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Razões para não casar


por Tággidi Ribeiro

Este post é um exercício parafrástico e paródico. Tem como base um top 10 da revista Alfa que elenca motivos para que os homens não se casem. Não sou contra o casamento, nem entusiasta. A mídia, no entanto, diz às mulheres que é necessário casar (elas querem), enquanto diz aos homens que devem fugir de compromisso (eles odeiam) - então, bem, a mídia como que prepara a infelicidade das pessoas (o que serve para o que eu disse nesse outro post).

10 razões para não casar
Você sonha em casar, mas está realmente pronta para esse compromisso? Subvertidas vai ajudá-la a entender porque é melhor ficar solteira.

1. Ele vai ficar gordo
Ele vai ficar gordo, careca e se jogar sem camisa no sofá com uma lata de cerveja enquanto assiste ao futebol. Ainda assim, se você engordar (e você vai, porque todo mundo engorda com o passar do tempo), é ele quem vai te deixar. É necessário mesmo listar outras nove razões para não casar?

2. Casamento acaba com as suas opções
Você, mulher que trabalha, bem sucedida na carreira, que aprendeu com os homens que é mais fácil conseguir sexo com gente mais jovem e com pouco dinheiro - você vai perder suas opções fáceis se casar! O office-boy da empresa, o motoboy da empresa, o auxiliar administrativo da empresa... esse cardápio vai ficar de fora da sua dieta. Afinal, não 'pega bem' uma senhora trair o marido. Sorry.

3. Casamento custa caro
Puxa vida, você ganha 30% menos que os homens para exercer uma mesma função e ainda quer casar? Sério mesmo? E vai querer dividir a conta da festa com o noivo, né? Tsc, tsc, tsc...

4. No fim, casamento é só um papel
Se você o assina, seu parceiro fica gordo e preguiçoso, suas opções fáceis de sexo/traição acabam e você ainda perde um dinheirão. Se você não o assina, todos os grandes problemas de um relacionamento duradouro desaparecem.

5. Casamento acaba com a espontaneidade
Isso é muito sério: o casamento faz todos os homens virarem máquinas. Esqueça as flores e os bombons, aqueles presentes tão espontâneos e originais que você costumava receber. O sexo, que antes era puro fogo e paixão, incrementado pela imaginação aparentemente infinita do seu parceiro, passa a ter hora marcada (e vocês ainda discutem o preço do motel).

6. Casamento é compromisso constante
A vida deve ser bem vivida, mas é um pouco difícil quando você passa metade do seu tempo fazendo o que ele quer. No casamento você concorda não só nas pequenas decisões do dia a dia, mas também no modo de vida - até mesmo onde aplicar aquele dinheiro que poderia ser muito bem gasto em uma grande viagem para Vegas, Nova York ou Paris mas, no fim, vai para a poupança das crianças.

7. Casamento é o fim do sexo de qualidade
Ainda vai haver sexo, às vezes. Talvez nos aniversários ou em uma ou outra comemoração. Porém, as transas vão ser nos mesmos lugares, na mesma posição (papai e mamãe sim ou com certeza?). Alguns casais podem tentar variar, mas será por pouco tempo. Quando a gente não é casada, as transas são constantes e a qualidade é garantida. O casamento é a treva do sexo com prazer.

8. Normalmente, casamentos falham
Depois que esse governo antifamília fez uma lei que facilita o divórcio, então... Depois da aprovação da lei, o número de divórcios subiu 109%, em um ano, em São Paulo e Belo Horizonte. Levando em consideração também que, em mais de 70% dos casos, é você quem vai pedir pra sair, porque entrar na brincadeira?

9. Casamento não permite mais assumir riscos
A vida envolve se jogar para desafios e correr riscos. Se cair ou falhar, você assume a responsabilidade. No entanto, casada, é preciso pensar duas vezes. Você não pode arriscar a vida, dinheiro, saúde de outra pessoa, certo? Casamento significa pensar para o bem de duas pessoas. E justamente isso pode atrasar decisões importantes na sua vida. Eu sei que agora você deve estar se perguntando porque ninguém nunca tinha dito isso antes. Só falam pra você como é mágico ser pedida de joelhos em casamento e depois entrar toda princesa, de branco, na igreja.

10. Casamento é para sempre
Pense na mulher que você era há alguns anos. Pense de novo e analise como a sua vida está diferente. Agora, tente se ver em dez anos: você pode continuar parecida, mas seus gostos mudaram, seus sentimentos e emoções. Você consegue imaginar um homem ao seu lado? Sem riscos, sem viagens de fim de semana de última hora, sem dinheiro mal gasto, com filhos e ainda fazendo todo o trabalho doméstico. Mas com sexo (sem qualidade) sempre que quiser (e ele consentir e/ou quiser também), até o fim dos seus dias. Até que a morte os separe. Sim. Você pode beijar o noivo.




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Quem precisa do feminismo


por Roberta Gregoli

Há algum tempo, surgiu na rede uma ideia maravilhosa, o projeto Who needs feminism? Há poucos meses, a iniciativa tomou forma também aqui no Brasil, com o tumbl Quem precisa do feminismo? A ideia é enviar fotos de pessoas comuns que se sentem inspiradas pelo feminismo ou, mais do que isso, sentem que o feminismo é necessário para suas vidas e para a vida em sociedade. Acessem o link para ver as lindas declarações de mulheres, garotas, garotos e homens.


Preciso do feminismo porque não estou
"de TPM", esta é a minha personalidade
Eu preciso do feminismo para que mulheres sejam ouvidas, para que o gênero não tenha nenhuma influência no que uma pessoa tem a dizer; preciso do feminismo para que mulheres e homens sejam julgados pelos mesmos padrões, não por padrões duplos aleatórios; preciso do feminismo para ter direitos iguais, salários iguais, obrigações iguais; preciso do feminismo para que mulheres sejam respeitadas, não cantadas; para que mulheres não coloquem seu futuro, aspirações e desejos em segundo plano para estar com um homem; para que mulheres saiam de relações violentas, para que não existam mais relações violentas; preciso do feminismo para que mulheres e homens realizem o seu potencial completo, independente de sexo, gênero ou orientação sexual.

Preciso do feminismo porque padrões duplos são injustos e degradantes

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Conceitos importantes - sobre a possibilidade de sentido em Feminazi

por Mazu


Sinceramente, considero a desinformação e a ignorância duas das piores pragas da humanidade. Então, resolvi fazer um post informativo sobre alguns conceitos:

Dicionário Houaiss:
Feminismo
1    doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade
2    Derivação: por metonímia.
movimento que milita neste sentido
3    Derivação: por extensão de sentido.
teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos
4    Derivação: por metonímia.
atividade organizada em favor dos direitos e interesses das mulheres

Nazismo
1  doutrina e partido do movimento nacional-socialista alemão fundado e liderado por Adolph Hitler (1889-1945); hitlerismo, nacional-socialismo

Números:
Líderes mulheres no nazismo: 0
Número de mortos pelo nazismo: ainda não se sabe ao certo, mas a estimativa está por volta dos 9 milhões.
Número de mortos pelo feminismo: 0

Características:
Papel das mulheres para os nazistas: gerar filhos arianos saudáveis
Papel das mulheres para os feministas: basicamente, o que elas quiserem
Personagem do Nazismo: Hitler
Personagem do Feminismo: como é uma luta coletiva nunca conseguiremos citar um nome só. O feminismo tem personagens e milhares.

Relações históricas possíveis entre o feminismo e o nazismo:




As discussões internéticas cansam a gente a vida inteira porque muitos desses conceitos são idiotamente usados.

Quero dizer que, basicamente, chamar de nazista quem discorda de você é tipo xingar a mãe, sabe? Ir embora com a bola porque está perdendo, é, no mínimo, besta e superficial.  

Não defendemos uma supremacia do feminino sobre o masculino, a gente quer isonomia e respeito, o que a gente obviamente não tem. Vide todo este blog e tudo o mais no mundo. Isso não tem nada que ver com nazismo. Agora, se me permitem o adendo, o nazismo foi um movimento machista. Claro que nem todo machista é nazista, mas todo nazista é machista, perceba.

O ponto todo deste post é que Feminazi não é um termo possível e nem engraçado, é um termo que deixa absolutamente claro como algumas pessoas devem voltar para a escola. Simples assim. Homenagem a tais pessoas, vinda diretamente de seu ídolo:

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Uma cabeça no meio da praça e outras histórias de horror e honra


por Barbara Falleiros

Há alguns dias, na Turquia, uma cabeça humana foi arremessada no meio da praça de um vilarejo da província de Isparta. Pouco tempo antes, uma mulher de 26 anos, já mãe de duas crianças e então grávida de 5 meses, entrara na justiça com um pedido de aborto tardio. Ela revelara que o bebê era fruto de meses de violência e chantagem: seu agressor - um conhecido - aproveitara-se da ausência de seu marido, tirara fotos dela nua e ameaçara enviá-las à sua família, obrigando-a a manter relações sexuais com ele. Ele também ameaçara matar seus filhos. 

Yalvac na Turquia
Chega de violência contra as mulheres
As estatísticas da violência contra as mulheres na Turquia são preocupantes. Cerca de 42% das mulheres maiores de 15 anos (a porcentagem sobe para 47% nas zonas rurais) sofreram em algum momento da vida violência física ou sexual da parte de seu esposo ou companheiro, segundo a ONG Human Rights Watch (dados de 2009). Em 2004, a Anistia Internacional  já publicara um relatório sobre a situação das mulheres vítimas de violência no país, especificamente no âmbito familiar. Estimava-se então que entre um terço e a metade das mulheres turcas sofriam violência física em casa: eram espancadas, violentadas, assassinadas ou levadas a se suicidarem.  Em 2002, dois irmãos de 16 e 23 anos assassinaram a própria irmã, divorciada, porque ela chegava tarde em casa: "Nós lavamos nossa honra e não nos arrependemos de nada". Em 2009, uma jovem de 14 anos foi sequestrada a caminho do supermercado e violentada durante 4 dias. Ela conseguiu escapar. Sua família, porém, considerando que o que acontecera sujara a honra de todos, decidiu matá-la: ela foi estrangulada pelo pai. Em 2010, no sudeste do país, uma jovem de 16 anos, suspeita de "frequentar homens", foi enterrada viva pela sua família. Este tipo de violência familiar, diga-se de passagem, não atinge somente mulheres: há somente 3 dias, um adolescente foi assassinado com 14 tiros pelo pai e pelo tio, que suspeitavam da sua homossexualidade.

 ("A mão que bate também acalma. Um tapa ou dois não é motivo para fugir." - Die Fremde, 2010)
 
A honra. O que implica esta noção e como ela participa dos mecanismos da violência? Ninguém tem dúvidas quanto à extrema complexidade do tema, mas tentarei retomar aqui - bem modestamente - algumas ideias de Pinar Selek, uma socióloga e militante feminista turca (exilada). Estudando a construção da masculinidade na Turquia e o papel do sistema militarista na construção dos gêneros, ela mostrou como o Estado, através do exército, instrumentaliza o termo "honra" associando-o ao patriotismo. "O homem aprende a combater no serviço militar, não somente contra o inimigo, para salvar a honra do Estado, mas também contra todos que ameaçam a sua honra masculina e a de seu pequeno reinado: a família". Com as mudanças sociais, sobretudo com o movimento de liberação das mulheres, "os homens que temem perder seu status, os que se sentem fracos, tentam recuperar sua honra masculina através da violência que aprenderam desde a infância e que sistematizaram no serviço militar. (...) As estatísticas nos dizem que a maior parte das mulheres assassinadas por homens são aquelas que tinham largado estes homens ou estavam prestes a fazê-lo".

Nevin Yildirim, grávida de seu agressor
Mas voltemos a Yalvac e à cabeça exibida em praça pública como símbolo da honra vingada. Se tantos homens no país assassinam as mulheres vítimas de violência, fazendo recair sobre elas a responsabilidade pela desonra, neste caso, com uma facada na barriga, dez tiros (a maior parte nos genitais) e uma cabeça decepada, eis que a vítima se transformou em heroína tarantinesca... A jovem Nevin Yildirim, após assassinar seu agressor Nurettin Gider, disse:

"Aqui está a cabeça daquele que colocou em jogo a minha honra. Agora ninguém mais poderá fazê-lo. Eu lavei minha honra. As pessoas falarão dos meus filhos como os filhos de uma mulher que lavou sua honra."

A dimensão do gesto de Nevin Yildirim só pode ser entendida dentro do contexto dos crimes de honra praticados no país.  É claro que seu ato, tomado objetivamente ou isoladamente, reúne uma série de elementos de horror. Mas  não o vejo como sendo simplesmente um extremo ato de desespero. A honra é uma construção social determinada pelas relações de poder. Ao assassinar seu agressor, Nevin agiu de acordo com o mesmo código de violência, mas ela reverteu, no entanto, esta relação de poder. O inesperado, aqui, não é defesa da honra, mas a defesa da honra feminina da parte de uma mulher agredida.

Nevin Yildirim está atualmente presa. Diz-se que seu caso reacendeu os debates em torno do aborto (autorizado no país até 10 semanas de gravidez). Pelo que li até agora, a justiça ainda não se pronunciou quanto ao seu pedido de aborto fora do período permitido. Vale lembrar que o primeiro-ministro turco Recep Tayip Erdogan considera o aborto um assassinato. Este mesmo primeiro-ministro disse, em 2010, não acreditar na igualdade entre homens e mulheres.

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Por que feministas precisam de dinheiro e poder


por Tággidi Ribeiro



No dia 26 de agosto duas meninas foram estupradas por integrantes de uma banda baiana de pagode. Falei sobre a barbárie aqui. O caso foi noticiado sem destaque pela grande imprensa, sobretudo depois que o laudo da perícia comprovou a violência sexual. Da primeira página do portal UOL, simplesmente sumiu. No G1, esteve só até antes de ontem, mesmo fazendo parte da lista de notícias mais comentadas. Nenhum grande portal informativo fez um textozinho sequer sobre estupro coletivo, leis de estupro no Brasil, culpabilização de vítimas de violência sexual ou, mesmo, laudos comprobatórios de estupro (tem gente que não acredita que eles provem alguma coisa...).

Mas por que a grande imprensa agiu dessa forma? Por que, mesmo atraindo muitos leitores (no G1, a notícia mal noticiada conta mais de 700 comentários), a imprensa optou por abafar o caso? Por que não fazer aquilo que se espera que a imprensa sempre faça - escarcéu, superexposição, sensacionalismo? Por que CALAR?

Quem nos representa?
A resposta é simples: porque os donos da imprensa - de toda a grande imprensa desse país - são homens coniventes com a violência contra a mulher. Coniventes porque eles – e/ou seus amigos e parentes – também são, eventualmente, abusadores, assediadores, estupradores e tanto a brandura das leis brasileiras quanto a própria impunidade em relação a crimes sexuais lhes é interessante. E mais interessante ainda é manter a população ignorante, preconceituosa e, consequentemente, também violenta, o que lhes garante o caos necessário à proliferação da cultura, para as mulheres, do claustro e do medo - cultura que muitas feministas chamam acertadamente de cultura do estupro.

Nós feministas somos obviamente críticas dessa cultura. A atacamos em blogs, passeatas, entrevistas, teses; brigamos com amig@s que não a reconhecem, com gente na rua, dentro das universidades, nas redes sociais; denunciamos inúmeras manifestações dessa cultura ao CONAR, à PF, à SPM. Na maioria das vezes, porém, não somos ouvidas em nossas reivindicações e a cultura do estupro não segue intacta, ela se alastra, e por isso devemos estar alertas.

100 mulheres é pouco.
Não é o suficiente fazermo-nos ouvir em determinadas instâncias, mesmo naquelas que existem por e para nosso gênero. Falta-nos o poder, e o dinheiro que confere poder a quem o tem. Faltam poder e dinheiro para @s feministas. Somos pouc@s nas câmaras de vereadores, prefeituras, governos estaduais, câmaras estaduais e federais de deputados, senado. Temos uma presidenta, a terceira mulher mais poderosa do mundo, mas esse lugar de poder não nos trouxe mudanças efetivas pois sabemos que para governar é preciso base de apoio e a base do governo Dilma não é feminista.
 
Por isso, nós feministas precisamos ocupar mais postos políticos, para que possamos exigir o cumprimento das leis, para que possamos propor e modificar leis. Além disso, precisamos ter canais de televisão, jornais, rádio, megaportais de notícias, agências de propaganda. Precisamos chegar aos ouvidos e olhos das pessoas também de forma massiva, para que a misoginia, a desigualdade, a injustiça, a violência, o desrespeito e a ignorância da mídia machista recebam a contrapartida lúcida e igualitária do feminismo. Para tanto, o caminho a seguir é longo.

Enfim, precisamos de poder e dinheiro para que não precisemos esperar nem pedir à mídia e ao governo que defendam duas meninas de 16 anos vítimas de estupro coletivo.

Vítimas