A mídia mascara crimes de ódio


por Tággidi Ribeiro
 

Você não sabe nada sobre o massacre de Realengo.

Você ouviu dizer que um maluco brasileiro qualquer resolveu imitar os malucos dos Estados Unidos e saiu atirando contra alunos de uma escola do Rio de Janeiro, no dia sete de abril do ano passado. Você estava cansad@ desse tipo de história e da falsa comoção midiática que ela gera, da dor de gente real transformada em espetáculo. Você, supondo que se tratava mesmo de um cara que surtou, tomou a história como mais uma tragédia e seguiu a sua vida, oras.

Mas, como eu disse, você não sabe nada sobre Realengo. Então, vamos esclarecer as coisas, porque eu tenho certeza de que a sua perspectiva sobre este e sobre alguns dos últimos massacres em escolas vai mudar - e você vai ficar mais atento. O que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira foi um crime de ódio calculado, planejado durante meses e que contou com o apoio de um grupo de incitadores do ódio.

Se vemos Wellington Menezes de Oliveira falando em qualquer dos muitos vídeos que circulam na net, concluímos que ele é um louco. Se lemos sua carta de suicídio, sabemos que ele é um louco. Contudo, só o fazemos porque ele matou doze crianças, pois que o discurso de Wellington é um discurso estabelecido em inúmeras seitas e religiões, que pregam a eliminação de todo mal. Infelizmente, o mal maior em muitas religiões é a mulher.

Então, retifico: Wellington não matou doze crianças - matou dez meninas e dois meninos. Segundo testemunhos de quem presenciou o massacre, Wellington feria meninos e executava meninas, a quem chamava de 'seres impuros'. A Lola Aronovich explicou tudo muito bem neste post.

Agora você sabe, finalmente, algo sobre Realengo e poderá ficar mais atento a crimes semelhantes. Portanto, quando vir notícias como essa, desconfie. Se você ler mais um ou dois artigos sobre o mesmo assunto, poderá pensar que os gêneros não evidenciados (ou deliberadamente trocados) pela imprensa, assim como as explicações dadas para os assassinatos de mulheres,  tentam encobrir o nível da violência a que estão expostas, tentam mascarar os crimes de ódio que as vitimizam.

6 comentários:

  1. Bobagem. O assassino era um doente mental, transtornado, psicopata. O fetiche, trauma, obsessão dele eram meninas, por razões circunstanciais. Existem psicopatas com todo tipo de obsessão. Poderiam ser meninas ou monges albinos caolhos. Mais um artigo de auto-vitimização.

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  2. Exceto que há ligação entre Wellington Menezes e o grupo masculinista Homini Sanctus: http://noticias.r7.com/cidades/noticias/policia-diz-que-presos-por-manter-site-racista-pertencem-a-mesma-seita-de-assassino-de-realengo-20120322.html

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  3. Bem, você também pode dizer que o grupo a que Welligton se ligava tem obsessão por meninas. Isso não livra os 'santos' de incitar crimes de ódio. E não livra Wellington Menezes de ter cometido um.

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  4. Rafael Maldonado07/07/2012 19:13

    De fato, a mídia tem pouquíssimo destaque ao fato dele matar preferencialmente meninas e as pessoas não deram importância a este "detalhe", ficaram chocadas com a morte de crianças e não com a morte de meninas, o que são coisas bem distintas.

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  5. Sim, são coisas bem distintas. Assim como seria distinto se ele tivesse matado preferencialmente negros ou preferencialmente homossexuais. Essa é a última barreira que precisamos quebrar na mídia (crimes de ódio contra negros e homossexuais antes não eram notícia): o silêncio sobre o feminicídio. Abraço.
    Tággidi

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