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É curioso pensar nessas análises dos seriados de TV levando em consideração quem é que escreve e produz esses programas. De acordo com o WGAW 2013 TV Staffing Brief, um estudo feito pelo The Writers Guild of America (sindicato que representa os escritores do setor cinematográfico e televisivo dos Estados Unidos), o grupo de profissionais que escrevem os programas de TV produzidos lá (e assistidos aqui) é constituído, predominantemente, por homens brancos. Muito pouco espaço é concedido a mulheres ou a mulheres ou homens negros no processo de produção do conteúdo que é exibido pelos canais de TV: nas temporadas 2011-2012, dos 1.722 roteiristas envolvidos na produção desses programas, apenas 519 (ou 30,5%) eram mulheres, e só 269 eram negrxs.
Referência bibliográfica:
BEZERRA, Fábio Alexandre Silva. Sex and the City e a representação da imagem feminina. Anais do CELSUL 2008. Disponível em: http://celsul.org.br/Encontros/08/sex_and_the_city.pdf. Acesso em: 01 abr. 2013.
Por Thaís Bueno
Que o Brasil é um país onde se assiste a muita televisão, não é novidade. Segundo uma pesquisa Ibope de 2012 (quadro abaixo), o brasileiro assiste à TV por uma média de 5 horas e meia por dia. Obviamente, trata-se de uma média, que pode ser jogada para mais ou para menos dependendo de inúmeras variáveis: idade, classe social, gênero. É interessante notar, no entanto, que no meio desse mar de números e estatísticas (que parecem não dizer muita coisa), há um dado interessante: cada vez mais a TV por assinatura cresce em termos de audiência, roubando uma fatia do bolo que antes era servido às grandes redes de canais abertos.
Que o Brasil é um país onde se assiste a muita televisão, não é novidade. Segundo uma pesquisa Ibope de 2012 (quadro abaixo), o brasileiro assiste à TV por uma média de 5 horas e meia por dia. Obviamente, trata-se de uma média, que pode ser jogada para mais ou para menos dependendo de inúmeras variáveis: idade, classe social, gênero. É interessante notar, no entanto, que no meio desse mar de números e estatísticas (que parecem não dizer muita coisa), há um dado interessante: cada vez mais a TV por assinatura cresce em termos de audiência, roubando uma fatia do bolo que antes era servido às grandes redes de canais abertos.
Segundo pesquisa realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações, em 2011, a TV paga atingiu, no Brasil, um crescimento de mais de 21,7%, chegando a quase 12 milhões de domicílios. Seria interessante pensar nos fatores que ocasionaram esse crescimento, mas, agora, penso em outra questão: quais seriam as consequências desse crescimento processo de recepção de conteúdos pelos telespectadores brasileiros, considerando o espaço e os papéis das mulheres nos programas exibidos nos canais fechados? Como muita gente sabe, as séries estadunidenses, ou sitcoms, predominam na programação de boa parte desses canais fechados no Brasil, e estão cada vez mais populares entre os brasileiros.
Seria interessante, então pensar: como é representada a imagem da mulher nesses seriados? Será que a mulher brasileira (ou as mulheres brasileiras) pode se identificar com os modelos femininos propostos por essas séries?
Felizmente, há muitos estudos interessantes feitos sobre o alcance desses programas de TV no Brasil e os padrões que eles disseminam. Segundo um desses estudos (BEZERRA, 2008), mesmo nos casos em que tais seriados se dedicam a contar histórias de mulheres (nessa categoria, o famoso Sex and the City é o que primeiro me vem à mente) e suas conquistas no momento atual de avanço das lutas feministas, essas conquistas se restringem a questões da esfera privada, não representando uma grande mudança no âmbito público:
...podemos ver a representação, feita através do discurso da personagem-narradora, de uma mulher que, sim, está num momento histórico decorrente de duras conquistas, um momento em que pode expressar o que pensa sobre variados tópicos, como: sexo, trabalho, amizades, espiritualidade e casamento. No entanto, podemos concluir que essa sua atuação ainda se restringe à esfera privada, em que suas preocupações, anseios, ações e relações não estão representadas como tendo impacto no âmbito social/público, esfera que historicamente vem sendo reservada aos homens.
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| Seriado Sex and the City: questões femininas podem ser interessantes, mas se restringem à esfera privada |
É curioso pensar nessas análises dos seriados de TV levando em consideração quem é que escreve e produz esses programas. De acordo com o WGAW 2013 TV Staffing Brief, um estudo feito pelo The Writers Guild of America (sindicato que representa os escritores do setor cinematográfico e televisivo dos Estados Unidos), o grupo de profissionais que escrevem os programas de TV produzidos lá (e assistidos aqui) é constituído, predominantemente, por homens brancos. Muito pouco espaço é concedido a mulheres ou a mulheres ou homens negros no processo de produção do conteúdo que é exibido pelos canais de TV: nas temporadas 2011-2012, dos 1.722 roteiristas envolvidos na produção desses programas, apenas 519 (ou 30,5%) eram mulheres, e só 269 eram negrxs.
Além desses números, o sindicato apresentou, no estudo, uma lista de séries de TV que não incluíram roteiristas mulheres ou negrxs em suas equipes de produção:
:: Lista de programas de TV que não incluíram roteiristas mulheres na produção (temporada 2011-2012):
America’s Funniest Home Videos
Big Time Rush
Californication
Comedy Bang! Bang!
Dancing With The Stars
Eagleheart
Enlightened (Creator Mike White wrote all the episodes)
Futurama
Geniuses
Gurland On Gurland
The Insider
Kickin’ It
Locke & Key
Magic City
Psych
Teen Wolf
Veep
Workaholics I
Workaholics II
:: Lista de programas de TV que não incluíram roteiristas negrxs na produção (temporada 2011-2012):
America’s Funniest Home Videos
Anger Management
Are You Smarter Than A Fifth Grader
Baby Daddy
Best Friends Forever
Big Time Rush
Blue Mountain
State
Boss
Breaking Bad
Californication
The Client List
Comedy Bang! Bang!
Dancing With The Stars
Eastbound and Down
Enlightened (Creator Mike White wrote all the episodes)
The Firm
Free Agents
Futurama
Game of Thrones
Geniuses
A Gifted Man
Glee
Good Luck, Charlie
Gossip Girl
Gurland On Gurland
Happily Divorced
Hart of Dixie
Homeland
How To Be A Gentleman
The Insider
Jane By Design
Kickin’ It
Lab Rats
Last Man Standing
The League
Longmire
Make It Or Break It
Man Up
Mike and Molly
Napoleon Dynamite
Once Upon A Time
One Tree Hill
The Protector
Ray Donovan
Revenge
State of Georgia
Stevie TV
Two And A Half Men
Veep
Web Therapy
Weeds
Workaholics I
Workaholics II
É frustrante notar que as listas são enormes. E, mais frustrante ainda, perceber que, entre esses programas, há alguns direcionados ao público infantil ou infanto-juvenil, como Futurama e Big Time Rush.
Como se pode imaginar, uma das consequências de termos apenas roteiristas homens e brancos escrevendo os programas televisivos aos quais assistimos é a homogeneização das histórias que esses programas contam e que, obviamente, não representam a mulher brasileira. No entanto, é preciso fazer uma ressalva: um roteirista ou escritor branco pode, sim, apresentar um retrato interessante e complexo da atual situação feminina ou mesmo da cultura negra. Como escreveu Alyssa Rosenberg, esse seria o caso dos seriados Enlightened (que apresenta questões interessantes sobre o universo feminino) e Breaking Bad (que inclui em sua trama histórias interessantes de personagens negrxs). Mas isso não justifica que tais histórias sobre mulheres ou negrxs sejam sempre contadas por homens brancos. Obviamente, como bem mostrou a escritora nigeriana Chimamanda Adichie em sua palestra no TED (ver vídeo abaixo), ouvir nossa história ser contada por outros pode ser interessante e enriquecedor, mas é também importantíssimo termos o espaço para podermos contá-las por nós mesmos.
Referência bibliográfica:
BEZERRA, Fábio Alexandre Silva. Sex and the City e a representação da imagem feminina. Anais do CELSUL 2008. Disponível em: http://celsul.org.br/Encontros/08/sex_and_the_city.pdf. Acesso em: 01 abr. 2013.
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A solução não é simples. Como fazer para que as mulheres circulem de fato com segurança no espaço público? Optar por medidas paliativas, enquanto nos esforçamos para promover uma mudança de mentalidade que faça da mulher o que ela é, uma pessoa, e não mais uma presa a ser caçada? É preciso continuar ocupando o espaço, de alguma forma... Mas que estratégias e soluções contra o assédio é a violência? Deixo este post em aberto. Outras ideias?
por Barbara Falleiros
Quando, no início do mês, assistimos a mais uma grande tragédia envolvendo um ciclista em São Paulo, voltei a pensar nas dificuldades de circulação nos centros urbanos. Em São Paulo, a situação é tão caótica que até o ex-papável "não foi desta vez", dom Odilo, chegou a fazer piada: "Eu espero que o caminho do céu seja ainda mais congestionado que o de São Paulo". Nessa ditadura do automóvel e do desrespeito ao transporte coletivo e/ou sustentável, o caminho do céu acabará enfrentando um congestionamento de bicicletas...
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| Estação da Sé, em São Paulo, no horário de pico |
No Brasil, onde não há transporte público digno deste nome - como mostra bem a imagem acima -, tem-se a
impressão de que a posse de um carro garante a liberdade. Mas o irônico é que esta é uma liberdade de confinamento, liberdade de ficar parado, engarrafado, com as janelas fechadas, com medo dos que estão do lado de fora...
Para as mulheres, como sabemos, a questão é ainda mais problemática pois o espaço público, reino masculino, é hostil à sua presença. Eu já falei do assédio de rua e dos perigos que rondam a mulher que "anda sozinha", a Roberta também discutiu o assunto colocando em evidência os padrões duplos. No site das Pedalinas, o Coletivo Feminino de Ciclistas de São Paulo, há discussões sobre tipo de assédio sofrido pelas mulheres ciclistas. Lá encontramos, por exemplo, este depoimento:
A vítima do assédio e autora do post sugere um exercício interessante: fazer uma busca no Google Imagens por "mulheres bicicleta". O resultado não é muito difícil de imaginar: nos deparamos com imagens de mulheres sexualmente objetificadas, claro, com bundas, peitos, biquínis, e até mesmo uma boneca inflável... Vale uma comparação com a busca por "homens bicicleta"...
Parece bobo dizer, mas todos os entraves à circulação feminina são impedimentos à sua liberdade, no sentido mais concreto do termo. As mulheres que andam de ônibus e de metrô, como as pedestres e ciclistas, estão sujeitas a serem abordadas, constrangidas, tocadas, maculadas (literal e figuradamente). Como lembrou recentemente a Lola Aronovich, no ano passado foram denunciados sites que continham vídeos de cretinos, autointitulados "tarados do busão", que se masturbavam nos transportes lotados e ejaculavam sobre as mulheres.
Para as mulheres, como sabemos, a questão é ainda mais problemática pois o espaço público, reino masculino, é hostil à sua presença. Eu já falei do assédio de rua e dos perigos que rondam a mulher que "anda sozinha", a Roberta também discutiu o assunto colocando em evidência os padrões duplos. No site das Pedalinas, o Coletivo Feminino de Ciclistas de São Paulo, há discussões sobre tipo de assédio sofrido pelas mulheres ciclistas. Lá encontramos, por exemplo, este depoimento:
Já imaginou estar subindo uma avenida (a Sumaré, no caso), em pleno domingo, feliz e contente por ter poucos carros na rua, e perceber que um carro reduz a velocidade e sentir uma palmada bem dada na bunda, seguida de um “vaaaaai coisa gostooooosa” e várias risadas de um bando de playboys? Nunca imaginou? Nem eu. Mas isso aconteceu comigo, e o carro preto de placa 2416 e a cara do mauricinho orgulhoso de seu ato machão-ogro olhando e rindo de mim no retrovisor, eu nunca vou esquecer.
A vítima do assédio e autora do post sugere um exercício interessante: fazer uma busca no Google Imagens por "mulheres bicicleta". O resultado não é muito difícil de imaginar: nos deparamos com imagens de mulheres sexualmente objetificadas, claro, com bundas, peitos, biquínis, e até mesmo uma boneca inflável... Vale uma comparação com a busca por "homens bicicleta"...
Parece bobo dizer, mas todos os entraves à circulação feminina são impedimentos à sua liberdade, no sentido mais concreto do termo. As mulheres que andam de ônibus e de metrô, como as pedestres e ciclistas, estão sujeitas a serem abordadas, constrangidas, tocadas, maculadas (literal e figuradamente). Como lembrou recentemente a Lola Aronovich, no ano passado foram denunciados sites que continham vídeos de cretinos, autointitulados "tarados do busão", que se masturbavam nos transportes lotados e ejaculavam sobre as mulheres.
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| Campanha lançada em 2008 em Rosario, Argentina |
Seria justo termos, então, meios de locomoção dedicados exclusivamente ao sexo feminino? Muitos responderão que não. Responderão que esse tipo de medida apenas reforça a discriminação sexual. Entre esses estarão provavelmente aqueles que criticam as cotas raciais e leis como a da Maria da Penha. É que, às vezes, a divergência de opiniões parte de duas concepções distintas de igualdade: de um lado, a que entende que igualdade é oferecer o mesmo a todos independentemente do ponto de partida; de outro lado, aquela que visa a que todos alcancem um mesmo ponto de chegada.
Para o bem ou para o mal - ver a crítica no final deste post - inúmeras iniciativas de transporte feminino têm surgido em todo o mundo, dentre elas, os "táxis rosa" (sim, a associação imediata da cor rosa ao sexo feminino é questionável): o sistema surgiu em Londres em 2006 com o Pink Ladies Cab, sistema pré-pago para clientes registradas, funcionando nas noites de sexta e sábado e com veículos conduzidos por mulheres ; o serviço de táxi por mulheres e para mulheres foi exportado para Moscou, Beirute, Hebrom na Cisjordânia, Bombaim e Nova Deli, Paris, Joanesburgo, Puebla e Cidade do México, Medéllin na Colômbia, Tóquio etc.
Em algumas das cidades citadas, e em outras cidades brasileiras como Rio de Janeiro e Brasília (lei votada há pouco, em 2012 se não me engano, não sei se implementada), foram colocados em circulação vagões de metrô e de trem suburbano exclusivos para mulheres, normalmente em horário de pico. No Rio, pelo que li, a exclusividade não costuma ser respeitada pelos passageiros. Em São Paulo, a medida fora colocada em prática em 1995, houve uma tentativa de ressuscitá-la em 2005, mas recentemente o Metrô paulistano descartou a possibilidade de criação de vagões femininos por estes "infringirem o direito de igualdade entre gêneros à mobilidade livre". O problema é que a mulher não tem "mobilidade livre": vale lembrar que uma mulher a cada três dias registra queixa por abusos ocorridos dentro do metrô paulistano. Em 2012 na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, uma comerciante lançou um abaixo-assinado pela criação de uma linha de ônibus exclusiva para mulheres, na tentativa de diminuir o assédio.
Isso só para citar alguns projetos contra um problema mundial, generalizado e recorrente.
Iniciativas como as citadas são respaldadas pela ONU em seus planos de combate à violência contra mulheres e meninas, hoje fortemente ligados a uma grande campanha, ONU-Habitat, pela melhoria dos estabelecimentos humanos e pela urbanização sustentável. Essas ações, que procuram ser ao mesmo tempo afirmativas e preventivas, tem como objetivo possibilitar às mulheres que se locomovam com segurança e sem medo.
Para o bem ou para o mal - ver a crítica no final deste post - inúmeras iniciativas de transporte feminino têm surgido em todo o mundo, dentre elas, os "táxis rosa" (sim, a associação imediata da cor rosa ao sexo feminino é questionável): o sistema surgiu em Londres em 2006 com o Pink Ladies Cab, sistema pré-pago para clientes registradas, funcionando nas noites de sexta e sábado e com veículos conduzidos por mulheres ; o serviço de táxi por mulheres e para mulheres foi exportado para Moscou, Beirute, Hebrom na Cisjordânia, Bombaim e Nova Deli, Paris, Joanesburgo, Puebla e Cidade do México, Medéllin na Colômbia, Tóquio etc.
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| Táxi rosa de Puebla |
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| Vagões para mulheres na Índia |
Isso só para citar alguns projetos contra um problema mundial, generalizado e recorrente.
Iniciativas como as citadas são respaldadas pela ONU em seus planos de combate à violência contra mulheres e meninas, hoje fortemente ligados a uma grande campanha, ONU-Habitat, pela melhoria dos estabelecimentos humanos e pela urbanização sustentável. Essas ações, que procuram ser ao mesmo tempo afirmativas e preventivas, tem como objetivo possibilitar às mulheres que se locomovam com segurança e sem medo.
Um sistema de transporte público seguro para mulheres é importante porque lhes permite circular livremente pela cidade, sem medo. Por falta de medidas de segurança eficazes, as mulheres são obrigadas a adotar diferentes comportamentos defensivos como, por exemplo, usar roupas "apropriadas" nos transportes públicos, viajar em grupos, subir apenas em vagões de metrô e ônibus que não estão lotados, ignorar o assédio verbal e sexual, gritar para pedir ajuda, carregar na roupa agulhas e alfinetes como armas de defesa, manter-se contra uma janela ou no fundo do veículo, evitar pegar táxis sozinha e abster-se de viajar em veículos ocupados apenas por homens (Kunieda e Gauthier, 2003, 14). Estas medidas defensivas são um pesado fardo adicional para as mulheres e as privam de seu direito de livre acesso à cidade. (ONU Mulheres)
Além dos vagões exclusivos, a ONU propõe outras estratégias de melhoria do transporte público, levando em conta as especificidades de gênero, como: possibilidade de a mulher pedir para descer do ônibus mais perto do seu destino, de manhã cedo ou à noite; instalação de serviços de prevenção da violência e de atendimento de vítimas nas estações de metrô; calçadas suficientemente iluminadas; instalação de ciclovias; tarifas abordáveis.
Porém, em relação aos vagões para mulheres, há quem critique a medida com argumentos de peso, como a professora e socióloga Bila Sorj. Para ela:
A questão é: por que os homens se sentem tão livres para assediar as mulheres? A medida admite implicitamente que o assédio é um impulso irresistível dos homens (...). E pressupõe que o que se pode fazer, então, é proteger as mulheres com vagões exclusivos. (...) Esta lei reforça a ideia da fragilidade das mulheres, como se elas fossem seres que não pudessem se defender. Segregar reforça uma série de estereótipos masculinos e femininos que têm colocado a mulher numa condição de subordinação. A solução seria alterar os valores de uma masculinidade que supõe que os homens são livres para assediar as mulheres. Isso passa por políticas públicas, que constituam a conduta como crime moralmente condenável e facilitem às mulheres a denúncia desses casos.
A solução não é simples. Como fazer para que as mulheres circulem de fato com segurança no espaço público? Optar por medidas paliativas, enquanto nos esforçamos para promover uma mudança de mentalidade que faça da mulher o que ela é, uma pessoa, e não mais uma presa a ser caçada? É preciso continuar ocupando o espaço, de alguma forma... Mas que estratégias e soluções contra o assédio é a violência? Deixo este post em aberto. Outras ideias?
31 de março de 2013
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Anônimo
A família do meu marido é de origem alemã, eles são todos assim, usando um termo correto, robustos. Sinceramente, não ligo, como dizem por aí: quem gosta de osso é revista de moda, porque nem cachorro gosta, prefere carne, mas enfim.
A minha sogra tem uma predileção nem um pouco velada pelo meu marido, em detrimento de minha cunhada, irmã mais nova dele. Isso fica muito claro nos comentários sobre a aparência física dos dois.
Olhando para os dois irmãos, os médicos e o senso comum diriam que eles estão ambos acima do peso, embora, como já disse, os acho bem agradáveis aos olhos. Mas quando minha sogra vai comentar ela diz: Meu filho, lindo, tão forte. E para a menina: para de comer, você está gorda!
Sério, eles são do mesmo tamanho! Vai entender...
29 de março de 2013
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Não, Marco Feliciano ainda não renunciou à Presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDHM) da Câmara. Digo 'ainda' porque o cerco está cada vez mais fechado, com manifestações da sociedade civil, artistas, políticos, ONGs e até funcionárixs da Câmara, e parece só questão de tempo até que Feliciano caia. Ênfase no 'parece', pois, onde se nomeia alguém respondendo a um processo por homofobia para presidir uma comissão de direitos humanos, tudo pode acontecer.
Se analisarmos xs integrantes da Comissão de Direitos Humanos (a lista está disponível aqui, no site oficial da Câmara, para qualquer umx ver), as vagas ocupadas pelo Pastor Feliciano e pela Vice-Presidente, Antônia Lucélia, não foram originalmente destinadas ao PSC, e sim ao PMDB.
É preciso que isso seja enfatizado, até mesmo para cobrar do PMDB a responsabilidade que lhe cabe e exigir prestação de contas: Por que o PMDB abriu mão dessas vagas? Afinal, não fosse essa jogada inicial, não haveria polêmica para início de conversa.
Outro nome que salta aos olhos na lista dos membros da Comissão é o de Jair Bolsonaro, suplente de uma vaga em aberto (se é que isso faz sentido). Então fica claro que o buraco é muito mais embaixo: não só temos um Presidente que é acusado de discurso de ódio contra minorias, mas também um membro que é abertamente a favor do uso de tortura. Uma comissão de direitos humanos composta por homofóbicos, misóginos, racistas e torturadores é muito mais que ironia, é circo tragicômico.
Uma segunda pergunta pertinente é com relação ao PT, que, afinal, estava ocupando a Presidência da CDHM e tem outras iniciativas, como a Comissão da Verdade, intimamente ligadas à questão dos direitos humanos: Por que aceitar a barganha de cargo?
Domingos Dutra responde:
por Roberta Gregoli
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| Feliciano é só a ponta do iceberg |
Não, Marco Feliciano ainda não renunciou à Presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDHM) da Câmara. Digo 'ainda' porque o cerco está cada vez mais fechado, com manifestações da sociedade civil, artistas, políticos, ONGs e até funcionárixs da Câmara, e parece só questão de tempo até que Feliciano caia. Ênfase no 'parece', pois, onde se nomeia alguém respondendo a um processo por homofobia para presidir uma comissão de direitos humanos, tudo pode acontecer.
A atuação da sociedade civil tem sido exemplar e demonstra vividamente sua capacidade de organização, apesar do que proclamam xs resignadxs em tom blasé. No entanto, apesar da abundância de informações, é raro encontrar uma análise de maior profundidade sobre o tema. A maioria dos textos batem na já conhecida tecla da incongruência do pastor para o cargo - não que isso deva ser tomado levemente, mas o fato é que, ainda que Feliciano caia, os problemas relacionados à CDHM não estarão resolvidos.
Feliciano é sintoma, não causa. E sintoma não somente dos posicionamentos reacionários e retrógrados de uma parcela da população como também do achatamento da discussão. Como temos observado, centralizar o debate num único indivíduo é um poderoso mecanismo de canalização da ação social, mas é também inevitavelmente reducionista.
A Maíra já começou a questionar os diversos fatores envolvidos e eu quero continuar avançando a discussão para além da demonização de uma única figura, que não passa da ponta de um iceberg sobre o qual muito pouco se fala.
Primeiramente, se Feliciano sair, o prospecto imediato está longe de otimista. A Vice-Presidente da Comissão responde a diversos processos no STF bem como todxs xs outrxs possíveis substitxs. E todxs são do Partido Social Cristão (PSC). Líderes religiosos não representam uma ameaça aos direitos humanos necessariamente, como lembrado pelo próprio Marco Feliciano ao se comparar, num delírio de grandeza, a Martir Luther King Jr. O problema é a sobre-representação de um partido, sobretudo de um partido religioso, se o princípio for o da laicidade do Estado. Como explica Domingos Dutra:
E essenciais na vida da democracia. Nesse sentido, o slogan "Feliciano não me representa" é brilhante porque contesta a validade democrática da eleição pro forma que levou Marco Feliciano à Presidência da Comissão.
Apesar de ter quem diga que a CDHM 'caiu' nas mãos do PSC, ela é uma comissão estratégica para o partido, pois é potencial veículo para mudanças que são difíceis para alguns evangélicos engolir. Além do crescente apoio popular à PEC do casamento igualitário e da recente ampliação dos direitos reprodutivos das mulheres para abranger a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, este mês o Conselho Federal de Medicina, em resolução inédita, apoiou a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gravidez. Ainda que caminhemos em direção ao Estado laico com vagar, a bancada evangélica tem lá suas razões para se preocupar.
O que escapa ao sensacionalismo da maioria das notícias sobre o assunto é que os cargos nas comissões da Câmara são concedidos por meio de acordos prévios, ou seja, barganhas políticas. É por isso que existe um fundo de verdade na acusação que Feliciano fez à Veja, dizendo que a renúncia de Domingos Dutra (antecessor do PT na Presidência da CDHM) foi um teatro. Tendo visto o vídeo da renúncia e o histórico de Dutra, é pouco provável que sua comoção tenha sido encenada, mas quando Feliciano declara que "foi um acordo partidário" e "acordo partidário não se quebra nessa Casa", ele tampouco está mentindo.
Feliciano é sintoma, não causa. E sintoma não somente dos posicionamentos reacionários e retrógrados de uma parcela da população como também do achatamento da discussão. Como temos observado, centralizar o debate num único indivíduo é um poderoso mecanismo de canalização da ação social, mas é também inevitavelmente reducionista.
A Maíra já começou a questionar os diversos fatores envolvidos e eu quero continuar avançando a discussão para além da demonização de uma única figura, que não passa da ponta de um iceberg sobre o qual muito pouco se fala.
Primeiramente, se Feliciano sair, o prospecto imediato está longe de otimista. A Vice-Presidente da Comissão responde a diversos processos no STF bem como todxs xs outrxs possíveis substitxs. E todxs são do Partido Social Cristão (PSC). Líderes religiosos não representam uma ameaça aos direitos humanos necessariamente, como lembrado pelo próprio Marco Feliciano ao se comparar, num delírio de grandeza, a Martir Luther King Jr. O problema é a sobre-representação de um partido, sobretudo de um partido religioso, se o princípio for o da laicidade do Estado. Como explica Domingos Dutra:
O PSC, que tem 17 deputados na Câmara, tem oito deputados na comissão, entre titulares e suplentes. O PT, que tem 90 deputados, tem quatro deputados na comissão. Na hora que a comissão é de um só partido acabou a diversidade, acabou a pluralidade, que são essenciais na vida desta comissão.
E essenciais na vida da democracia. Nesse sentido, o slogan "Feliciano não me representa" é brilhante porque contesta a validade democrática da eleição pro forma que levou Marco Feliciano à Presidência da Comissão.
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| Veja os dados aqui |
Apesar de ter quem diga que a CDHM 'caiu' nas mãos do PSC, ela é uma comissão estratégica para o partido, pois é potencial veículo para mudanças que são difíceis para alguns evangélicos engolir. Além do crescente apoio popular à PEC do casamento igualitário e da recente ampliação dos direitos reprodutivos das mulheres para abranger a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, este mês o Conselho Federal de Medicina, em resolução inédita, apoiou a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gravidez. Ainda que caminhemos em direção ao Estado laico com vagar, a bancada evangélica tem lá suas razões para se preocupar.
O que escapa ao sensacionalismo da maioria das notícias sobre o assunto é que os cargos nas comissões da Câmara são concedidos por meio de acordos prévios, ou seja, barganhas políticas. É por isso que existe um fundo de verdade na acusação que Feliciano fez à Veja, dizendo que a renúncia de Domingos Dutra (antecessor do PT na Presidência da CDHM) foi um teatro. Tendo visto o vídeo da renúncia e o histórico de Dutra, é pouco provável que sua comoção tenha sido encenada, mas quando Feliciano declara que "foi um acordo partidário" e "acordo partidário não se quebra nessa Casa", ele tampouco está mentindo.
Se analisarmos xs integrantes da Comissão de Direitos Humanos (a lista está disponível aqui, no site oficial da Câmara, para qualquer umx ver), as vagas ocupadas pelo Pastor Feliciano e pela Vice-Presidente, Antônia Lucélia, não foram originalmente destinadas ao PSC, e sim ao PMDB.É preciso que isso seja enfatizado, até mesmo para cobrar do PMDB a responsabilidade que lhe cabe e exigir prestação de contas: Por que o PMDB abriu mão dessas vagas? Afinal, não fosse essa jogada inicial, não haveria polêmica para início de conversa.
Outro nome que salta aos olhos na lista dos membros da Comissão é o de Jair Bolsonaro, suplente de uma vaga em aberto (se é que isso faz sentido). Então fica claro que o buraco é muito mais embaixo: não só temos um Presidente que é acusado de discurso de ódio contra minorias, mas também um membro que é abertamente a favor do uso de tortura. Uma comissão de direitos humanos composta por homofóbicos, misóginos, racistas e torturadores é muito mais que ironia, é circo tragicômico.
Uma segunda pergunta pertinente é com relação ao PT, que, afinal, estava ocupando a Presidência da CDHM e tem outras iniciativas, como a Comissão da Verdade, intimamente ligadas à questão dos direitos humanos: Por que aceitar a barganha de cargo?
Domingos Dutra responde:
[N]a bancada do PT, o líder escolheu outras comissões que na avaliação do partido, eram mais importantes que a de Direitos Humanos. O PT não quis esta Comissão, o que foi um erro. E as consequências estão aí. Por outro lado, a liderança do PMDB também agiu. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi o grande arquiteto desse resultado
[Declaração de Dutra na melhor reportagem que li sobre o assunto]
A renúncia de Domingos Dutra, então, pode ser vista como um ato de repúdio não somente à nomeação de Feliciano e ao fato da votação ter se dado de portas fechadas, mas também ao acordo partidário que desencadeou esse desfecho. Dutra, aliás, está migrando para a Rede de Marina Silva, justamente por não concordar com as alianças do PT no Maranhão.
Com base nessa sucessão de equívocos que resultou no circo que agora vemos, a articulação da sociedade civil tem que se focar numa demanda mais ampla, pela total reformulação da Comissão. A exigência tem que ser a de uma nova composição, excluindo totalmente figuras com histórico contrário à dignidade da pessoa humana, como Feliciano e Bolsonaro, e atentando para a proporcionalidade partidária e de interesses, de maneira que exista representatividade de fato. Aí sim, poderemos chamá-la de democrática.
O poder da sociedade civil está comprovado, mas, para garantir que essa incrível série de manifestações não passe de um modismo passageiro e infecundo, é preciso levar em conta o panorama no qual a CDHM está inserida. Somente a partir de um debate mais profundo será possível engendrar mudanças de real impacto, para que os direitos humanos sejam tratados com a seriedade que merecem, num país que claramente ainda não superou sua recente história de autoritarismo e violência - história da qual a atual Comissão de Direitos Humanos é reprodução e reprodutora.
O poder da sociedade civil está comprovado, mas, para garantir que essa incrível série de manifestações não passe de um modismo passageiro e infecundo, é preciso levar em conta o panorama no qual a CDHM está inserida. Somente a partir de um debate mais profundo será possível engendrar mudanças de real impacto, para que os direitos humanos sejam tratados com a seriedade que merecem, num país que claramente ainda não superou sua recente história de autoritarismo e violência - história da qual a atual Comissão de Direitos Humanos é reprodução e reprodutora.
Agradecimentos à Priscilla Santos pelo debate animado que resultou em importantes contribuições para este texto.
27 de março de 2013
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Roberta
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por Tággidi Ribeiro
Vale a pena ler o texto abaixo. É a resposta de Matt Dillahunt, do Atheist Experience, a uma de suas espectadoras cristãs. Todos sabem que sou ateia, mas definitivamente não importa se deus (ou deuses) existe(m) ou não. Provar isso não é uma bandeira minha. O que nos incomoda a todos, inclusive a muitos dos que creem em um deus, é a sanha totalitária de muitas religiões, que tentam nos coagir a viver sob seus dogmas. Em tempos de Franciscos e Felicianos, que reservam à mulher o mesmo espaço já conhecido da casa, o mesmo lugar já conhecido - abaixo do homem, em todas as instâncias da vida; que num mundo de 7 BILHÕES de pessoas insuflam o ódio aos homossexuais dizendo que por causa deles a humanidade corre perigo; que tentam resgatar antigos preconceitos contra negros, precisamos nos posicionar incansavelmente pelo direito à dissidência. Por que não poderíamos nos haver com deus depois? Não nos foi reservado o livre arbítrio? Enfim, espero que a fala abaixo os faça refletir sobre a minha e sobre a sua liberdade. O vídeo está no final do post. E aqui tem também o ótimo post da Mazu sobre o (in)Feliciano.
"O que ela (espectadora) escreveu foi: 'Eu não quero viver em um mundo onde os poderosos impõem suas más intenções às massas e não encaram nenhum tipo de consequência. Sem Deus, os homens escapam muito facilmente da justiça humana. Eu não engulo com isso.' Ela também abordou a pedofilia, pelo que percebi, porque alguém falou sobre padres pedófilos para ela. 'Então, você sabe, pedofilia é imoral mas há pedófilos que escapam da justiça humana e portanto é bom saber que a justiça de Deus vai eventualmente pegá-los.' Essa é a base do porquê ela acredita, então aqui está a minha resposta: O mundo onde você quer viver não tem base no mundo onde você de fato vive. Se essa é sua principal objeção às visões de mundo que não incluem justiça cósmica, me perdoe o comentário condescendente, você realmente não entende do que você está falando. A vida não é justa e o desejo de justiça que você expressa é um pensamento-chave da maior parte das religiões.
Todos sabemos que o bem muitas vezes não é premiado e o mal segue impune, então os que esperam justiça criaram uma saída para não se atolar em depressão e evitar encarar a aspereza de uma realidade indiferente. Seja céu e inferno, ou Karma ditando infinitas reencarnações, todas as religiões servem ao mesmo propósito. Alguns de nós preferem encarar a realidade, alguns de nós percebem que não há uma boa razão para crer que o universo não seja nada senão indiferente à nossa existência e aos nossos conceitos de bem e mal. Algumas pessoas percebem que lidar com a realidade em termos 'reais' é a única forma de 'realmente' melhorar a situação.
A vida não é justa. E é de fato reconfortante pensar sobre isso. Se a vida fosse justa, isso seria dizer que você é merecedor das coisas ruins que acontecem com você. E aqueles que se beneficiam de más ações seriam iguais merecedores. Perceber que não há razão para esperar justiça é o que assegura fazer coisas que imponham justiça. Perceber que o bem não é sempre recompensado é o que nos guia a premiar o bem quando o vemos. Perceber que o mal não é sempre punido é o que nos guia a trabalhar juntos como sociedade cooperativa, lidando com nossos problemas coletiva mas também individualmente, de uma forma que encoraje mudanças reais e que, esperamos, minimize ações prejudiciais. Perceber que a justiça não é garantida nos permite apreciar quando ela se realiza e assegurar que se realize em uma base regular. Sua visão particular do conceito de 'deus de justiça' representa o máximo da irresponsabilidade e da injustiça.
A religião que você escolheu nos considera pecadores ao nascer, culpados antes de dar o primeiro suspiro, responsável por coisas que nunca fizemos. Essa religião oferece perdão instantâneo e não merecido para os crimes mais horríveis e pune com pena eterna pessoas cujo único crime é a descrença.
Todos sabemos que o bem muitas vezes não é premiado e o mal segue impune, então os que esperam justiça criaram uma saída para não se atolar em depressão e evitar encarar a aspereza de uma realidade indiferente. Seja céu e inferno, ou Karma ditando infinitas reencarnações, todas as religiões servem ao mesmo propósito. Alguns de nós preferem encarar a realidade, alguns de nós percebem que não há uma boa razão para crer que o universo não seja nada senão indiferente à nossa existência e aos nossos conceitos de bem e mal. Algumas pessoas percebem que lidar com a realidade em termos 'reais' é a única forma de 'realmente' melhorar a situação.
A vida não é justa. E é de fato reconfortante pensar sobre isso. Se a vida fosse justa, isso seria dizer que você é merecedor das coisas ruins que acontecem com você. E aqueles que se beneficiam de más ações seriam iguais merecedores. Perceber que não há razão para esperar justiça é o que assegura fazer coisas que imponham justiça. Perceber que o bem não é sempre recompensado é o que nos guia a premiar o bem quando o vemos. Perceber que o mal não é sempre punido é o que nos guia a trabalhar juntos como sociedade cooperativa, lidando com nossos problemas coletiva mas também individualmente, de uma forma que encoraje mudanças reais e que, esperamos, minimize ações prejudiciais. Perceber que a justiça não é garantida nos permite apreciar quando ela se realiza e assegurar que se realize em uma base regular. Sua visão particular do conceito de 'deus de justiça' representa o máximo da irresponsabilidade e da injustiça.
A religião que você escolheu nos considera pecadores ao nascer, culpados antes de dar o primeiro suspiro, responsável por coisas que nunca fizemos. Essa religião oferece perdão instantâneo e não merecido para os crimes mais horríveis e pune com pena eterna pessoas cujo único crime é a descrença.
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| Somos todos humanos. |
Essa religião defende a escravidão, deprecia mulheres, amaldiçoa homossexuais, ordena o apedrejamento de crianças desobedientes, sanciona guerras e extermínios, desculpa sacrifício humano e envenena toda mente que toca. Ela inclui somente um crime imperdoável: não crer. Isso é justo? A 'justiça' que você admira não é justiça, é decreto divino, é arbitrária, caprichosa e, no fim das contas, injusta e imoral.
Sim, eu sei que há pedófilos por aí que escaparam de nossa justiça falha. Você percebe que o seu sistema diz que todos eles são elegíveis a um paraíso eterno? Como isso redireciona sua objeção? Sob as leis do cristianismo, o pedófilo que escapou da justiça aqui pode também escapar da justiça definitiva. Sob as leis do cristianismo, ele talvez viva eternamente no paraíso, enquanto alguém que passou a vida toda fazendo o bem, ajudando os outros e contribuindo de maneira positiva, na única vida que temos certeza que teremos, no final é julgado indigno desse prêmio. Não se engane: você não aceitou um senso cósmico de justiça que alivia o problema. Você aceitou um que alivia o problema para você. É uma justificativa egoísta que não demonstra preocupação com questões de justiça. É o pico da arrogância e do seu desejo de se sentir especial porque 'alguém lá em cima' acha que você é especial.
De acordo com o paradigma que você defende, 'ele' acha que qualquer um que o adore é especial, sem preocupação com justiça ou caráter. Vá, leia Romanos. Ninguém fala desse ponto mais claramente que Paulo. A Lei foi estabelecida com pleno conhecimento de que ninguém seria apto a cumpri-la. Ela foi estabelecida para demonstrar essa incapacidade e nos trazer a danação depois. E então se estabeleceu um escape para que algumas passassem, independentemente de suas posturas em relação a essa Lei. Sua religião a fez escrava. Fez com que não se preocupasse. Fez você apoiar a imoralidade e a injustiça, enquanto afirma que decretos arbitrários e escapes contam igualmente. É uma mentira repreensível, que a envenena e a impede de entender a realidade. Quando as grades caírem dos seus olhos como aconteceu com muitos de nós, estaremos aqui e você vai perceber que não está sozinha. E não tem culpa."
Sim, eu sei que há pedófilos por aí que escaparam de nossa justiça falha. Você percebe que o seu sistema diz que todos eles são elegíveis a um paraíso eterno? Como isso redireciona sua objeção? Sob as leis do cristianismo, o pedófilo que escapou da justiça aqui pode também escapar da justiça definitiva. Sob as leis do cristianismo, ele talvez viva eternamente no paraíso, enquanto alguém que passou a vida toda fazendo o bem, ajudando os outros e contribuindo de maneira positiva, na única vida que temos certeza que teremos, no final é julgado indigno desse prêmio. Não se engane: você não aceitou um senso cósmico de justiça que alivia o problema. Você aceitou um que alivia o problema para você. É uma justificativa egoísta que não demonstra preocupação com questões de justiça. É o pico da arrogância e do seu desejo de se sentir especial porque 'alguém lá em cima' acha que você é especial.
De acordo com o paradigma que você defende, 'ele' acha que qualquer um que o adore é especial, sem preocupação com justiça ou caráter. Vá, leia Romanos. Ninguém fala desse ponto mais claramente que Paulo. A Lei foi estabelecida com pleno conhecimento de que ninguém seria apto a cumpri-la. Ela foi estabelecida para demonstrar essa incapacidade e nos trazer a danação depois. E então se estabeleceu um escape para que algumas passassem, independentemente de suas posturas em relação a essa Lei. Sua religião a fez escrava. Fez com que não se preocupasse. Fez você apoiar a imoralidade e a injustiça, enquanto afirma que decretos arbitrários e escapes contam igualmente. É uma mentira repreensível, que a envenena e a impede de entender a realidade. Quando as grades caírem dos seus olhos como aconteceu com muitos de nós, estaremos aqui e você vai perceber que não está sozinha. E não tem culpa."
O que eu espero, do fundo do coração, é que, com deus ou sem deus, as pessoas se guiem por aquilo que abarca a todos: nossa condição humana e viva, igual em importância desde nosso primeiro até nosso último suspiro. Espero que deixemos de justificar, por deuses ou partidos, atrocidades - como fizemos tantas vezes ao longo do século XX, ao longo da história, e continuamos a fazer.
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