mulheres, mas os rótulos são sempre diversos. O chefe é bravo, exigente, a chefe é mal comida, encalhada, histérica.
Acontece bastante, quando se é mulher, de ouvir comentários sobre seu aspecto físico durante uma discussão ou no desempenho de uma função que não seja minimamente relacionada à aparência ou à sexualidade. “Feia”, “gorda”, “mal-comida” ou até mesmo “linda” são formas de lembrar que por mais competente ou inteligente que uma mulher seja, ela é uma mulher. E, na nossa sociedade, há uma crença de que mulher que fala demais, reclama demais, não é feliz sexualmente. Mulher satisfeita e que satisfaz vive calada. A triste ironia disso é que, nessa mesma sociedade, as autoridades precisam fazer campanhas e campanhas para que vítimas de violência contra a mulher se pronunciem.
Por isso, disse que entre o falar demais aqui e o falar de menos ali quase não há distância, já que ambos se originam de um mesmo problema, a imposição social do que uma mulher deve dizer ou não, e toda a discriminação decorrente de sua decisão de dizer ou não dizer em certas situações.
1 de março de 2013
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A liberdade das mulheres, um tema que comecei a esboçar há algumas semanas, é importante, em primeiro lugar, porque é uma das principais bandeiras do feminismo - "até que todas sejamos livres" - e, em segundo, porque a ideia de liberdade serve, muitas vezes, para explicar e justificar, perversamente, a opressão. É o mesmo que aquela história racista de que xs negrxs são, em sua maioria, pobres porque são preguiçosxs. Reduzir o papel subordinado a uma escolha pessoal é uma maneira fácil de desqualificar a demanda por direitos.
Então, acredito - à revelia dxs leitorxs liberais do Economist - que temos que poder dizer sem pudor que lugar de mulher é no trabalho, na política, no ringue. Sem desrespeitar o trabalho árduo das donas de casa e mães em período integral, precisamos afirmar e reafirmar essas outras posições como possíveis, ainda que mais difíceis... ainda que não baste apenas a vontade individual.
por Roberta Gregoli
"On peut toujours faire quelque chose de ce qu'on a fait de nous"
Sartre, L'Existencialisme est un Humanisme
Podemos sempre fazer algo com o que fizeram de nós, isso é liberdade. Mas, veja bem, não se trata de uma liberdade irrestrita ou total: o limite está dado. É muito diferente do que nos vendeu a Xuxa com sua teologia capitalista, segundo a qual "tudo pode ser, só basta acreditar", que pressupõe um vácuo social onde só basta a vontade individual. Liberdade é o que você faz com o que - a sociedade, suas experiências, sua criação, suas oportunidades e seus recursos - fizeram de você.
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| Problematizando o clichê da liberdade total e irrestrita |
A liberdade das mulheres, um tema que comecei a esboçar há algumas semanas, é importante, em primeiro lugar, porque é uma das principais bandeiras do feminismo - "até que todas sejamos livres" - e, em segundo, porque a ideia de liberdade serve, muitas vezes, para explicar e justificar, perversamente, a opressão. É o mesmo que aquela história racista de que xs negrxs são, em sua maioria, pobres porque são preguiçosxs. Reduzir o papel subordinado a uma escolha pessoal é uma maneira fácil de desqualificar a demanda por direitos.
Tenho pensado mais intensamente sobre esse assunto desde dezembro de 2012, quando o Economist lançou, num de seus debates virtuais, o tópico Mulher & trabalho. Nesse tipo de debate, há uma proposição da casa, que é sempre introduzida pela expressão This house believes... e umx debatedorx para cada lado, contra e a favor. Xs internautas, após lerem os argumentos de ambas as partes, têm uma semana para votar online.
A proposição no caso era This house believes that a woman's place is at work (Esta casa acredita que lugar de mulher é no trabalho) e o resultado do debate foi, para mim, surpreendente: 53% disseram que não, ou seja, que o lugar da mulher não é no trabalho.
O principal eixo argumentativo dos que se opunham à proposição foi (na minha tradução):
As mulheres não têm um lugar designado na sociedade. Em sociedades livres, elas escolhem onde querem estar. Para pelo menos 5 milhões de mulheres norte-americanas, acontece que esse lugar é em casa, como mães em período integral. O que há de errado nisso?
Sedutor, não é? Mas como esbocei no meu post anterior, não se pode falar em liberdade quando não há igualdade de oportunidades. Será que essas 5 milhões de norte-americanas escolheram, de fato, ser donas de casa e mães em período integral?
Vamos computar os fatos (com foco na realidade brasileira, nosso maior interesse aqui, mas, pelo que estudei, também aplicável aos Estados Unidos, ainda que os números possam variar):
No Brasil, é comprovado que mulheres têm mais dificuldade em conseguir um emprego, apesar de serem mais escolarizadas que os homens. Há até discriminação descarada - e ilegal - em ofertas de emprego, privilegiando homens. Quando conseguem um emprego, a desigualdade salarial é de quase 30%. Além disso, são diversos os fatores culturais que contribuem para um entendimento equivocado de que as mulheres são mais aptas a cuidar da casa e dxs filhxs (ex. brinquedos que incentivam o trabalho domésticos, mitos como o do instinto maternal, etc).
Tendo esse quadro em vista, quando um casal decide ter filhxs, qual dos dois cônjuges está mais propenso a largar a carreira ou colocá-la em segundo plano? É uma questão de matemática até, ganhando em média quase 1/3 a menos que os homens, o salário da esposa oferecerá menos conforto que o do esposo. Isso sem falar que, numa sociedade onde o clube do bolinha é a regra, em que ainda se acredita que mulheres bonitas não devem trabalhar porque 'desconcentram' os homens, as chances de ascensão profissional são muito menores para as mulheres.
Dizem xs reacionárixs que as feministas são "contra" as donas de casa, que não respeitam o seu trabalho e que acham que todas as mulheres deviam trabalhar. Reducionismo puro. Não é questão de desvalorizar o trabalho doméstico - que, aliás, se remunerado, somaria 10% do PIB nacional. A questão é problematizar o conceito de escolha e de liberdade: com toda essa dificuldade, se uma mulher decide abrir mão da carreira ou colocá-la em segundo plano, essa foi uma escolha realmente? Se você pode escolher entre A e B, mas sabe que B é um caminho muito mais tortuoso e difícil, será que podemos falar de 'escolha'?
Vamos computar os fatos (com foco na realidade brasileira, nosso maior interesse aqui, mas, pelo que estudei, também aplicável aos Estados Unidos, ainda que os números possam variar):
No Brasil, é comprovado que mulheres têm mais dificuldade em conseguir um emprego, apesar de serem mais escolarizadas que os homens. Há até discriminação descarada - e ilegal - em ofertas de emprego, privilegiando homens. Quando conseguem um emprego, a desigualdade salarial é de quase 30%. Além disso, são diversos os fatores culturais que contribuem para um entendimento equivocado de que as mulheres são mais aptas a cuidar da casa e dxs filhxs (ex. brinquedos que incentivam o trabalho domésticos, mitos como o do instinto maternal, etc).
Tendo esse quadro em vista, quando um casal decide ter filhxs, qual dos dois cônjuges está mais propenso a largar a carreira ou colocá-la em segundo plano? É uma questão de matemática até, ganhando em média quase 1/3 a menos que os homens, o salário da esposa oferecerá menos conforto que o do esposo. Isso sem falar que, numa sociedade onde o clube do bolinha é a regra, em que ainda se acredita que mulheres bonitas não devem trabalhar porque 'desconcentram' os homens, as chances de ascensão profissional são muito menores para as mulheres.
Dizem xs reacionárixs que as feministas são "contra" as donas de casa, que não respeitam o seu trabalho e que acham que todas as mulheres deviam trabalhar. Reducionismo puro. Não é questão de desvalorizar o trabalho doméstico - que, aliás, se remunerado, somaria 10% do PIB nacional. A questão é problematizar o conceito de escolha e de liberdade: com toda essa dificuldade, se uma mulher decide abrir mão da carreira ou colocá-la em segundo plano, essa foi uma escolha realmente? Se você pode escolher entre A e B, mas sabe que B é um caminho muito mais tortuoso e difícil, será que podemos falar de 'escolha'?
Relações de liberdade que só podem se realizar, para todas as mulheres, com a igualdade. Esta perspectiva é, portanto, radicalmente distinta do individualismo liberal que defende a liberdade de cada mulher para fazer o que quiser com seu corpo, mas que não é capaz de identificar que, no atual modelo, a liberdade não caracteriza a vida da maioria das mulheres. - Tica Moreno, Marcha Mundial das Mulheres
Então, acredito - à revelia dxs leitorxs liberais do Economist - que temos que poder dizer sem pudor que lugar de mulher é no trabalho, na política, no ringue. Sem desrespeitar o trabalho árduo das donas de casa e mães em período integral, precisamos afirmar e reafirmar essas outras posições como possíveis, ainda que mais difíceis... ainda que não baste apenas a vontade individual.
27 de fevereiro de 2013
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por Tággidi Ribeiro
O Oscar é a festa máxima do cinema. Máxima porque sabemos que nela estarão os filmes mais bem produzidos, mais caros, mais vistos e/ou comentados. Alguns desse filmes se tornam clássicos, outros são esquecidos, assim como seus atores, atrizes, roteiristas, diretores, diretoras etc.
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| Halle Berry - Oscar em 2002 |
Opa, eu disse diretoras? Sorry. My bad. Em 85 anos de festa (para quem?), apenas quatro mulheres foram indicadas ao prêmio de melhor direção e apenas uma delas o venceu: Kathryn Bigelow, em 2010(!). A essa altura, sendo leitor(a) deste blog, você já deve estar se perguntando: e negrxs? Apenas um(!), John Singleton - em 1991, foi indicado a melhor diretor e não ganhou. Atores e atrizes negros em papéis principais? Apenas quatro atores e uma(!) atriz. Outras oito estatuetas para indicados a atuações coadjuvantes, só. Gays? Filmes sim, mas não pessoas. A diversidade para por aqui. Por isso, o discurso de Jodie Foster no Globo de Ouro deste ano foi tão emocionante.
Sabendo desse contexto não fica difícil entender porque um cara como Seth MacFarlane tem lugar como apresentador nesse evento falsamente chiquérrimo. Me contem: existe algo mais brega, mais fora de moda, mais sem graça que piada racista e sexista? É sério: pagar rios de dinheiro pra deixar as pessoas constrangidas, pra ninguém se divertir de verdade, é o cúmulo da cafonice.
E o mundo inteiro parou pra rir amarelo com MacFarlane fazendo piada sobre o enredo de Django Livre ser como a relação entre Chris Brown e Rihanna; envolvendo o nome de Quvenzhané Wallis, indicada ao Oscar de melhor atriz com 9 anos(!), numa 'brincadeira' sobre George Clooney gostar de mulheres mais novas - pausa: 1) convenhamos, ele jamais faria isso se a atriz fosse branca; 2) o site de 'humor' The Onion chamou a mesma criança de algo pior que vadia, depois se desculpou (desculpas my ass, tem que meter processo. Como alguém tem coragem de pensar em insultar uma menina de 9 anos na noite mais importante de sua vida ou em qualquer outra ocasião? Novamente, isso não aconteceria se ela fosse branca).
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| Vilão da Lazy Town |
MacFarlane (que tem uma cara de personagem de Lazy Town, não?) insistiu no seu conceito de humor: latinos? São bonitos e pouco importa o que falam; mulheres? São loucas obsessivas. 'Por isso vou brincar que eu iria brincar que a gente já viu os peitos de um monte de atrizes mas eu não vou brincar de verdade porque eu sei que elas não vão gostar' (quão adolescente isso soa para vocês?). Aliás, na 'canção' feita pelo... comediante, era muito engraçado ver peitos de atrizes inclusive em filmes nos quais suas personagens eram estupradas. Quanto cultura do estupro isso soa para vocês?
Empatia zero. Felizmente, MacFarlane está sendo apontado como o pior apresentador da história do Oscar. Menos pelo racismo e pelo sexismo e mais por satirizar a morte de Lincoln, um dos grandes heróis estadunidenses. Ainda bem que esse tipo de cara ajuda bastante na hora de se enterrar.
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| Helen Hunt |
Por fim, eu que acabei dando tanta atenção ao Oscar por causa desse babaca que a Academia contratou provavelmente para mostrar quem manda - homens brancos -, mais uma vez achei a festa cafona por outro motivo: a ostentação. Não consigo deixar de perceber como imorais os ternos e vestidos caríssimos, as limousines, as joias (colares de 2,5 milhões de dólares!). Como alguém pode dizer que essas celebridades todas são superlegais e generosas se têm coragem de participar disso? Se o amor ao dinheiro e ao luxo é um dos principais motores do mal que há no mundo?
Helen Hunt quase se safou dessa, aparecendo com um vestido de US$ 200,00. Seu colar, contudo, valia US$ 700.000. Fazer propaganda, incitar o desejo no público não é menos danoso ao mundo e portanto não menos desculpável.
Estamos no século XXI, 2013. Edição encerrada. Tio Oscar, tão velhinho, precisa rever muitos conceitos.
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Abaixo, algumas artes fotográficas de Tina Modotti:
Você pode conferir mais fotografias de Tina Modotti neste site do MoMA: http://www.moma.org/collection/artist.php?artist_id=4039.
Por Thaís Bueno
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| Tina Modotti |
Você conhece ou se lembra de ter ouvido o nome de Tina Modotti? Pode ser que não se lembre, mas você provavelmente viu essa mulher extraordinária como personagem do filme Frida (2002): Tina era aquela que abria sua casa para os artistas que faziam parte da rica e fervilhante cena artística da Cidade do México, nas décadas de 20 e 30. No filme, Tina, interpretada por Ashley Judd, organizava festas animadíssimas, além de beijar Frida Kahlo e participar ativamente do movimento comunista. Mas houve uma infinidade de outras coisas interessantes na vida dessa mulher, que o filme não mostrou.
Esta é a cena em que Tina dança com Frida, ao som da maravilhosa Lila Downs, cantando Alcoba Azul:
Eu adoro tudo que se relaciona a aspectos biográficos de grandes personagens da história, principalmente se a personagem é uma mulher. Por isso, biografias e correspondências são alguns dos meus gêneros literários favoritos. E foi isso que me atraiu à biografia, em formato de HQ, Tina Modotti: uma mulher do século XX (de Ángel de la Calle, publicado no Brasil pela Conrad Editora). O livro faz um bom passeio por toda a vida de Tina, desde sua saída da Itália, onde nasceu em 1896, até sua morte, no México (algo que, diga-se de passagem, até hoje está mal explicado).
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| Biografia de Tina Modotti em HQ |
Entre seu nascimento e sua morte, Tina Modotti passou por tantas coisas que sua vida poderia render uns três livros dos mais diferentes gêneros literários. Se relacionou com pessoas como Olga Benário, Luis Carlos Prestes, Frida Kahlo, Diego Rivera, Maiakóvski, Hemingway, John dos Passos, James Joyce e Pablo Neruda. Foi atriz do cinema hollywoodiano, fotógrafa genial no México e militante comunista. Participou da Guerra Civil Espanhola. Foi espiã soviética em Berlim. Como consequência de sua forte agência política, Tina morreu misteriosamente, na Cidade do México, em 1942.
Mas não vale a pena ficar aqui esmiuçando cada um dos capítulos da vida de Tina (em vez disso, minha dica é que você confira o livro, ou leia uma das várias biografias que existem sobre ela). A mim, o que mais interessa na trajetória de Tina, além de sua fotografia, é a forma como ela viveu suas paixões e seus ideais. Tina foi uma mulher genial e libertária, que viveu sua vida de acordo com suas próprias ideias e vontades. Exerceu suas potencialidades sem se limitar às convenções e às limitações sociais de sua época, o que é sempre difícil e digno de nota, em qualquer época. E isso tudo fica bem claro na biografia/HQ. Minha única ressalva ao livro seria ao título: acho que “mulher do século XX” é uma forma um tanto limitada de descrever Tina Modotti. Será que alguns dos dilemas e das crises pelas quais ela passou não poderiam ser parecidas às das mulheres de hoje?
Há um café onde se misturam políticos, pistoleiros, criminosos comuns, toureiros, putas e atrizes de terceira. A personagem mais fascinante de todas é uma fotógrafa e modelo, além de prostituta de muita classe e Mata Hari do Comintern, chama-se Tina Modotti... (Kenneth Rexroth)
Quando quero me lembrar de Tina Modotti devo fazer um esforço, como se tratasse de recolher um punhado de névoa. Frágil, quase invisível. Eu a conheci ou não a conheci? (Pablo Neruda).
Abaixo, algumas artes fotográficas de Tina Modotti:
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| Sombrero, martelo, foice (1927) |
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| Bandoleira, milho, violão (1927) |
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| Mãos de titereiro (1929) |
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| Lendo El Machete (1928) |
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| Diego Rivera e Frida Kahlo, em passeata, fotografados por Modotti (1929) |
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| Mulher carregando yecapixtla (1929) |
25 de fevereiro de 2013
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Thaís










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