Publicidade machista


por Roberta Gregoli
Se fica estranho é padrão duplo
Como uma dessas coincidências incríveis, encontrei no final de semana um amigo mexicano que conheci em Oxford. Contei para ele sobre o caso aberrante da propaganda da Nova Schin, que além de ser machista não se retrata e ignora (pior, apaga) os protestos do pessoal no Facebook.


Em resposta, meu amigo disse que ficou surpreendido quando aterrissou no Brasil, vindo direto da Inglaterra, ao ver os outdoors cheios de mulheres seminuas. Ele disse que se sentiu no México. E realmente é um grande costraste com a Inglaterra. Outra coisa que ele apontou que achei interessante foi a virtual inexistência de outdoors no mesmo estilo de homens.

As Subvertidas já haviam notado esse padrão duplo em conversa particular e ficamos muito chateadas que o vídeo abaixo nunca tenha sido vinculado no Brasil (especial para a Tággidi):


Conseguimos que a Prudence retirasse sua propaganda do ar e se desculpasse em público, mas casos parecidos não param de pipocar. A Nova Schin é totalmente reacionária, não se retrata, finge que não é com eles e o CONAR apoia.


E não para por aí. A nova propaganda do Fiat Punto que traz mulheres seminuas protestando. Além de usar o corpo das mulheres, eles têm a audácia de ridicularizar protestos em que as mulheres de fato tiram a roupa por uma causa mais válida do que vender um carro a preço super inflado.

Tem também a do desodorante Axe, prometendo que é só misturar dois tipos de Axe para "acumular mulheres", como se mulheres fossem coisas que se pode acumular.


Sinto que há uma mudança de consciência e que órgãos como o CONAR (apesar de ineficaz em alguns casos), a SEPM e outros estão aí para ouvirem essas críticas. Mudar uma cultura não é fácil e leva tempo, o importante é continuarmos denunciando,



7 comentários:

  1. Sandra Seabra Moreira18/08/2012 19:00

    Roberta,

    Esse "se fica estranho é padrão duplo" gostei pra caramba. É tão difícil detectar - explicar a estranheza que certas propagandas e imagens causam. Grata pela "ferramenta".
    Yeah! A Dolce Gabanna caprichou no filminho! Beijo, linda.

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  2. OLha,tem um detalhe que muita feminista não gosta,mas como nós mulheres podemos reclamar da mídia machista se nós mesmo nos auto-objetificamos?O que dizer das mulheres que desfilam nuas rebolando no carnaval? e das modelos que aceitam tal imagem na mídia?das nossas roupas,que são sexualizadas(independente de serem curtas ou não)?E o funk,tendo Valesca Popozuda idolatrada mais que chiquinha Gonzaga? Nós a todo tempo nos reduzimos a um corpo desfrutável para o prazer masculino,como vamos ser ouvidas por reclamar de algo que nós emsmas ajudamos a perpetuar?
    não me admiro de nunca sermos levadas á sério :/!

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    1. O que dizer dessas mulheres? Que se f.. essas mulheres. O que não pode acontecer é confundir essas mulheres fabricadas pela mídia machista com as mulheres reais do nosso país, as que trabalham e estudam muito para se dar ao respeito e depois sofrer as consequências da objetificação causada por essas outras desmoralizadas. Tenho certeza de que a maior parte das brasileiras tem valores morais. O problema é que essas raramente têm espaço na mídia.

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  3. e eu não me admiro de você ser um masculinista. ;)

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  4. Não acredito que exista algo chamado auto-objetificação. Na verdade, num contexto de possibilidades limitadas para as mulheres - lacuna salarial, processos seletivos discriminatórios e discriminação de gênero em geral, consciente ou não - a exploração do corpo e da sexualidade é, na verdade, uma possibilidade de empoderamento.

    Não que seja uma possibilidade ideal ou uma pela qual nós, feministas, lutamos. Mas também não é justo culpabilizar as mulheres por todo um sistema, este sim machista. Na verdade, culpabilizar as mulheres é um dos mecanismos desse sistema machista e perverso.

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  5. Olá. Acredito que pior do que isso, é o que nós mulheres publicitárias passamos atuando dentro deste cenário. O mercado possui um machismo sub-camuflado da máxima "cada um por si, isto é democracia", mas vemos que não é assim. Como bem exposto acima, o Conar é composto predominantemente por indivíduos do sexo masculino, e dentro das agências sob a alegação de que "esse é público-alvo, isso é que vende, não somos machistas", as publicitárias que poderiam mudar algo, acabam sendo sufocadas sob o machismo dominante do "você não entende o público-alvo". E vemos muitas então, indo para áreas de atendimento, mídia e outras áreas diversas da criação, porque dentro deste universo, o arquétipo de "creativo" pertence ao sexo masculino. Mulher ainda não "pensa". E não adianta antropologia, filosofia, sociologia, nem psicologia como argumentação, quando o problema está na cegueira de uma sociedade que não percebe que é controlada por poucos.

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    1. Bianca, muito obrigada por compartilhar um pouco do outro lado da história, que realmente acaba ofuscado na discussão da representação das mulheres na mídia. Concordo plenamente com você e esse argumento do "é isso que vende" é extremamente perigoso porque desqualifica qualquer possibilidade de mudança. E isso não acontece só na publicidade. Os publicitários, humoristas, cineastas, produtores da indústria pornográfica, etc devolvem para a sociedade seus preconceitos com a desculpa de que é isso que a sociedade quer ver, num ciclo vicioso em a dimensão ética e responsabilidade por quebrar esse ciclo não são discutidas. Mas ainda bem que temos pessoas conscientes como você! Continue levantando questões, desafiando, subvertendo!

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