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Gosto muito de comédia stand-up. Como toda a forma de comédia, estão presentes comentários políticos, sociais e culturais, mas no stand-up, diferente de filmes e esquetes, esses comentários são feitos de maneira totalmente direta e imediata.
Há quem não goste, mas eu adoro esse filme. Primeiro porque a comédia é um campo majoritariamente masculino e um filme escrito por uma mulher e estrelado só por mulheres é uma raridade. Segundo porque não acho o filme clichê, muito pelo contrário. A cena acima, que infelizmente está cortada neste clip, termina com a noiva se aliviando na rua, usando o vestido de noiva. Um belo comentário sobre a instituição do casamento. E o enredo em torno da rivalidade entre as madrinhas de casamento termina em solidariedade feminina, o que é raro em Hollywood justamente pelo potencial subversivo que isso guarda.
por Roberta Gregoli
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| Adoro peidar |
Gosto muito de comédia stand-up. Como toda a forma de comédia, estão presentes comentários políticos, sociais e culturais, mas no stand-up, diferente de filmes e esquetes, esses comentários são feitos de maneira totalmente direta e imediata.
O problema é a ideologia que está por trás dos comentários. A Má já falou sobre comédia stand-up e concordo: muito do que tenho visto no Brasil é de virar o estômago, humor reacionário em seu estado mais puro. Reflexo de uma mentalidade reacionária (mas o Serra perdeu a eleição e talvez assinou o óbito de sua carreira política, o que significa que ainda há esperança!).
Já defendi que não existe humor inofensivo, mas isso não significa que comédia só possa ser usada para banalizar e naturalizar preconceitos e discursos de ódio.
| Margaret Cho e fã alucinada |
Ontem fui a um show de comédia stand-up da coreana-americana Margaret Cho, em Londres. Como conheço a maioria dos seus shows, sei que ela tem a boca suja, mas ontem estava particularmente suja. E achei ótimo. Precisamos de mais mulheres falando de assuntos ainda hoje tidos como tabu: menstruação, menopausa, masturbação e sexo, muito sexo. Enquanto santa e puta forem categorias mutuamente excludentes, precisamos de mulheres fazendo piada sobre a própria vida sexual, sobre boquete, sexo anal; enquanto houver a ideia de orientação sexual como algo rígido, com a heterossexualidade como norma, precisamos de mulheres falando sobre sexo com homens e com mulheres.
Precisamos também de mulheres falando sobre o aborto. E aqui alguns podem se chocar. Mas ora, se piada de estupro é "só brincadeirinha", por que de aborto não pode? #padrãoduplo
A Sarah Silverman é outra comediante norte-americana, também de minoria étnica (judia) e gerou polêmica com este post no Twitter, em abril deste ano:
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Ela escreveu e eu traduzo: fui ali fazer um aborto rápido caso a lei seja revogada ("R v W" é uma referência ao caso Roe contra Wade, que levou à descriminalização do aborto em âmbito nacional, em 1973).
Sob protestos indignados dos conservadores, talvez principalmente por isso, o comentário é sensacional pois enfatiza o perigo iminente de se perder um direito conquistado pelas mulheres norte-americanas há quase 4 décadas. A graça da piada é que Silverman nem estava grávida, ela disse depois que só estava inchada por ter comido um burrito.
Sob protestos indignados dos conservadores, talvez principalmente por isso, o comentário é sensacional pois enfatiza o perigo iminente de se perder um direito conquistado pelas mulheres norte-americanas há quase 4 décadas. A graça da piada é que Silverman nem estava grávida, ela disse depois que só estava inchada por ter comido um burrito.
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| Meninas passam bilhetes, meninos 'passam' gases |
Precisamos também de mulheres falando sobre temas escatológicos, o chamado 'humor de banheiro'. E a Margaret Cho é ótima nisso, ela fala sobre mijar nas calças, cagar nas calças, peidar. Independente de achar graça nesse tipo de humor ou não, acho importante que piadas assim estejam sendo feitas por mulheres. Porque homens falam abertamente sobre todas essas coisas, fazem piadas, enquanto nós somos educadas para, na melhor das hipóteses, usar eufemismos. E mais do que falar, nós precisamos rir dessas experiências porque o riso naturaliza. E não há nada mais natural do que nossas necessidades fisiológicas. É como se a nossa própria experiência corpórea em seu nível mais concreto nos fosse negada. Ou pelo menos nos fosse negado falar sobre ela, que é a mesma coisa.
Ainda sobre mulheres e escatologia, me lembro que ano passado houve uma cena do filme Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011) que foi particularmente criticada:
Há quem não goste, mas eu adoro esse filme. Primeiro porque a comédia é um campo majoritariamente masculino e um filme escrito por uma mulher e estrelado só por mulheres é uma raridade. Segundo porque não acho o filme clichê, muito pelo contrário. A cena acima, que infelizmente está cortada neste clip, termina com a noiva se aliviando na rua, usando o vestido de noiva. Um belo comentário sobre a instituição do casamento. E o enredo em torno da rivalidade entre as madrinhas de casamento termina em solidariedade feminina, o que é raro em Hollywood justamente pelo potencial subversivo que isso guarda.
Ando pensando muito nas comediantes mulheres no Brasil, mas acho que esse é assunto para um outro post, mesmo porque ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão clara. O maravilhoso humor desbocado da Dercy Gonçalves é certamente transgressor, mas não sei o suficiente sobre a nova geração... Talvez a Ingrid Guimarães e a Heloísa Périssé se aproximem mais desse tipo de humor subversivo com relação ao papel da mulher. Comentários?
31 de outubro de 2012
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A cartilha do Ministério Público lista os sinais que identificam as chances de uma relação se tornar fisicamente violenta:
Eu falei mais acima da enorme dificuldade de escapar desse tipo de relacionamento abusivo. Como vimos com a fase da "lua de mel", o próprio modo de funcionamento dessas relações dificulta seu rompimento. Além das barreiras psicológicas, do medo, da vergonha e da solidão, devemos lembrar que a situação social precária da mulher contribui para mantê-la presa ao seu agressor: a velha tendência de se colocar a culpa na vítima que leva ao medo da rejeição social e, especialmente, a dependência econômica que muitas vezes prende a mulher ao homem. Por isso a importância de políticas públicas e de apoio institucional às mulheres (e suas crianças) agredidas, física e psicologicamente.
Para se libertar, é preciso sair do isolamento, é preciso se reaproximar dos amigos e da família, de grupos de apoio, compartilhar o problema. É mais fácil reunir forças para fugir quando se tem a possibilidade de refúgio. A mulher precisa saber que não está sozinha. Fico pensando em quantas mulheres passam as noites em claro; único momento em se sentem em segurança, enquanto seus agressores dormem. Que essa moça que escreveu para a Lola, ela e tantas outras, consiga o quanto antes sentir o alívio da liberdade.
Em uma relação de amor não deve haver espaço para o medo.
por Barbara Falleiros
Esta semana, no blog da Lola, li um depoimento que me fez pensar nos mecanismos da violência e da dominação que às vezes (demasiadas vezes) governam as relações de um casal. A Mazu, nos seus comentários sobre a violência física e psicológica exercida por maridos e companheiros sobre as mulheres, já nos deu alguns exemplos bem reais.
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Agressão verbal, ameaças, gestos e posturas agressivas. A
violência psicológica pode ferir mais do que a física
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O que me impressiona ao ler essas histórias de violência conjugal é a recorrência de certos elementos e o fato de elas acontecerem não apenas lá longe, com famílias socioeconomicamente desfavorecidas, com "gente sem estudo e sem educação", como dizem alguns, mas com qualquer um. Tem aquele marido sem camisa, largado no sofá, entupindo-se de cachaça e que termina o domingo batendo na esposa. Mas acontece da mesma forma na casa do médico agressivo, do empresário dominador, do professor universitário que diz que a esposa é burra, acontece com a adolescente de família cujo namorado possessivo faz figura de bom moço.
Uma cartilha distribuída pelo Ministério Público de São Paulo ("Mulher, vire a página... e seja protagonista de um final feliz!") mostra as três fases do chamado Ciclo da violência:
Em termos de manutenção do domínio sobre a vítima, a fase mais poderosa é esta "lua de mel" que antecede a evolução da próxima tensão. O seu objetivo é dissuadir a mulher de partir e fazê-la acreditar que o agressor é capaz de mudar seu comportamento. Mais do que isso, essa fase encoraja a mulher a buscar desculpas para as atitudes violentas : "Ele estava passando por um dia ruim", "Ele não é assim", "Ele está arrependido". Posso dizer que se ganha muito mais flores, perfumes, bombons e presentes de um homem machista e violento do que daquele que vê sua companheira como igual.
Viver com um homem machista é viver cercada. Ele te faz achar que sente ciúmes porque te ama, quando na verdade os ciúmes são sua forma de afirmar que a mulher lhe pertence. Sob a dominação de um homem machista, vive-se em constante estado de alerta, a medir as palavras, controlar as ações, abaixar os olhos, finalmente calar-se. "Ai meu Deus, agora ele vai achar que..." - quantas mulheres não são tomadas pelo pavor da reação de seus "companheiros" (a palavra certamente não cabe) a situações totalmente sem importância, como receber um bom-dia sorridente do dono da padaria?
O comportamento controlador é um dos principais sinais indicando uma relação violenta. Num passado distante, lembro-me claramente do meu primeiro dia na faculdade, com os novos colegas participando do trote no campus, e de ver o cara de repente ali, do outro lado da rua, parado, observando-me. Essas "surpresas" que se travestiam de intenções apaixonadas: "Eu estava com saudades", "precisava te ver", "não posso ficar um minuto sem você", na verdade queriam dizer: "Não posso suportar que sua existência se desvie um milímetro de mim". Na minha experiência, sempre soube que aquilo era uma afronta à minha liberdade, assim como a moça que escreveu o depoimento para o blog da Lola sabe que ela está dormindo com o inimigo. Mas eu tinha medo. É MUITO difícil conseguir fugir... E fugir novamente, e mais uma vez, a cada vez que o fantasma reaparece...
Viver com um homem machista é viver cercada. Ele te faz achar que sente ciúmes porque te ama, quando na verdade os ciúmes são sua forma de afirmar que a mulher lhe pertence. Sob a dominação de um homem machista, vive-se em constante estado de alerta, a medir as palavras, controlar as ações, abaixar os olhos, finalmente calar-se. "Ai meu Deus, agora ele vai achar que..." - quantas mulheres não são tomadas pelo pavor da reação de seus "companheiros" (a palavra certamente não cabe) a situações totalmente sem importância, como receber um bom-dia sorridente do dono da padaria?
O comportamento controlador é um dos principais sinais indicando uma relação violenta. Num passado distante, lembro-me claramente do meu primeiro dia na faculdade, com os novos colegas participando do trote no campus, e de ver o cara de repente ali, do outro lado da rua, parado, observando-me. Essas "surpresas" que se travestiam de intenções apaixonadas: "Eu estava com saudades", "precisava te ver", "não posso ficar um minuto sem você", na verdade queriam dizer: "Não posso suportar que sua existência se desvie um milímetro de mim". Na minha experiência, sempre soube que aquilo era uma afronta à minha liberdade, assim como a moça que escreveu o depoimento para o blog da Lola sabe que ela está dormindo com o inimigo. Mas eu tinha medo. É MUITO difícil conseguir fugir... E fugir novamente, e mais uma vez, a cada vez que o fantasma reaparece...
A cartilha do Ministério Público lista os sinais que identificam as chances de uma relação se tornar fisicamente violenta:
- Comportamento controlador;
- Rápido envolvimento amoroso;
- Expectativas irreais da pessoa violenta com relação à parceira;
- A pessoa violenta é irritável, mostra-se facilmente insultada, ferida em seus sentimentos;
- Ela revela crueldade com crianças e animais;
- Atribui a responsabilidade de abusos passados às vítimas anteriores;
- Abusa verbalmente da parceira:
O agressor poderá ser cruel, depreciativo, grosseiro. Tentará convencer sua parceira de que ela é estúpida, inútil e incapaz de fazer qualquer coisa sem ele.Não, você não é louca, você não é burra e você não é feia! Ele é que é um canalha desequilibrado!
Eu falei mais acima da enorme dificuldade de escapar desse tipo de relacionamento abusivo. Como vimos com a fase da "lua de mel", o próprio modo de funcionamento dessas relações dificulta seu rompimento. Além das barreiras psicológicas, do medo, da vergonha e da solidão, devemos lembrar que a situação social precária da mulher contribui para mantê-la presa ao seu agressor: a velha tendência de se colocar a culpa na vítima que leva ao medo da rejeição social e, especialmente, a dependência econômica que muitas vezes prende a mulher ao homem. Por isso a importância de políticas públicas e de apoio institucional às mulheres (e suas crianças) agredidas, física e psicologicamente.
Para se libertar, é preciso sair do isolamento, é preciso se reaproximar dos amigos e da família, de grupos de apoio, compartilhar o problema. É mais fácil reunir forças para fugir quando se tem a possibilidade de refúgio. A mulher precisa saber que não está sozinha. Fico pensando em quantas mulheres passam as noites em claro; único momento em se sentem em segurança, enquanto seus agressores dormem. Que essa moça que escreveu para a Lola, ela e tantas outras, consiga o quanto antes sentir o alívio da liberdade.
Em uma relação de amor não deve haver espaço para o medo.
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por Tággidi Ribeiro
Esse é apenas o meu segundo post da série sobre a entrevista da Catherine Hakim na Veja, mas sinceramente, gente, eu tou com uma preguiça dessa mulher que deus me livre. Então, não comentarei frase por frase como no post passado, ok?
Beleza e carreira - “Aristóteles já dizia que a beleza é melhor do que qualquer carta de apresentação. As vantagens de uma boa aparência podem ser percebidas desde a infância. Pesquisas revelam que 75% das crianças que se encaixam nos padrões de beleza aceitos universalmente, como um rosto simétrico, são julgadas como corretas e cativantes, enquanto só 25% das que não têm essas características são vistas dessa forma. Presume-se que os belos são mais competentes -- e eles são tratados como tal. Atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas.”
1. Aristóteles é o filófoso que amassou o barro da sociedade moderna (ou os modernos o juntaram a seu barro), mas não é por isso que precisamos lhe dar razão. Assim como não precisamos dar razão sempre à ciência, que vemos tantas vezes contradizer-se. Agora, direi três nomes para contradizer a última frase dessa fala: Hillary Clinton, Angela Merkel e Dilma Roussef. É o bastante.
As feias que me perdoem - “Beleza extrema é algo raro, um item de luxo. Nem todo mundo nasce Elizabeth Taylor. Quem não tirou a sorte grande deve aprimorar o seu poder de atração. Na França, é comum o conceito de Belle Laide, a mulher feia que se torna atraente graças à forma como se apresenta à sociedade e ao seu estilo. Christine Lagarde, a diretora do Fundo Monetário Internacional, o FMI, é um exemplo de mulher que não ostenta a beleza clássica, mas é extremamente atraente. Tem personalidade, carisma, charme e boas maneiras. Se você não é bonito, por favor, vá à luta. Cultive um belo corpo, aprenda a dançar, desenvolva habilidades. E distribua sorrisos. Como Marilyn Monroe sempre soube, o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir. O sorriso é um sinal universal de acolhimento, aceitação e contentamento em relação aos demais. Torna a todos mais atraentes.”
2. 'As feias que me perdoem, mas eu me embananei toda na hora de defender minhas teorias sobre como é necessário ser belo', deveria ter dito Catherine Hakim. Carisma, personalidade, charme e boas maneiras, saber dançar e sorrir não são atributos do belo, quer dizer, não são próprios do belo, qualquer que seja ele. Todos nós conhecemos gente bonita e antipática/ feia e simpática, assim como conhecemos gente bonita e simpática/ feia e antipática. Geralmente preferimos pessoas (bonitas ou feias) simpáticas (que saibam dançar ou não), porque é melhor conviver com elas. Ainda assim, o sucesso profissional dessas pessoas dependerá de outros fatores, inclusive de ordem cultural. Nós brasileiros costumamos ser bem simpáticos, dizem, e, realmente, aqui a simpatia muitas vezes supera a necessidade de compromisso ou competência. Que eu saiba, na França, compromisso e competência são bem mais importantes que simpatia. Não é, Christine Lagarde, oitava mulher mais poderosa do mundo?
Qué dizê, gente, o que a Catherine Hakim faz basicamente é tentar nos convencer de que mulheres poderosíssimas como Christine Lagarde devem seu status a sua beleza, carisma e charme e não a sua competência e trajetória. Deem uma olhada na lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo, da Forbes, e nesse documentário e tirem suas próprias conclusões.
O próximo post, ainda sobre Hakim, vai ser tenso. Aguardem.
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| Pensem. |
O próximo post, ainda sobre Hakim, vai ser tenso. Aguardem.
26 de outubro de 2012
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4
por Roberta Gregoli
Fico me perguntando por que, mesmo depois de pelo menos 40 anos, muitos dos mitos e estereótipos relacionados ao feminismo e às feministas continuam presentes e fortes. Já tentei traçar algumas razões, mas vai ver que é mesmo difícil de entender. Então vamos simplificar.
Feminismo não é
| O nome disto é misandria |
Feminismo é
Feministas não são
São assim e assim:
O feminismo quer substituir
por
E
por
E quer substituir
por
Feminismo não é
Feminismo é
O feminismo quer substituir
por
E
por
Por favor, entendam: feminismo não é
Feminismo é
Ficou claro ou quer que eu desenhe?
24 de outubro de 2012
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0
por Mazu

O Outubro Rosa poderia ser azul, verde ou lilás, mas quando se trata de prevenir e tratar de um assunto tão importante, acho que podemos deixar determinadas coisas de lado, só por um momento. Existem vários mitos que explicam a atribuição arbitrária de cores para masculino e o feminino. E, em algum momento de nossas vidas já escutamos várias histórias sobre como a cor lilás foi atribuída ao movimento feminista (cor do tecido de operárias assassinadas, junção entre o vermelho e o azul, etc). Contudo, entretanto, todavia, discutir as cores e o reflexo delas na sociedade e movimentos sociais não é bem a intenção deste post. Apesar de isso dar pano para manga e ser muito interessante, gostaria mesmo de aproveitar o Outubro Rosa e falar sobre a importância da prevenção do câncer de mama e alguns tabus que, infelizmente, ainda existem.
Não é que a gente não precisa da ajuda ou cooperação dos companheiros e companheiras, insisto, quanto mais solidariedade, melhor. O envolvimento de todos no combate e prevenção pode salvar vidas. As iniciativas como o Outubro Rosa são essenciais, e todos e todas devemos participar. É importante encorajar as mulheres das nossas vidas a se prevenir e se cuidar. Como mulheres, devemos procurar médicos que nos façam sentir confortáveis e devemos nos sentir confortáveis conosco mesmas para fazer e pedir aos médicos exames de todo o tipo. Lembrando que todo câncer quando detectado em estágios iniciais tem grandes chances de cura. Nenhum argumento deve valer mais que esse.
por Mazu

O Outubro Rosa poderia ser azul, verde ou lilás, mas quando se trata de prevenir e tratar de um assunto tão importante, acho que podemos deixar determinadas coisas de lado, só por um momento. Existem vários mitos que explicam a atribuição arbitrária de cores para masculino e o feminino. E, em algum momento de nossas vidas já escutamos várias histórias sobre como a cor lilás foi atribuída ao movimento feminista (cor do tecido de operárias assassinadas, junção entre o vermelho e o azul, etc). Contudo, entretanto, todavia, discutir as cores e o reflexo delas na sociedade e movimentos sociais não é bem a intenção deste post. Apesar de isso dar pano para manga e ser muito interessante, gostaria mesmo de aproveitar o Outubro Rosa e falar sobre a importância da prevenção do câncer de mama e alguns tabus que, infelizmente, ainda existem.
Assisti a uma pequena notícia de outubro do ano passado sobre o câncer de mama, machismo e tabu. Apesar de pequeno o vídeo incita muita reflexão. Acontece que para algumas mulheres, tocar-se, despir-se e ser tocada ainda são coisas culturalmente difíceis de lidar. E quebrar esse tabu pode ser super importante se isso ajudar a detectar qualquer problema e salvar vidas.
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| Tocar-se e conhecer-se |
Como disse, o vídeo é uma notícia bem rápida sobre mulheres das comunidades rurais mexicanas, apontando que, ano passado, ainda existiam mulheres que não faziam o exame porque os maridos temiam que suas mulheres fossem vistas ou tocadas pelos médicos. Isso parece distante da nossa realidade, mas deve ser muito mais real do que imaginamos. Especialmente, no Brasil, em que determinadas coisas insistem em ficar mascaradas.
Um argumento bom para começar é que os seios são nossos. Ponto, parágrafo, próxima linha. Não importa se uma mulher é casada com um homem, outra mulher ou se é religiosa ou não, ou se está aqui ou na China. Quando se trata da prevenção de uma doença como câncer é muito importante ter a noção, o senso, o sentimento de indivíduo. Isso porque se eu ficar doente, ainda que as pessoas que me amam e se preocupam comigo sofram, ninguém vai ficar doente comigo, certo? Ninguém vai dividir esse fardo específico comigo. Nem o marido, nem o pai, nem os amigos. Eles podem ficar tristes, mas, eventualmente, quem vai passar por tudo (e é muita coisa) sou eu.
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| Congresso Nacional Rosa pelo Outubro Rosa |
Não quero dizer aqui que as pessoas têm que ter uma atitude egoísta com relação ao câncer. Na verdade, quanto mais solidariedade melhor. O que deve ficar claro é que meu corpo é meu, e o seu, é seu. Esse sentimento de autorrespeito e autoconhecimento pode evitar várias coisas e está relacionado com abandonar aquele mito da mulher patrimônio de que já falei aqui. Prevenir-se contra o câncer de mama é um dos vários motivos pelos quais as mulheres devem se entender como donas dos seus próprios corpos.
Todo mundo sempre conhece uma história, uma anedota sobre essa posse/ciúme do corpo alheio, sempre conhecemos alguém cujo companheiro não gosta que a esposa amamente em público ou corte o cabelo, ou altere sua aparência física de alguma forma. É importante perceber o seguinte: agradar ou ser mais paciente com essa ou aquela "besteirinha" da(o) parceira(o) não é um problema. O problema é o excesso, quando isso pode custar a dignidade ou a saúde de alguém. E também quando todas as tentativas de agradar ou compreender são unilaterais, ou seja, só partem de uma das pessoas no relacionamento.
Em 2004, uma trabalhadora metalúrgica do ABC paulista levou um beliscão no seio do seu superior direto, no chão de fábrica, em horário de expediente e, o mais importante, sem o consentimento dela. Na época, eu trabalhava com vários sindicalistas na CUT, e estávamos todos prontos para ajudá-la com os vários processos que isso acarretaria. Nunca conseguimos. A trabalhadora não seguiu adiante com as denúncias porque seu namorado ficou muito incomodado de ser publicamente visto como corno, já que outro homem havia apalpado SUA mulher. E aí está um exemplo claro de excesso. Deixar de exercer um direito ou deixar de cuidar da saúde por outra pessoa não compensa. Ninguém que ama e se importa de fato, exigiria esse tipo de sacrifício.
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| Catedral iluminada de rosa em Brasília |
PS.: Antes que alguém venha como alguma piadinha sobre o câncer de próstata, vou me adiantar. As subvertidas apoiariam, com certeza, qualquer iniciativa que buscasse quebrar tabus para salvar vidas. Afinal, esse é um dos preceitos do movimento feminista, queremos homens e mulheres vivendo felizes e saudáveis!
22 de outubro de 2012
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